quarta-feira, 8 de março de 2023

SANANDO DEFASAGEM


 

Prevenir ao  HIV e Tuberculose

como uma prioridade nacional


Barreiras volta ao Ministério da Saúde,
para equacionar defasagens encontradas.


No ano passado, o governo federal  definiu no orçamento para 2023 só as despesas de desembolso  obrigatório do  Ministério da Saúde, as para tratar pacientes com Aids, por exemplo. Houve um corte de 61% nasverbas para as ações de prevenção a doenças como Aids, Hepatite, Tuberculose e outras sexualmente transmissíveis. Os 31% correspondentes aos  recursos disponibilizados são despesas obrigatórias para  pacientes em tratamento de rotina.

Assim, as medidas de prevenção ficam, sem verbas para serem implementadas.  Os números e informações são apresentados por Draurio Barreira, que, no atual governo federal, volta a atuar no setor.

De 2015 até janeiro deste ano, o sanitarista e epidemiologista Draurio Barreira, 61 anos, atuou na Organização Mundial da Saúde (OMS), em Genebra, Suíça,  como técnico de controle da tuberculose em escala global. Agora voltou para o Brasil para trabalhar novamente no Ministério da Saúde, onde teve funções  desde 1990 e até ir para o exterior.  O especialista retorna  com a missão de assumir o Departamento de HIV/Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). Informa que volta ao país com o desafio de reverter o apagão ncontrado.

Sobre seus planos e ações, ele falou à GZH, A medida inicial adotada foi mudar a denominação do Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis. Ressalta “que teve eliminada até a  designação  HIV/Ainda, foi eliminada, figurando como doença crônica”, diz. Destaca, porém, que bem mais do que a simples troca de denominação, a prioridade do seu Departamento será desenvolver políticas efetivas e permanentes  de prevenção ao HIV, demais doenças sexualmente transmissíveis e da tuberculose, por exemplo.

Draurio tem pós-graduações em Saúde Coletiva e Epidemiologia e foi o primeiro gerente do Programa de DST/Aids do município do RJ  na década de 1990. Unidade de Vigilância Epidemiológica do antigo Programa Nacional de DST/aids, do Ministério da Saúde, e coordenador do Programa Nacional de Controle da Tuberculose.

 

Situação caótica

 


Os números da Aids são especialmente preocupantes no Rio Grande do Sul. Conforme os dados apresentados pelo Ministério da Saúde em dezembro, quando se celebra o Dia Mundial Contra a Aids, o RS apareceu em quarto lugar no ranking dos Estados com mais casos confirmados de HIV em 2021. A capital, Porto Alegre, também está em situação de quadro gradativamente agravado.

Draurio Barreira ressalta que o quadro é mais grave por atingir principalmente as populações mais vulneráveis. Esse público inclui o segmento mais pobre da população, menos informado, os negros e os indígenas.

O especialista sabe que, por enquanto, Aids não tem cura. “Mas podemos e devemos adotar medidas de prevenção e enfrentamento. Erradicar não é possível, mas se pode praticamente zerar a doença”, diz.

A meta é garantem os recursos que faltam e promover campanhas permanentes. “Não só em março, no caso da tuberculose, e em dezembro, no caso do HIV. Temos de agir o ano inteiro e nos valendo de todos os instrumentos de proteção possíveis.”

 

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