quinta-feira, 16 de março de 2023

EM VERÕES TÓRRIDOS



  • Em tempos de secura recorde, fronteiriços
  • recorreram a refúgio e refresco nas águas do rio.

(Fotos Ana Cogo)


A orla do rio Uruguai como uma

fuga aos fronteiriços, no La Niña

 

De acordo com a Meteorologia, cessa  entre nós o fenômeno climático La Niña, depois de três anos seguidos de desconfortos e de  devastações de toda ordem.  Assim como a pandemia da covid, o evento climático nos forçou a adaptações, improvisações e à busca de soluções de emergência. Deixando à margem as impactantes consequências econômicas, cada um a seu modo teve de arranjar saídas para enfrentar esse longo e penoso período tórrido, de chuvas quase nulas, baixa umidade recorde e temperaturas extremas. Entre nós, em São Borja e Santo Tomé,  quem não teve acesso a piscinas ou ao Litoral, a solução, como alívio e fuga, foi a orla do rio Uruguai.

A recente abertura de comportas  de hidrelétricas no norte gaúcho e em Santa Catarina pode ter acabado com a ‘prainha’ do rio Uruguai em São Borja, na atual temporada. Entre os fronteiriços, contudo,  isso não faz cessar o salutar ritual de revisitar, quase que diariamente,  a orla do rio. Principalmente aos finais de tarde e nos fins de semana, um verdadeira romaria de são-borjenses marcam encontro no acolhedor Cais do Porto. Algo semelhante acontece no outro lado da fronteira, em Santo Tomé. Em território argentino, a motivação para a confraria dos encontros é  em La Islita, com direito a vista privilegiada à região do nosso Cais do Porto. É o rio, portanto, celebrando a integração entre os povos ‘hermanos’.



Longa estiagem provoca baixa recorde
do rio, deixando à mostra toda ponte.

Essa tradição vem de longe, mas neste verão especialmente – mais quente e mais seco  - está ainda mais consolidada. Em São Borja, enquanto na cidade a ‘gurizada’ afunda o asfalto trilhando  a área central, no bairro do Passo uma verdadeira romaria de automóveis e de pessoas  tem como destino a beira do rio. Há boas razões para isso. Sob a sombra de ingazeiros, de salso-chorões ou de angicos,  cadeiras vão abrindo espaço, para ‘sorver’ a brisa mansa que vem das águas. Às vezes desenhando ondas, às vezes deixando um risco escarlate pelos raios do sol que se despede.

Uma ciranda de cuias de mate entrelaça braços que se convergem. No verde da erva parece estar simbolizada  a esperança de quem, sorvendo  um ‘amargo’, sonha, planeja, prospecta por dias mais adocicados.  Tudo parece uma repetida liturgia de refazimentos. E nesses  fraternos encontros fortalecem-se em convívio de cumplicidades de trocas e de desejos comuns!

O roteiro necessariamente inclui visitar a área da Ponte Internacional da Integração. Com a secura recorde, já há três versões, nunca o rio Uruguai esteve com seu nível tão  baixo como no período mais recentes. Pode parecer tétrico, mas ver dramaticamente à mostra os esqueletos de sustentação da ponte atrai as atenções. E espanta. Um bom convite à reflexão de  como a natureza reage e quanto dela somos dependentes!



a severa estiagem, a constatação:
rio tem grande potencial de navegação. 

O que esperar

 

São Borja tem, reconhecidamente,  um dos mais bonitos Cais do Porto no Rio Grande. Não é por acaso, então, que a maioria dos maiores eventos na cidade ocorram no local.  Não é por acaso, ainda, que a administração municipal realiza significativos investimentos para tornar ainda mais atrativo um dos seus principais cartões-de-visita.


Marca do agente financeiro é o sinal
de que orla do rio terá investimentos.


Na área do Cais, à entrada do Porto do Angico, um painel de identificação do Badesul S/A , sinaliza o aporte de recursos que o agente  financiador trará para a região. Será do papel a sonhada Avenida Beira Rio,  que vai mudar a paisagem e a infraestrutura  e toda  a orla.

Obras de drenagem e terraplanagem, preservando a arborização existente, abrigarão em sequência pistas pavimentadas de circulação de veículos e pedestres,  em área de 44 mil metros quadrados, entre as ruas Tiradentes e Da República. Áreas de lazer diversificadas e para todos os públicos e sistemas  próprios de iluminação e de esgotamento sanitário  também farão parte do complexo. É previsão, também, em parceria com a iniciativa privada, um restaurante panorâmico.

Se o Cais do Porto já atrai pessoas, em grande número, para a confraria dos são-borjenses, muito mais é de se esperar quando estiverem prontos os projetos  da  Avenida Beira Rio e da Cruz Missioneira. Esta ficará abraçando o Cais, com braço de 50 metros de altura. Além de, através da Cruz de Lorena, celebrar a fé missioneira, o lugar abrigará o Museu Missioneiro da cidade e disporá de um mirante como que para contemplando o futuro.

 

La Islita

 


Em território argentino, Santo Tomé
já mantém infraestrutura e atrai visitantes.

É possível que muitos  brasileiros ainda  não conheçam a ‘avenida beira rio’ de Santo Tomé. É a La  Islita, nome dado em função de uma ilhota quase na margem do rio. O complexo de lazer dos argentinos é relativamente antigo, alcança cerca de um quilômetro de extensão e vem gradativamente recebendo incrementos da municipalidade de Santo Tomé.

A área – em patamar elevado e aparentemente sem risco de enchentes -  tem trechos  pavimentados e oferece pista adequada à circulação de veículos. Boa arborização e vários assentos sob a sombra são colocados à disposição. O local tem, ainda, serviço de restaurante, mas também permite que visitantes se instalem durante o dia no local.




Em La Slita, com vista privilegiada, para
contemplar o rio Uruguai no lado brasileiro.

Toda a estrutura é relativamente rústca, mas funcional e segura.  O complexo da Islita fica bem à margem do rio. Em vários pontos estão construídos acessos  praticamente direto às águas – são como pequenos piar. Também  há praças esportivas à disposição e os acessos ao lugar vêm sendo melhorados. É, sem dúvidas, opção  recomendada  de passeio e lazer. Ainda mais no verão, como agora.

 

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