Anúncios diferentes e com
a meta de fazer diferenças
(Com imagens do portal g1)
Já nos dois
pronunciamentos de posse, em 1º de janeiro, o novo presidente Luiz
Inácio Lula da Silva (PT), fez questão de enfatizar, de forma dura e incisiva,
marcantes diferenças em relação a seu antecessor, Jair Messias Bolsonaro (PL).
Normalmente é assim é cada troca de governo. Mas, no caso específico, o aviso
foi de que a nova gestão do Brasil - de
feição e de postura – será diametralmente oposta. Um dos principais
registros pelo novo presidente – de
forma enfática - é que pega uma país
destroçado e que, mesmo assim, terá de ser reconstruído. Tanto que a marca
escolhida é ‘União e Reconstrução’. Quanto à defesa antecipada que fez em tom
de acusação, todo mundo em geral também faz. Afinal, é prudente desde o início
salvaguardar as naturais dificuldades e as muitas demandas a serem
enfrentadas, em médio e longo prazo.
Mas o véu do ‘fazer diferente’ começou a ser claramente descortinado ao longo da semana, à
medida que ministros de Estado foram investidos nos cargos. Eles começaram a fazer anúncios. Alguns
exemplos bem ilustram a mudança de conjuntura e de paradigmas preconizada pelos novos ‘inquilinos’ do
Palácio do Planalto. Várias dessas diretrizes preconizadas mudam da ‘água para
o vinho’ o contexto anterior nas ações.
Se são medidas acertadas, as de agora, o tempo é quem dirá.
Vejamos alguns exemplos pontuais. Estatais que estavam
na lista de privatização, algumas com processos já em andamento,
continuarão como patrimônio da União.
Entre as referências mais emblemáticas estão a Petrobras, os Correios, a
Companhia Nacional de Abastecimento ou a empresa de comunicação do governo
federal. Privatizar ou estatizar? Isso binário
sempre dividiu posições, eis que é tema controverso.
Teto de gestos, âncora fiscal, Lei de Responsabilidade
Fiscal. Regras definidas por governos recentes são vistas como instrumentos de
engessamento à gestão pública ou à justiça social. A meta, portanto, é
instituir novas diretrizes, o que implica em garantir o apoio necessário de
deputados e senadores no Congresso
Nacional para aprovação. Graças a esse apoio político, aliás, é que no governo
Bolsonaro e agora também foram aprovadas PECs (Propostas de Emendas
Constitucionais) bilionárias com diferentes motivações, fora do teto de gastos.
O novo governo trabalha com a perspectiva de garantir
apoios e aprovar, já no primeiro semestre, a reforma tributária, aproveitando projetos que tramitam
no Legislativo. Governos anteriores
fizeram tentativas e não avançaram. Agora estariam convergindo as posições.
Corrigir defasagens expressivas na tabela do Importo de
Renda é outra prioridade. Por decisão de Lula, a isenção de tributos federais
sobre combustíveis segue por ainda mais dois meses, cabendo decisão, depois, à
Petrobras. O Ministério da Fazenda avalia medida de isenção da gestão anterior
como “eleitoreira” e era contra manter a isenção.
As reformas Trabalhista e da Previdência foram aprovadas
nos dois governos anteriores como grande conquistas. No governo atual, o anúncio
é que haverá mudanças. Na Previdência, não haveria déficit, garantem fontes. A
polêmica certamente vai surgir.
São Borja e o Brasil esperam, com expectativa, eventuais
mudanças no programa de desenvolvimento social,
distribuição de renda e de combate e à fome. Para o novo governo, serão
ações prioritárias, questões de honra entregar avanços no setor. É certo,
contudo, que acontecerá recadastramento geral dos 90 milhões de inscritos no
Bolsa Família, que volta a ter a antiga denominação.
Um dos primeiros atos de governo foi reatar relações e
reconectar canais de auxílios internacionais nos programas de defesa do meio ambiente. Defender os biomas
nacionais, cessar os desmatamentos e preservar as terras indígenas da predação
serão metas centrais e de vanguarda.
O novo presidente já confirma viagens a países vizinhos
e a grandes parceiros comerciais. Incrementar parcerias, abrir o Brasil ao
mercado internacional, seguir fortalecendo o agronegócio e a agricultura
familiar são prioridades maiúsculas. Assim como reindustrializar o país e gerar mais empregos. No plano
doméstico regional, outro compromisso é fortalecer o Mercosul.
Mesmo antes de assumir, Lula negociou com o Congresso,
seguindo estratégia semelhante ao antecessor Bolsonaro. Assim é o formato do
presidencialismo hoje adotado. É uma
política que troca votos de apoio por compensações. O novo Congresso, a partir
de fevereiro, será mais bolsonarista. Resta saber se as dificuldades serão ou
não maiores. Implementar os muitos planos com recursos sempre insuficientes e demandas
sociais crescentes são cada vez mais
urgentes nas soluções. A equação é então
difícil de resolver. Salvar a educação, a saúde, a cultura e o meio ambiente,
por exemplo, impõe a necessidade de grande capital político e orçamentário. Na educação pós-pandemia o início básico terá
programa novo e na saúde, programas como SUS e Mais Médicos serão refeitos. Enfrentar
a fome, é desafio da mesma magnitude.
Para que tantas metas
como estas sejam alcançadas, será necessário
uma grande confluência de vontades políticas. É preciso de boas doses de bom senso, de patriotismo e de cidadania.
Contudo, em nação que segue dividida e sem sinais de unidade, o esforço fica
ainda maior. Mas a gente só aprende a caminhar, aminhando!




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