Prevenir
ao HIV e Tuberculose
como
uma prioridade nacional
Barreiras volta ao Ministério da Saúde, para equacionar defasagens encontradas.
No ano passado, o governo federal definiu no orçamento para 2023 só as despesas
de desembolso obrigatório do Ministério da Saúde, as para tratar pacientes com
Aids, por exemplo. Houve um corte de 61% nasverbas para as ações de prevenção
a doenças como Aids, Hepatite, Tuberculose e outras sexualmente transmissíveis.
Os 31% correspondentes aos recursos disponibilizados
são despesas obrigatórias para pacientes
em tratamento de rotina.
Assim, as medidas de prevenção ficam, sem verbas
para serem implementadas. Os números e
informações são apresentados por Draurio Barreira, que, no atual governo federal, volta a atuar no setor.
De 2015 até janeiro deste ano, o sanitarista e epidemiologista Draurio Barreira, 61 anos, atuou na Organização Mundial da Saúde (OMS), em Genebra, Suíça, como técnico de controle da tuberculose em escala global. Agora voltou para o Brasil para trabalhar novamente no Ministério da Saúde, onde teve funções desde 1990 e até ir para o exterior. O especialista retorna com a missão de assumir o Departamento de HIV/Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). Informa que volta ao país com o desafio de reverter o apagão ncontrado.
Sobre seus planos e ações, ele falou
à GZH, A medida inicial adotada foi mudar a denominação do Departamento de
Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis. Ressalta “que
teve eliminada até a designação HIV/Ainda, foi eliminada, figurando como
doença crônica”, diz. Destaca, porém, que bem mais do que a simples troca de
denominação, a prioridade do seu Departamento será desenvolver políticas
efetivas e permanentes de prevenção ao
HIV, demais doenças sexualmente transmissíveis e da tuberculose, por exemplo.
Draurio tem pós-graduações em
Saúde Coletiva e Epidemiologia e foi o primeiro gerente do Programa de DST/Aids
do município do RJ na década de 1990. Unidade
de Vigilância Epidemiológica do antigo Programa Nacional de DST/aids, do
Ministério da Saúde, e coordenador do Programa Nacional de Controle da
Tuberculose.
Situação caótica
Os números da Aids são especialmente preocupantes no Rio Grande do
Sul. Conforme os
dados apresentados pelo Ministério da Saúde em dezembro, quando se celebra o
Dia Mundial Contra a Aids, o RS apareceu em quarto lugar no ranking dos Estados
com mais casos confirmados de HIV em 2021. A capital, Porto Alegre, também está
em situação de quadro gradativamente agravado.
Draurio Barreira ressalta que o
quadro é mais grave por atingir principalmente as populações mais vulneráveis. Esse
público inclui o segmento mais pobre da população, menos informado, os negros e
os indígenas.
O especialista sabe que, por
enquanto, Aids não tem cura. “Mas podemos e devemos adotar medidas de prevenção
e enfrentamento. Erradicar não é possível, mas se pode praticamente zerar a
doença”, diz.
A meta é garantem os recursos que
faltam e promover campanhas permanentes. “Não só em março, no caso da tuberculose,
e em dezembro, no caso do HIV. Temos de agir o ano inteiro e nos valendo de
todos os instrumentos de proteção possíveis.”


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