- Em tempos de secura recorde, fronteiriços
- recorreram a refúgio e refresco nas águas do rio.
(Fotos Ana Cogo)
fuga aos fronteiriços, no
La Niña
De acordo com a Meteorologia, cessa entre nós o fenômeno climático La Niña, depois
de três anos seguidos de desconfortos e de devastações de toda ordem. Assim como a pandemia da covid, o evento
climático nos forçou a adaptações, improvisações e à busca de soluções de emergência.
Deixando à margem as impactantes consequências econômicas, cada um a seu modo
teve de arranjar saídas para enfrentar esse longo e penoso período tórrido, de
chuvas quase nulas, baixa umidade recorde e temperaturas extremas. Entre nós,
em São Borja e Santo Tomé, quem não teve
acesso a piscinas ou ao Litoral, a solução, como alívio e fuga, foi a orla do
rio Uruguai.
A recente abertura de
comportas de hidrelétricas no norte
gaúcho e em Santa Catarina pode ter acabado com a ‘prainha’ do rio Uruguai em
São Borja, na atual temporada. Entre os fronteiriços, contudo, isso não faz cessar o salutar ritual de
revisitar, quase que diariamente, a orla
do rio. Principalmente aos finais de tarde e nos fins de semana, um verdadeira
romaria de são-borjenses marcam encontro no acolhedor Cais do Porto. Algo
semelhante acontece no outro lado da fronteira, em Santo Tomé. Em território
argentino, a motivação para a confraria dos encontros é em La Islita, com direito a vista
privilegiada à região do nosso Cais do Porto. É o rio, portanto, celebrando a
integração entre os povos ‘hermanos’.
Longa estiagem provoca baixa recorde
do rio, deixando à mostra toda ponte.
Essa tradição vem de
longe, mas neste verão especialmente – mais quente e mais seco - está ainda mais consolidada. Em São Borja,
enquanto na cidade a ‘gurizada’ afunda o asfalto trilhando a área central, no bairro do Passo uma verdadeira
romaria de automóveis e de pessoas tem
como destino a beira do rio. Há boas razões para isso. Sob a sombra de
ingazeiros, de salso-chorões ou de angicos,
cadeiras vão abrindo espaço, para ‘sorver’ a brisa mansa que vem das
águas. Às vezes desenhando ondas, às vezes deixando um risco escarlate pelos
raios do sol que se despede.
Uma ciranda de cuias de
mate entrelaça braços que se convergem. No verde da erva parece estar
simbolizada a esperança de quem,
sorvendo um ‘amargo’, sonha, planeja,
prospecta por dias mais adocicados. Tudo
parece uma repetida liturgia de refazimentos. E nesses fraternos encontros fortalecem-se em convívio
de cumplicidades de trocas e de desejos comuns!
O roteiro
necessariamente inclui visitar a área da Ponte Internacional da Integração. Com
a secura recorde, já há três versões, nunca o rio Uruguai esteve com seu nível tão
baixo como no período mais recentes.
Pode parecer tétrico, mas ver dramaticamente à mostra os esqueletos de
sustentação da ponte atrai as atenções. E espanta. Um bom convite à reflexão
de como a natureza reage e quanto dela
somos dependentes!
a severa estiagem, a constatação:
rio tem grande potencial de navegação.
O que esperar
São Borja tem,
reconhecidamente, um dos mais bonitos
Cais do Porto no Rio Grande. Não é por acaso, então, que a maioria dos maiores
eventos na cidade ocorram no local. Não
é por acaso, ainda, que a administração municipal realiza significativos
investimentos para tornar ainda mais atrativo um dos seus principais
cartões-de-visita.
Marca do agente financeiro é o sinal
de que orla do rio terá investimentos.
Na área do Cais, à
entrada do Porto do Angico, um painel de identificação do Badesul S/A ,
sinaliza o aporte de recursos que o agente
financiador trará para a região. Será do papel a sonhada Avenida Beira
Rio, que vai mudar a paisagem e a
infraestrutura e toda a orla.
Obras de drenagem e
terraplanagem, preservando a arborização existente, abrigarão em sequência
pistas pavimentadas de circulação de veículos e pedestres, em área de 44 mil metros quadrados, entre as
ruas Tiradentes e Da República. Áreas de lazer diversificadas e para todos os
públicos e sistemas próprios de
iluminação e de esgotamento sanitário
também farão parte do complexo. É previsão, também, em parceria com a
iniciativa privada, um restaurante panorâmico.
Se o Cais do Porto já
atrai pessoas, em grande número, para a confraria dos são-borjenses, muito mais
é de se esperar quando estiverem prontos os projetos da
Avenida Beira Rio e da Cruz Missioneira. Esta ficará abraçando o Cais,
com braço de 50 metros de altura. Além de, através da Cruz de Lorena, celebrar
a fé missioneira, o lugar abrigará o Museu Missioneiro da cidade e disporá de
um mirante como que para contemplando o futuro.
La
Islita

Em território argentino, Santo Tomé
já mantém infraestrutura e atrai visitantes.
É possível que muitos brasileiros ainda não conheçam a ‘avenida beira rio’ de Santo Tomé. É a La Islita, nome dado em função de uma ilhota quase na margem do rio. O complexo de lazer dos argentinos é relativamente antigo, alcança cerca de um quilômetro de extensão e vem gradativamente recebendo incrementos da municipalidade de Santo Tomé.
A área – em patamar
elevado e aparentemente sem risco de enchentes - tem trechos
pavimentados e oferece pista adequada à circulação de veículos. Boa
arborização e vários assentos sob a sombra são colocados à disposição. O local
tem, ainda, serviço de restaurante, mas também permite que visitantes se
instalem durante o dia no local.

Em La Slita, com vista privilegiada, para
contemplar o rio Uruguai no lado brasileiro.
Toda a estrutura é relativamente rústca, mas funcional e segura. O complexo da Islita fica bem à margem do rio. Em vários pontos estão construídos acessos praticamente direto às águas – são como pequenos piar. Também há praças esportivas à disposição e os acessos ao lugar vêm sendo melhorados. É, sem dúvidas, opção recomendada de passeio e lazer. Ainda mais no verão, como agora.




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