de muito talento e de criatividade
A produção, em 2021, das estátuas de Getúlio Vargas e de João Goulart, sob encomenda da administração municipal em São Borja, parece ter dado ainda mais visibilidade ao artista criador, tornando-o ainda mais popular e requisitado. Ele é Rossini Rodrigues, 56 anos e que. há 50 pelo menos, vem consolidando o seu talento. Dificilmente alguém passa em frente aos memoriais dos ex-presidentes, onde estão as estátuas, sem registrar uma imagem das belas peças que vê. Agora, também a pedido, é o poeta e compositor Telmo de Lima Freitas que se vê representado na Praça Tricentenário. Observadores arriscam dizer que esta é uma das melhores criações de Rossini. Telmo ao seu acordeom faz ‘acordes’ de boas-vindas a quem chega à cidade e canta para os são-borjenses.
Difícil é dizer quantas grandes obras Rossini Rodrigues já entregou ao
longo da sua trajetória de inspiração e de sucesso. Autodidata, ele nutre-se nas raízes de sua
terra, compondo um conjunto de traços próprios, perfeitos e ao mesmo tempo,
realistas. Nesta saga de originalidade e de talento, o artista plástico retrata
as figuras do seu cotidiano, utilizando-se de matérias-primas as mais diversas
- desde o bronze às resinas até o cimento, à argila e à madeira.
O trabalho do escultor já ultrapassou as
fronteiras do Rio Grande do Sul. O seu nome é destaque em galerias de arte das
mais renomadas, Brasil afora e no exterior.
Não é por acaso que a sua obra tenha sido reconhecida como Patrimônio
Cultural da Unesco, um dos braços da Organização das Nações Unidas.
Perfil que inspira
Rossini é tímido e de poucas
palavras. Em compensação, esbanja
talento. Ele nasceu em São Borja, em 1966, e informa que
já aos seis começara a moldar peças de barro e de madeira como seus brinquedos.
Um aviso
dos seus pendores artísticos. Não
demorou para chamar a atenção. “Um dia, um arquiteto disse que me pagaria um
salário para eu fazer minhas peças e ele vender. Deu certo”, lembra Rossini.
Depois, porém, teve que se virar por
conta.
O artista lembra que ia olhando e fazendo as peças, melhor, as suas obras-primas. “Sou de família humilde e, quando a situação está muito ruim, sou pescador.” Com orgulho, o são-borjense registra ter ficado entre os dez primeiros colocados para representar o Brasil no Prêmio Unesco de Artesanato Popular.
Uma das inspirações vem de longe, desde quando assistia ao ir e vir das ‘chibeiras’ na rotina diária do comércio-formiga entre Santo Tomé e São Borja. Do mesmo modo, a vida no Passo e nas barrancas do rio Uruguai serviram como oficina à sua fervilhante oficina de criações. Rossini diz que encontrou nas formas arredondadas das mulheres ‘chibeiras’ motivação para as suas primeiras esculturas.
Valor
inestimável
Extraoficialmente,
sabe-se que uma obra como a estátua de Getúlio Vargas, João Goulart ou de Telmo
de Lima Freitas custa na ordem de R$ 12 mil. Cada peça artística, porém, tem
valor inestimável. É não é por acaso, portanto, que esteja nas maiores galerias no país ou no
exterior. A Casa de Cultura Mária Quintana, em Porto Alegre, e a de Posadas,
Argentina, são apenas dois exemplos.
Rossini amassa o barro e vai moldando
suas índias, mulheres mestiças, ou reproduzindo o Bolicho de Campanha. Retrata ainda
o churrasco típico da Fronteira e tudo o que vai observando e vivenciando no
seu cotidiano.
O seu ateliê, no centro da cidade,
vem, cada vez mais ganhando demandas.
São ‘encomendas’, que vão desde cabos de
facas e adornos a estátuas de figuras ilustres. Além, é clero, das sempre
inspiradas obras produzidas por iniciativa do artista.
Vertente missioneira
Outra vertente de criação é a herança
cultural dos Povos Missioneiros. Imagens
de santos e peças que materializaram a
trajetória de São Borja como redução jesuítico-guarani igualmente enriquecem o
seu acervo.
O meio acadêmico também tem se
ocupado em estudar e a difundir a obra de Rossini Rodrigues. Em São Borja, em
2013, por exemplo, a Universidade Federal do Pampa promoveu exposição para
mostrar a produção do artista ligada ao legado missioneiro. Estudos têm sido
feitos no mesmo sentido, para mostrar um criador além do seu tempo, retratando
o seu cotidiano.
A
produção, porém, é plural, na sua
capacidade criativa. Daí então que das suas mães ‘nascem’ índios guaranis,
santos missioneiros, peões campeiros, tropeiros, presépios, lavadeiras,
bolichos e mais o que existe na rotina da vida fronteiriça.






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