quarta-feira, 6 de abril de 2022

O SINAL DE PÓS-PANDEMIA

 

Uma retomada para

bater novos recordes




Fluxo de cargas pela Ponte da Integraçãofoi o
maior em março em toda a história da travessia.
(Fotos Mercovia)

Observadores têm chamado a atenção: em determinadas horas do dia, o fluxo de veículos na cidade equipara-se ao de Santa Maria, cinco vezes maior. No Centro Unificado de Fronteira (CUF) da Ponte da Integração há filas de caminhões e de automóveis. O que significa esse  movimento extraordinário? A pandemia acabou? São Borja retoma, enfim, sua rotina de circulação e produção? Provavelmente nem uma coisa nem outra, mas gradualmente a roda da economia local volta a girar.

Com razão, a gritaria é geral pela inflação dos alimentos, dos remédios e dos combustíveis. Já o agronegócio se queixa dos prejuízos da seca e do grande aumento no custo de produção, turbinado com a guerra da Rússia invadindo a Ucrânia. Apesar disso, é fácil avistar pelas ruas vistosas e caras caminhonetas   e automóveis dos últimos lançamentos.  Pelo sim, pelo não, o fato é que os mais endinheirados têm para investir.

Pilar de sustentação durante a covid, o mercado imobiliário não cessa suas operações. Novos condomínios de apartamentos e casas são lançados e implementados. Nas lojas, as vendas de material de construção seguem ritmo de normalidade.

 

No CUF, recordes

 


Ruas lotadas na cidade é 
outro sinal da retomada.
(Foto Ana Cogo)

O consórcio empresarial Mercovia S/A, concessionário para as operações da Ponte da Integração São Borja-Santo Tomé,  informa que o atual período é de recordes de movimentação e de demandas. No mês de março que se encerra, 11,2 mil caminhões atravessaram a fronteira brasileiro-argentina levando ou trazendo mercadorias. Esse fluxo é o maior desde que a ponta foi inaugurada, em 9 de dezembro de 1997. O recorde anterior, de 9,2 mil caminhões havia sido registrado em abril de 2013.

O diretor Comercial da Mercovia, Alcir Giordani, explica que, historicamente, as exportações são maiores que as importações, em volumes e valores. A razão é simples: o Brasil vende sobretudos produtos industrializados ou semielaborados. Na contrapartida, importa principalmente frutas e verduras – naturalmente mais leves na balança comercial.

A demanda esteve aquecida em todo o evento de covid. Enquanto outros modais de transportes encareceram, os caminhões não pararam de circular. “Tanto que, hoje, faltam carretas transportadoras”, diz o diretor.

Este incremento ao movimento de transportadores internacionais tem reflexos diretos não apenas no intercâmbio comercial, como também no Centro Unificado de Fronteira da ponte. Entre as repercussões, filas de caminhões à espera de liberação alfandegária e expansão das atividades no CUF. “Hoje são 900 brasileiros e argentinos trabalhando no local”, ressalta Giordani.


M
Mercovia: exportações seguem liderando
a escala de negócios nas ações de intercâmbio.

Este é outro recorde na atualidade. Escritórios despachantes registram demanda crescente na liberação aduaneira de cargas. De tal modo que alguns despachantes instalaram unidades de apoio na cidade, para dar conta dos serviços.

 

Intercâmbio vicinal

 

A partir da liberação para retorno à localidade argentina de Santo Tomé, também é intenso o fluxo de brasileiros fazendo compras ou desfrutando de atividades de lazer na cidade coirmã. Como nos tempos da travessia de balsa pelo rio Uruguai, agora o fluxo é de automóveis.  São dezenas na travessia binacional e também formando filas.  

Da gasolina ao vinho; do óleo de cozinha ao doce de leite. Compra-se um pouco de tudo no outro lado da fronteira para consumir no Brasil. Para o consumo próprio ou para revender. O negócio é aproveitar a baixa cotação do peso em relação ao real.



Câmbio favorável no lado argentino forma
filas na ponte para ir às compras em Santo Tomé.

Há também argentinos fazendo o caminho inverso, mas o mais frequente é ver brasileiros reeditando a cultura do antigo ‘comércio-formiga.’  Alguns deles se ‘especializam’ e montam pontos de venda aqui ou então, serviço de entrega.

Exercitando essa mesma prática, há ainda os sacoleiros. Aqueles que se abastecem em malharias gaúchas e catarinenses, outros no comércio paulista, e depois como ‘mascates’ vendem roupas de porta em porta ou a fregueses já certos. Pode mudar a forma de atuação, mas a finalidade é a mesma – a sobrevivência.

 

Serviços em alta

 

A Sala das Oportunidades, ligada ao Departamento de Desenvolvimento Econômico e ao Gabinete do Prefeito em São Borja ainda apronta relatório com número. Garante, contudo, que mais novas empresas estão sendo abertas do que as que  estão sendo suspensas. Outra constatação é que a área de serviços lidera o ranking, este ano, a exemplo do que já ocorreu na pandemia.

As principais unidades produtivas formalizadas são do tipo Microempreendedor Individual (MEI). E, entre as atividades de serviço, há de tudo – eletricista, pedreiro, pintor, técnico em informática, cabelereiro, pedicure-manicure e costureira.

Outro nicho é a área de gastronomia. Entretanto, este setor já esteve mais aquecido, na venda de refeições e marmitas, por exemplo. É justamente o segmento em que mais baixas de empresa têm sido registradas. Uma condições para atuar no ramo é, antes, realizar curso de boas práticas de manuseio de insumos.



Os serviços são segmento com demanda 
aquecida em São Borja, diz Prefeitura.

Na Sala das Oportunidade, saguão da Prefeitura, funciona também um serviço de microcrédito. É mantido através de parceria da administração municipal com a Imembui Microfinanças.  A finalidade é financiar, a juros baixos, empréstimos de custeio e investimento a qualquer pequeno empreendedor, desde que sem dívidas e atividades estável.

Nenhum comentário:

Postar um comentário