Agronegócio
alerta: sem alíquotas diferenciadas
reforma
tributária afetará o custo dos alimentos
Desde fevereiro, lideranças do agronegócio
já vêm debatendo impactos das reformas.
Nesta
terçafeira (28), a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA)
lançou alerta, em audiência pública no Congresso Nacional, para os riscos que,
na visão da entidade, relacionados à
reforma tributária. As propostas a respeito (PEC 45 e PEC 110), se implementadas como
estão, tratarão prejuízos ao agropecuário e à produção de alimentos.
Entre as
consequências negativas para o agro estão o aumento da carga tributária, a alta
dos custos de produção e a redução da margem de lucro do produtor. Para a
sociedade haverá elevação dos preços da cesta básica e da inflação, diz a CNA.
Os alertas
foram feitos pelo coordenador do Núcleo Econômico da Confederação, Renato
Conchon, em Grupo de Trabalho da Câmara dos Deputados. O encontro reuniu representantes
do agronegócio, do governo e da indústria.
Renato
Conchon lembrou que o setor do agro responde por quase 25% do PIB, 24% dos
empregos e 47,6% das exportações. “A reforma tributária é necessária, mas caso as
especificidades do agro não sejam consideradas, vamos ter o fechamento de
negócios e outros efeitos perversos”, afirmou.
Conchon mostrou
que caso não haja alíquotas diferenciadas para o setor, a agricultura poderá
ter um aumento de carga tributária de 875%, enquanto a pecuária teria uma
elevação de 783,3%. Para a produção florestal e a pesca, a alta seria de
230,8%. Juntando todos os setores primários da agropecuária, o aumento chegaria
a 643,8%.
O coordenador
da CNA pontuou que a cobrança tributária proposta pelas PECs em
cima do setor também provocaria altas nos custos de até 21,6%. Também haveria
redução na margem bruta dos produtores. A projeção é que, na prática, haveria
um aumento de 22,7% no preço da
cesta básica, com alta de 1,1 ponto.
Entre os
dispositivos previstos nos textos das PECs, estão a criação de uma alíquota
única a partir de tributos como o Imposto sobre Valor Agregado (IVA) ou o
Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que substituiriam uma série de outros já
existentes. Os ´rpdutores de menor porte seriam os mais afetados. É certo que o
tema ainda será objeto de muita discussão.
Repercussões atingirão todas as áreas
do agro, se não houver alíquotas especiais.
Suplementação
A CNA solicitou formalmente ao Ministério da
Fazenda uma suplementação orçamentária de R$ 1,5 bilhão para equalização das
taxas de juros dos programas oficiais de crédito rural. O pedido foi motivado
pelo comprometimento do orçamento de 2023, evidenciado, inclusive, na suspensão
dos investimentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
(BNDES).
A entidade
justifica que a elevação da taxa de juros e o orçamento insuficiente fez com
que os recursos para a equalização das taxas no crédito rural acabassem antes
do previsto. Além disso, a elevação dos custos de produção impactou no aumento
do ticket médio das operações. "Dessa forma, o produtor rural precisou de
mais recursos para financiar sua produção e lançar mão de inovações tecnológicas
necessárias ao desenvolvimento da agropecuária”. brasileira”, afirma o ofício
da CNA.


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