Banco de Sangue do HIG
está à espera de doadores
(Fotos Aquivo Pessial)
O período que corresponde à virada de ano é normalmente de escassos estoques de sangues nos hemocentros em todo o país. Como para muitas pessoas a fase é de férias, de viagens ou de desaceleração de atividades, é comum diminuir o número de doadores e, por consequência, também os estoques de sangue ficam menores. Há cidades no Rio Grande do Sul em que o déficit chega até mais de 30%. Em São Borja, o Banco de Sangue do Hospital Ivan Goulart (HIG) registra falta em proporção bem menor, mas está esperando por doadores.
A diretora da unidade, bioquímica Roselaine Maag, informa que São Borja tem um bom número
de voluntários acostumados a doações regulares, mas em um período como agora a
frequência diminui. “Nós precisamos dispor, como estoque ideal, de 120 a 150 bolsas de sangue, entretanto no
momento estamos com volume um pouco abaixo”, explica. A utilização abrange oito diferentes tipos de
sangue e nem todos eles são compatíveis entre si.
Podem ser doadoras
pessoas em boas condições de saúde, com peso mínimo de 50 quilos e idade entre
16 e 69 anos. Dos 16 aos 18 anos, é
preciso autorização dos pais. Pessoas com determinadas patologias ou que tenham
se submetido a determinados tratamentos não podem ser doadoras. Por essa razão,
a recomendação é que, no caso de dúvidas, seja buscada orientação no Banco de
Sangue.
O serviço está instalado dentro do HIG e funciona das 8h às
11h30min e das 14 às 17h30min. Também é possível obter informações através do
telefone do hospital 3431 1650. A unidade de serviços local atende à demanda
apenas do município, entretanto acaba assistindo também pacientes de cidades da
região que se tratam no Ivan Goulart.
Rotatividade
Maioria das pessoas de 16 a 69 anos
podem ser doares, salutar solidariedade.
Roselaine Maag ressalta que manter estoques regulares
atualizados é indispensável. “O sangue, uma vez coletado, tem de ser utilizado em
até 35 dias. Depois disso, precisa ser descartado”, diz ela. Por essa razão, faz-se
necessária uma rotina que, ao mesmo tempo garanta que não haja falta, mas também que não ocorra excesso.
Várias pessoas na comunidade adotam a salutar rotina de doação e de
solidariedade. A cada período de dois a três meses o gesto pode ser repetido. “Entre
os quarteis na cidade – militares e do Exército – temos doadores em bom
número”, exemplifica a diretora Maag.
A diretora técnica do Banco de Sangue informa que, no auge da pandemia de Covid, diminuiu o
fluxo das cirurgias mas, mesmo assim, houve períodos de grande necessidade
de sangue para tratamento de pacientes. Agora, como a rotina dos procedimentos
cirúrgicos foi retomada, também é normal a demanda de manutenção dos estoques de
sangue.
Os tipos
Os
grupos sanguíneos foram descobertos no início do século passado pelo cientista
austríaco Karl Landsteiner. Após colher amostras de sangue de diversas pessoas
ele isolou os glóbulos vermelhos e fez diferentes combinações entre plasma e
hemácias. Com isso, constatou que em alguns casos havia aglutinação dos
glóbulos e em outros não.
Essa
descoberta foi fundamental para compreender porque pessoas morriam depois de
receber transfusões de sangue. Avançando nas pesquisas, ele concluiu que a
presença de antígenos na superfície das hemácias tem natureza bioquímica
variada. Ou seja, eles podem ser compostos por carboidratos, por lipídeos, por
proteínas ou até mesmo por uma mistura entre eles.
Pelo
seu trabalho, Landsteiner recebeu o Prêmio Nobel de Medicina em 1930. A partir
daí, o sangue passou a ser classificado em quatro tipos e mais algumas
variações, de acordo com o sistema ABO.
Sangue
do tipo A - Considerado um dos tipos sanguíneos mais comuns, o tipo A contém
anticorpos contra o sangue do tipo B. Assim, esse grupo também é conhecido como
“anti-B”. Na prática, indivíduos com sangue do tipo A só podem ser doadores
para outras pessoas com sangue “A” ou “O”.
Sangue
do tipo B - O sangue do tipo B, ao contrário, é considerado um grupo mais raro.
Ele contém anticorpos contra o sangue do tipo A – e por essa razão leva também
o nome de “anti-A”. As pessoas com sangue do tipo B só podem receber sangue dos
tipos “B” e “O”.
Sangue do tipo AB - Ainda mais raro, o sangue
do tipo AB tem como característica o fato de não possuir anticorpos nem contra
o sangue do tipo A e nem contra o sangue do tipo B. Isso significa que as
pessoas desse grupo sanguíneo podem receber sangue de qualquer tipo sem que
haja risco de reações adversas.
Sangue
do tipo O - O quarto tipo sanguíneo é “O”. Ele é o mais comum entre todos. Ele
tem como característica o fato de possuir anticorpos “anti-A” e “anti-B”. Por
essa razão, os indivíduos desse grupo sanguíneo só podem receber doações de
sangue do tipo”O”. Por outro lado, são conhecidos como “doadores universais”.


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