sexta-feira, 22 de abril de 2022

ARTE & CULTURA


 Rossini Rpdrigues, uma trajetória

de muito talento e de criatividade


Estátuas em frente aos museus, de Getúlio....  


A produção, em 2021,  das estátuas de Getúlio Vargas e de João Goulart, sob encomenda da administração municipal em São Borja, parece ter dado ainda mais visibilidade  ao artista criador, tornando-o ainda mais popular e requisitado.  Ele é Rossini Rodrigues, 56 anos e que. há 50 pelo menos, vem consolidando o seu talento. Dificilmente alguém passa em frente aos memoriais dos ex-presidentes, onde estão as estátuas, sem registrar uma imagem das belas peças que vê.  Agora, também a pedido, é o poeta e compositor Telmo de Lima Freitas que se vê representado na Praça Tricentenário. Observadores arriscam dizer que esta é uma das melhores criações de Rossini. Telmo ao seu acordeom faz ‘acordes’ de  boas-vindas a quem chega à cidade e canta para os são-borjenses.

  Difícil é dizer quantas grandes obras Rossini Rodrigues já entregou ao longo da sua trajetória de inspiração e de sucesso.   Autodidata, ele nutre-se nas raízes de sua terra, compondo um conjunto de traços próprios, perfeitos e ao mesmo tempo, realistas. Nesta saga de originalidade e de talento, o artista plástico retrata as figuras do seu cotidiano, utilizando-se de matérias-primas as mais diversas -  desde o bronze às  resinas até o cimento, à argila e à madeira.


... e Jango, dão ainda maior visibilidade.

 O trabalho do escultor já ultrapassou as fronteiras do Rio Grande do Sul. O seu nome é destaque em galerias de arte das mais renomadas, Brasil afora e no exterior.  Não é por acaso que a sua obra tenha sido reconhecida como Patrimônio Cultural da Unesco, um dos braços da Organização das Nações Unidas.

 

Perfil que inspira

 

Rossini é tímido e de poucas palavras.  Em compensação, esbanja talento.  Ele  nasceu em São Borja, em 1966, e informa que já aos seis começara a moldar peças de barro e de madeira como seus brinquedos. Um  aviso  dos seus pendores artísticos.  Não demorou para chamar a atenção. “Um dia, um arquiteto disse que me pagaria um salário para eu fazer minhas peças e ele vender. Deu certo”, lembra Rossini. Depois, porém, teve  que se virar por conta.



Das mãos do artista, 'nascem' os personagens da Fronteira.


O artista lembra que ia  olhando e fazendo as peças, melhor, as suas obras-primas. “Sou de família humilde e, quando a situação está muito ruim, sou pescador.” Com orgulho, o são-borjense registra ter ficado entre os dez primeiros colocados para representar o Brasil no Prêmio Unesco de Artesanato Popular.

Uma das inspirações vem de longe,  desde quando assistia ao ir e vir das ‘chibeiras’ na rotina diária do comércio-formiga entre Santo Tomé e São Borja.  Do mesmo modo, a vida no Passo e nas barrancas do rio Uruguai serviram como oficina à sua fervilhante oficina de criações. Rossini diz que encontrou nas formas arredondadas das mulheres ‘chibeiras’ motivação para as suas primeiras esculturas.

 

Valor inestimável

 


Religiosidade é presença constante na obra de Rossini.

Extraoficialmente, sabe-se que uma obra como a estátua de Getúlio Vargas, João Goulart ou de Telmo de Lima Freitas custa na ordem de R$ 12 mil. Cada peça artística, porém, tem valor inestimável. É não é por acaso, portanto, que  esteja nas maiores galerias no país ou no exterior. A Casa de Cultura Mária Quintana, em Porto Alegre, e a de Posadas, Argentina, são apenas dois exemplos.

Rossini amassa o barro e vai moldando suas índias, mulheres mestiças, ou reproduzindo o Bolicho de Campanha. Retrata ainda o churrasco típico da Fronteira e tudo o que vai observando e vivenciando no seu cotidiano.

O seu ateliê, no centro da cidade, vem, cada vez mais  ganhando demandas. São ‘encomendas’, que vão desde  cabos de facas e adornos a estátuas de figuras ilustres. Além, é clero, das sempre inspiradas obras produzidas por iniciativa do artista.

 

Vertente missioneira

 


Criador e criatura povoam a arte do cotidiano.

Outra vertente de criação é a herança cultural dos Povos Missioneiros.  Imagens de santos e  peças que materializaram a trajetória de São Borja como redução jesuítico-guarani igualmente enriquecem o seu acervo.

O meio acadêmico também tem se ocupado em estudar e a difundir a obra de Rossini Rodrigues. Em São Borja, em 2013, por exemplo, a Universidade Federal do Pampa promoveu exposição para mostrar a produção do artista ligada ao legado missioneiro. Estudos têm sido feitos no mesmo sentido, para mostrar um criador além do seu tempo, retratando o seu cotidiano.



Engenho criativo ganha reconhecimento da Unesco.

A produção, porém, é plural, na  sua capacidade criativa. Daí então que das suas mães ‘nascem’ índios guaranis, santos missioneiros, peões campeiros, tropeiros, presépios, lavadeiras, bolichos e mais o que existe na rotina da vida fronteiriça.

 

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