Uma retomada para
bater novos recordes
(Fotos Mercovia)
Com
razão, a gritaria é geral pela inflação dos alimentos, dos remédios e dos
combustíveis. Já o agronegócio se queixa dos prejuízos da seca e do grande
aumento no custo de produção, turbinado com a guerra da Rússia invadindo a
Ucrânia. Apesar disso, é fácil avistar pelas ruas vistosas e caras caminhonetas
e
automóveis dos últimos lançamentos. Pelo
sim, pelo não, o fato é que os mais endinheirados têm para investir.
Pilar
de sustentação durante a covid, o mercado imobiliário não cessa suas operações.
Novos condomínios de apartamentos e casas são lançados e implementados. Nas
lojas, as vendas de material de construção seguem ritmo de normalidade.
No
CUF, recordes
O
consórcio empresarial Mercovia S/A, concessionário para as operações da Ponte
da Integração São Borja-Santo Tomé,
informa que o atual período é de recordes de movimentação e de demandas.
No mês de março que se encerra, 11,2 mil caminhões atravessaram a fronteira
brasileiro-argentina levando ou trazendo mercadorias. Esse fluxo é o maior
desde que a ponta foi inaugurada, em 9 de dezembro de 1997. O recorde anterior,
de 9,2 mil caminhões havia sido registrado em abril de 2013.
O
diretor Comercial da Mercovia, Alcir Giordani, explica que, historicamente, as
exportações são maiores que as importações, em volumes e valores. A razão é
simples: o Brasil vende sobretudos produtos industrializados ou semielaborados.
Na contrapartida, importa principalmente frutas e verduras – naturalmente mais
leves na balança comercial.
A
demanda esteve aquecida em todo o evento de covid. Enquanto outros modais de
transportes encareceram, os caminhões não pararam de circular. “Tanto que,
hoje, faltam carretas transportadoras”, diz o diretor.
Este
incremento ao movimento de transportadores internacionais tem reflexos diretos
não apenas no intercâmbio comercial, como também no Centro Unificado de
Fronteira da ponte. Entre as repercussões, filas de caminhões à espera de
liberação alfandegária e expansão das atividades no CUF. “Hoje são 900
brasileiros e argentinos trabalhando no local”, ressalta Giordani.
Este
é outro recorde na atualidade. Escritórios despachantes registram demanda
crescente na liberação aduaneira de cargas. De tal modo que alguns despachantes
instalaram unidades de apoio na cidade, para dar conta dos serviços.
Intercâmbio
vicinal
A
partir da liberação para retorno à localidade argentina de Santo Tomé, também é
intenso o fluxo de brasileiros fazendo compras ou desfrutando de atividades de
lazer na cidade coirmã. Como nos tempos da travessia de balsa pelo rio Uruguai,
agora o fluxo é de automóveis. São dezenas
na travessia binacional e também formando filas.
Da
gasolina ao vinho; do óleo de cozinha ao doce de leite. Compra-se um pouco de
tudo no outro lado da fronteira para consumir no Brasil. Para o consumo próprio
ou para revender. O negócio é aproveitar a baixa cotação do peso em relação ao
real.
Há
também argentinos fazendo o caminho inverso, mas o mais frequente é ver
brasileiros reeditando a cultura do antigo ‘comércio-formiga.’ Alguns deles se ‘especializam’ e montam pontos
de venda aqui ou então, serviço de entrega.
Exercitando
essa mesma prática, há ainda os sacoleiros. Aqueles que se abastecem em
malharias gaúchas e catarinenses, outros no comércio paulista, e depois como
‘mascates’ vendem roupas de porta em porta ou a fregueses já certos. Pode mudar
a forma de atuação, mas a finalidade é a mesma – a sobrevivência.
Serviços
em alta
A
Sala das Oportunidades, ligada ao Departamento de Desenvolvimento Econômico e
ao Gabinete do Prefeito em São Borja ainda apronta relatório com número.
Garante, contudo, que mais novas empresas estão sendo abertas do que as
que estão sendo suspensas. Outra
constatação é que a área de serviços lidera o ranking, este ano, a exemplo do
que já ocorreu na pandemia.
As
principais unidades produtivas formalizadas são do tipo Microempreendedor
Individual (MEI). E, entre as atividades de serviço, há de tudo – eletricista,
pedreiro, pintor, técnico em informática, cabelereiro, pedicure-manicure e
costureira.
Outro
nicho é a área de gastronomia. Entretanto, este setor já esteve mais aquecido,
na venda de refeições e marmitas, por exemplo. É justamente o segmento em que
mais baixas de empresa têm sido registradas. Uma condições para atuar no ramo é,
antes, realizar curso de boas práticas de manuseio de insumos.
Na
Sala das Oportunidade, saguão da Prefeitura, funciona também um serviço de
microcrédito. É mantido através de parceria da administração municipal com a
Imembui Microfinanças. A finalidade é
financiar, a juros baixos, empréstimos de custeio e investimento a qualquer
pequeno empreendedor, desde que sem dívidas e atividades estável.


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