sexta-feira, 13 de janeiro de 2023

para mudar/

Preço de um

aprendizado

 



Há quem diga que, em nome da liberdade democrática, demorou-se demais  para conter manifestações extremadas, país afora, nas últimas semanas. De tal modo que segmentos minoritários, mas bem determinados, começaram como a tomar a sopa pelas bordas do prato, porém sinalizando  que o desejo era  beber o prato inteiro. Essa gradual escalada nas ações viria alcançar seu ápice no domingo, 8 de janeiro, deixando atônita e estarrecida uma nação inteira,  estupefata pelo que viu. A Capital Federal foi transformada em praça de guerra e de destruições. A motivação alegada seria a não aceitação dos resultados das eleições que, em 30 de outubro, confirmaram o petista Luiz Inácio Lula da Silva para novo presidente da República.

 

Esse evento mais recente, traumático e estarrecedor, entre nós, ocorreu exatos dois anos e dois dias após investida similar de Invasão do Capitólio, a sede do Parlamento nos Estados Unidos da América.  Mas se o argumento para ambas as insólitas incursões  é basicamente o mesmo – contestar o resultado eleitoral, mesmo que reconhecido por  órgãos oficiais e pelo  mundo -, há nele, também, uma  diferença robusta. A invasão dos descontentes  norte-americanos foi apenas ao Congresso; já a ação à brasileira atingiu os Três Poderes da República. E, bem mais que os descontentes do norte do continente, deixou um sinuoso e denso rastro de destruição, botando abaixo  simbolismos os mais representativos e produzindo estragos  incalculáveis no patrimônio histórico-cultural do Congresso, do Palácio do Planalto e do Supremo Tribunal Federal. Nunca a democracia e algumas das  principais instituições que a representam foram tão grave  e duramente atacadas como agora. “Liberdade  democrática não é sinônimo de violência, depredação ou quaisquer outros excessos”, já vinha alertando o presidente do Tribunal Superior Eleitoral e ministro do STF Alexandre de Moraes.

Se o Brasil segue dividido pela polarização política, não havendo sinais de pacificação imediata,  quem sabe então este patético cenário em Brasília não consegue construir um consenso, uma unidade? Os Poderes atingidos e que se refazem também  se unem em todas as suas esferas e instâncias. Assim também ocorre  com os operadores da segurança, da ordem e das investigações. A disposição é ser implacável, buscando e alcançando todos aqueles que tenham protagonizado as cenas deste dantesco teatro. Que a justiça exemplarmente  se faça no limite do ordenamento do bom senso e respeitando  direitos e prerrogativas, onde eles estiverem. A comunidade internacional, que a tudo acompanha espantada,  está igualmente solidária,  esperando um fecho ajuizado do que  vê por aqui. Espera, portanto, pelo restauro da ordem e pela consolidação democrática.

Não sejamos ingênuos que será fácil alcançar o Brasil pacificado que sonhamos  como uma nação solidária e fraterna. Por enquanto, os dois lados sob embate não parecem dispostos a convergir. Quem sabe, contudo, estes acontecimentos mais recentes não sirvam para um choque de realidade, em nome da razão, do bom senso e do bem geral? Pode ser apenas exercício de romantização, mas não custa sonhar. E desejar!


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