Quebra na safra de arroz vai
a 30% e impõe reinvenções
Produção cai 20%;
depreciação do grão maais 10%
Déficit hídrico histórico comprometeu iirigação
das barragens, que atendem 58% da demanda
São Borja regista no atual ciclo orizícola 2021/22 uma
lavoura cultivada de 35.635 hectares de arroz, Contudo, a área efetivamente produtiva e colhida é de 32.072
hectares, segundo levantamento do Irga (Instituto Rio-Grandense do Arroz). Cerca
de 2% ainda faltam ser colhidos. A expectativa é de finalizar a safra neste mês
ou no início de maio.
Números como estes, porém, não traduzem os impactantes prejuízos acarretados à cultura
pelas adversidades climáticas. A longa e
severa ausência de chuvas, associada a calorões extremos, secou os mananciais hídricos das barragens,
responsáveis por 58% do sistema de irrigação no município. Com isso, 10% da lavoura teve de ser abandonada e o restante produziu bem menos que o esperado.
Na safra 2020/21 São Borja produziu 6.835.580 sacos
de arroz. Já na safra 2021/22 os dados, até
aqui, indicam produção de 5.475.973
sacos do grão. Isso significa 1.359.607 sacos a menos, algo como uma redução
de 20%.
Portela: futuro da lavoura dependerá
de ações de integração e de reinvenções.
Ao apresentar esses números, o técnico orizícola Roger Portela de Santis, diretor técnico para
o Irga no município, ressalta que “outro
fator importante a ressaltar é a qualidade do grão, que foi bastante prejudicada.” A depreciação de qualidade e valoração
comercial seria de 10% pelo menos. Com
contexto, com isso, as perdas vão a 30%,
Outro parâmetro
Uma projeção de rendimento, considerando a área
efetivamente colhida,, mostra uma
produtividade de 8.537 quilos por
hectares ou 297,5 sacos por quadra. A
óbvia conclusão é que, com água garantida, também existe certeza de produção.
Comparando a produtividades atual à do ciclo
anterior, na safra 2020/21 houve produtividade
de 9.256 quilos por hectare ou 322,6 sacos por quadra.Pela projeção atual, de 8.537
quilos por hectare ou 297,5 sacos por quadra, a redução de
rendimento é de aproximadamente 8%.
a seca determinou abandono de 10% da área.
Outro gargalo
O mercado é novamente um dos grandes gargalos aos orizicultores gaúchos e
em São Borja. Na segunda-feira (25) a cotação de uma saca de arroz em casca, de
50 quilos, no município era de R$ 68. O
valor não remunera a atividade, segundo advertem os analistas.
Um dos motivos é que o custo de produção de um
hectare de arroz esteve em R$ 15 mil na safra atual. Os insumos aumentaram 25%,
em média, em relação à safra anterior. Considerando
esse custo de produção e o valor pago ao produtor, seria necessário produzir 11.030
quilos de arroz só para bancar os custos.
Na incerteza
Não é de hoje que o cenário em torno do arroz vem se
arruinando; O ciclo atual, entretanto, está
sendo emblematicamente dramático e sinalizando para um horizonte de incertezas.
“É possível visualizar um cenário ainda mais
complicado e preocupante para a lavoura de arroz de São Borja, já na
implantação da próxima safra”, adverte
Roger Portela.
O extensionista rural estima uma alta no custo de
produção que pode ultrapassar os 30% em relação à anterior. Destaca principalmente o preço dos
fertilizantes, dos produtos químicos, da energia elétrica e do óleo diesel. “Isso
inviabiliza recuperar as perdas acumuladas até aqui, ainda mais quando a
cotação do arroz está em queda,” diz.
Elevação de custos, cotações insuficiente e
irrigação ameaçada projetam cenário incerto.
Na prática, a cultura orizícola tende a encolher um
pouco mais. “Na minha opinião, cada vez mais nossas áreas de várzea serão
ocupadas por outras culturas como soja, milho trigo e sistemas de integração lavoura-pecuária,
buscando romper com a monocultura.” Ele vê
futuro na diversificação “como
ferramenta-chave na implantação de sistemas produtivos.” A rotação de culturas agregará
à lavoura de arroz novas alternativas de
renda, controles biológicos e rotação de princípios ativos de herbicidas que
favorecerão o controle das principais plantas daninhas da cultura. Esse novo
nicho possibilitará a busca por
rentabilidade e sustentabilidade nas propriedades rurais. A produção de arroz
ainda demandará de gestão profissional da atividade, abandonando o modelo de
propriedade rural para uma empresa rural. Isso levará ao planejamento de
atividades, ao gerenciamento de custos e de investimentos de capital como a base de tudo.
Agronegócio pujante
Apesar dos baques pontuais como este no arroz no
Rio Grande do Sul, sinalizando a
necessidade de reinvenção, o agronegócio segue pujante, se considerado o universo
brasileiro. Juntamente com os investimentos imobiliários, foi o agronegócio o
sustentáculo da economia, mesmo na paralisia trazida pela covid. Provas disso,
são as grandes feiras de máquinas e agrícolas
e de inovações tecnológicas no setor agropecuário.
No retorno, quase o dobro no
montante de negócios de máquinas.
A recente edição da Expodireto este ano, em
Não-Me-Toque (RS), faturou impressionantes R$ 4,9 bilhões em negócios. Isso é
quase o dobro do faturamento de R$ 2,6 bilhões da feira presencial anterior, há
dois anos. Foram mais de 250 mil visitantes. Já a Agrishow, que ocorre desde
segunda e até sexta-feira em Ribeirão Petri (SP), deve vender pelo menos R$ 2,5
bilhões. As duas vitrines esbanjam novidades.






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