Pontes como elo de ligação da
fronteira brasileiro-argentina
Se
depender da disposição política dos governos do Brasil e da Argentina, os dois
países vão priorizar as suas ações de integração. Depois de encontro reservado
durante hora e meia em Buenos Aires, esta semana, os presidentes Luiz Inácio
Lula da Silva e Alberto Fernandez formalizaram compromisso de fortalecer as
relações de intercâmbio. E para tanto uma das iniciativas estratégicas será a
manutenção de pontes – não apenas no sentido simbólico, mas literalmente como
fator de unidade.
O
compromisso é que a tempo, até agosto, estará equacionado o processo relativo à
gestão operacional da Ponte da Integração São Borja-Santo Tomé. Um acordo
bilateral, de 1996, estabelece sistema
público-privado de gestão. Isso para a ponto, seu Centro Unificado de Fronteira
(CUF) e os acessos à travessia. Lula e Fernandez não chegaram a confirmar se
continuará assim, mas deixaram que o modelo deu certo no atual formato.
A
atual concessionária, Mercovia S/A, já teve 25 anos de contrato e vai fechar
mais dois anos de prorrogação. Os presidentes avaliam a experiência c0omo
bem-sucedida. Contudo para que haja novo processo licitatório e nova concessão é
preciso agir de imediato, para que o prazo disponível possa ser cumprido, sem
atrasos. Hoje, cerca de 30% do intercâmbio brasileiro-argentino tem fluxo pela
ponte.
Alberto
Fernandez e Lula da Silva também reafirmaram o compromisso de implementar o acordo binacional existente de construir uma
nova ponte sobre o rio Uruguai – Porto Xavier/San Xavier -, antiga
reivindicação da região das Missões. A
meta é que a obra possa estar pronta em
2025. A projeção é que o Brasil invista R$ 220 milhões. Atualmente, a travessia
na fronteira, na região, é feita por balsas.
Um
terceiro compromisso firmado pelos presidentes brasileiro e argentino é a
revitalização da ponte internacional Uruguaiana/Paso de Los Libres. A estrutura
foi a primeira a ser construído, tem quase um século e precisa ser recuperada. Neste
circuito a gestão é do governo dos dois países.
Responsáveis
por dois terços dos negócios na América do Sul, Brasil e Argentina querem,
também, fortalecer o Mercosul. A meta é
que o intercâmbio no bloco econômico possa ser fortalecido, gerando
protagonismo em relação ao cenário internacional. Do ponto de visto bilateral,
Argentina e Brasil decidiram pela instituição de uma moeda específica a ser
utilizada como referência comercial nas relações de negócios.
A
viagem de Lula à Argentina foi a primeira ao exterior, no seu atual terceiro
mandato presidencial. O encontro com Fernandez ocorre em momento de aguda crise
econômica e social na Argentina. Ao mesmo tempo, o presidente do país vizinho
tente reeleição. Lula incluiu na agenda encontro com governantes
latino-americanos e caribenhos em Buenos Aires, aproveitando ainda para ir ao
Uruguai.

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