quarta-feira, 27 de abril de 2022

EM SÃO BORJA

 

Quebra na safra de arroz vai

a 30% e impõe reinvenções

Produção cai 20%; depreciação do grão maais 10%


Déficit hídrico histórico comprometeu iirigação
das barragens, que atendem 58% da demanda 

São Borja regista no atual ciclo orizícola 2021/22 uma lavoura cultivada de 35.635 hectares de arroz, Contudo, a área  efetivamente produtiva e colhida é de 32.072 hectares, segundo levantamento do Irga (Instituto Rio-Grandense do Arroz). Cerca de 2% ainda faltam ser colhidos. A expectativa é de finalizar a safra neste mês ou no início de maio.

Números como estes, porém, não traduzem  os impactantes prejuízos acarretados à cultura  pelas adversidades climáticas. A longa e severa ausência de chuvas, associada a calorões extremos,  secou os mananciais hídricos das barragens, responsáveis por 58% do sistema de irrigação no município. Com isso,  10% da lavoura teve de ser abandonada  e o restante produziu bem menos que o esperado.

Na safra 2020/21 São Borja produziu 6.835.580 sacos de arroz. Já  na safra 2021/22 os dados, até aqui, indicam  produção de 5.475.973 sacos do grão. Isso significa   1.359.607 sacos a menos, algo como uma redução de 20%.

Portela: futuro da lavoura dependerá
de ações de integração e de reinvenções.

Ao apresentar esses números, o técnico orizícola  Roger Portela de Santis, diretor técnico para o Irga  no município, ressalta que “outro fator importante a ressaltar é a qualidade do grão, que foi bastante  prejudicada.”  A depreciação de qualidade e valoração comercial seria de 10% pelo menos.  Com contexto, com isso, as perdas vão a 30%,

 

Outro parâmetro

 

Uma projeção de rendimento, considerando a área efetivamente colhida,, mostra  uma produtividade de 8.537 quilos por hectares ou 297,5 sacos por quadra.  A óbvia conclusão é que, com água garantida, também existe certeza de produção.

Comparando a produtividades atual à do ciclo anterior,  na safra 2020/21 houve produtividade de 9.256 quilos por hectare ou 322,6 sacos por quadra.Pela projeção atual, de 8.537 quilos  por hectare  ou 297,5 sacos por quadra, a redução de rendimento é de aproximadamente  8%.

 




Com água garantida, cultura produziu, mas

a seca determinou abandono de 10% da área.

Outro gargalo

 

O mercado é novamente um dos  grandes gargalos aos orizicultores gaúchos e em São Borja. Na segunda-feira (25) a cotação de uma saca de arroz em casca, de 50 quilos, no município era de R$ 68.   O valor não remunera a atividade, segundo advertem os analistas.

Um dos motivos é que o custo de produção de um hectare de arroz esteve em R$ 15 mil na safra atual. Os insumos aumentaram 25%, em média, em relação à safra anterior.  Considerando esse custo de produção e o valor pago ao produtor, seria necessário produzir 11.030 quilos de arroz só para bancar os custos.

 

Na incerteza

 


Manejos sustentáveis e diversificação - binômio
que passa a sinalizar futuro da produção agrícola.


Não é de hoje que o cenário em torno do arroz vem se arruinando; O  ciclo atual, entretanto, está sendo emblematicamente dramático e sinalizando para um horizonte de incertezas.  “É  possível visualizar um cenário ainda mais complicado e preocupante para a lavoura de arroz de São Borja, já na implantação da próxima safra”,  adverte Roger Portela.

O extensionista rural estima uma alta no custo de produção que pode ultrapassar os 30% em relação  à anterior. Destaca principalmente o preço dos fertilizantes, dos produtos químicos, da energia elétrica e do óleo diesel. “Isso inviabiliza recuperar as perdas acumuladas até aqui, ainda mais quando a cotação do arroz  está em queda,” diz.

 

 

Elevação de custos, cotações insuficiente e 
irrigação  ameaçada projetam cenário incerto.

Na prática, a cultura orizícola tende a encolher um pouco mais. “Na minha opinião, cada vez mais nossas áreas de várzea serão ocupadas por outras culturas como soja, milho trigo e sistemas de integração lavoura-pecuária, buscando romper com a monocultura.” Ele vê   futuro na diversificação “como ferramenta-chave na implantação de sistemas produtivos.” A rotação de culturas agregará à lavoura de arroz novas alternativas  de renda, controles biológicos e rotação de princípios ativos de herbicidas que favorecerão o controle das principais plantas daninhas da cultura. Esse novo nicho  possibilitará a busca por rentabilidade e sustentabilidade nas propriedades rurais. A produção de arroz ainda demandará de gestão profissional da atividade, abandonando o modelo de propriedade rural para uma empresa rural. Isso levará ao planejamento de atividades, ao gerenciamento de custos e de  investimentos de capital como a base de tudo.

 

Agronegócio pujante

 

Apesar dos baques pontuais como este no arroz no Rio Grande  do Sul, sinalizando a necessidade de reinvenção, o agronegócio  segue pujante, se considerado o universo brasileiro. Juntamente com os investimentos imobiliários, foi o agronegócio o sustentáculo da economia, mesmo na paralisia trazida pela covid. Provas disso, são as grandes  feiras de máquinas e agrícolas e de inovações tecnológicas  no setor agropecuário.


No retorno, quase o dobro no
montante de negócios de máquinas.

A recente edição da Expodireto este ano, em Não-Me-Toque (RS), faturou impressionantes R$ 4,9 bilhões em negócios. Isso é quase o dobro do faturamento de R$ 2,6 bilhões da feira presencial anterior, há dois anos. Foram mais de 250 mil visitantes. Já a Agrishow, que ocorre desde segunda e até sexta-feira em Ribeirão Petri (SP), deve vender pelo menos R$ 2,5 bilhões. As duas vitrines esbanjam novidades.

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