São Borja lança suas apostas
Berço nativo ou adotivo de expressões
icônicas da literatura e da arte musical gaúcha, São Borja tem também, como
consequência, protagonizado entregas de vanguarda ao Rio Grande do Sul. Uma das marcantes realizações
tem sido a promoção de vários festivais
ou de concursos musicais nas últimas décadas. Um deles está nascendo, como produto agregado
ao status de Capital Gaúcha do Fandango. É o Festival de Música Fandangueira,
que anuncia sua primeira edição para 27 de agosto.
Nada acontece por acaso. Paralelamente
à profusão de festivais, também os poetas e compositores são marca registrada
da cidade fronteiriça. Eles nascem aqui ou elegem São Borja para aqui viverem e
compartilharem suas criações. Apparício
Silva Rillo, Miguel Bicca, Os Angüeras, Caeco Batista, Nívea Mendes, Rodrigo Bauer,
Paulo Caetano, Cesar Lindemeyer, Mano Lima, Matheus Bauer, José Bica, Mário Barbará, José
Barbosa, Eugênio Dutra e Roberto Duran são apenas alguns dos exemplos.
Já a designação estadual, formalizada
em lei, de Capital Gaúcha do Fandango transita na mesma direção. A
administração municipal, sob coordenação executiva da Secretaria de Cultura,
Turismo, Esporte e Lazer, já promove há alguns anos o Dia de Campo – uma grande
festa campeira e fandangueira, antecedendo à Semana Farroupilha. Eis que agora
surge o festival, para tornar o evento mais robusto e diversificado.
Festival Fandangueiro
O 1º Festival de Música Fandangueira
tem, a partir de agora, um mês de preparativos intensos, até que em 27 de
agosto seja realizado no Parque Esportivo General Vargas, na véspera do Dia de
Campo. Nesta edição de estreia, apenas compositores e intérpretes são-borjenses
poderão participar. Músicas inéditas – vaneiras, rancheiras, chamamés, bugios, milongas,
valsas, xotes e outro fandangueiros – podem ser inscritas entre 25 de julho e 5
de agosto. Após as inscrições, virá a fase de triagem para o concurso de palco.
Os resultados do certame sairão também
no dia 27. O trabalho em 1º lugar levará prêmio de R$ 3 mil; o 2º de R$ 2 mil;
e a 3ª colocação terá R$ 1 mil. Ainda serão conferidas premiações acessórias, a
exemplo do Concurso Regional de Músicas para o Carnaval, incluindo a Música
Mais Popular.
A programação no Parcão terá ainda show
da Família Guedes. A organização do festival, contudo, prioriza o quanto possível a participação local. A estratégia, com isso, é garantir apoio aos
compositores e músicos da cidade, diante das dificuldades enfrentadas no atual
período de pandemia.
Ronda de São Pedro
Por seu turno, o Centro Nativista
Boitatá como entidade promotora também
planeja para este ano mais uma edição do seu tradicional Ronda de São Pedro. Será
a 30ª edição do festival, e a expectativa é de que possa acontecer entre o
final de outubro e o início de novembro. A projeção, também, é que mais uma vez
o evento tenha assegurado patrocínio através da Lei de Incentivo à Cultura
(LIC).
O patrão do Boitatá, Flávio Ceolin,
espera que o final de julho ou início de agosto o projeto relativo à realização
do festival seja aprovado por comissão técnica. O Ronda é planejado para
acontecer segundo o formato dos anos anteriores. O orçamento é da ordem de R$
210 mil e a perspectiva é reunir compositores e intérpretes de todo o Sul do
país.
Tradição de décadas
São Borja mantém há décadas, ao mesmo
tempo, eventos musicais que são dos mais longevos no Rio Grande do Sul. Um
deles é o Concurso Regional de Músicas para o Carnaval Apparício Silva Rillo. Há
mais de meio século, sem interrupção, o certame acontece na cidade, ultimamente
no Cais do Porto, às margens do rio Uruguai. É grande festa regional da cultura
e com potencial de expansão a ser trabalhado.
Nascido na mesma época, juntamente com
a Califórnia da Canção de Uruguaiana, o Festival da Barranca é outro exemplo
emblemático da cultura nativista. Os Angüeras, grupo organizador, mantém as
características de origem para o evento. A participação é restrita a convidados,
mas a arte musical produzida depois é compartilhada, viajando da barrancas do
Uruguai pelos caminhos da cultura e da poesia.
Dose única
Além destes monumentos culturais que
permanecem, São Borja teve outras experiências em grandes festivais. Ao
celebrar seus 300 anos de formação histórica, em 1982, a cidade promoção o
evento musical ‘Uma Canção para São Borja’. A mais expressiva manifestação do
nativismo do sul do continente aqui esteve representada.
Na sequência, em edição única, também
ocorreu o festival Clarim, idealizado por Apparício Silva Rillo. Mais
recentemente foi a vez de o CTG Tropilha Crioula promoveu o seu Festival da
Música Crioula. Apesar de evento de apenas uma edição, foram de qualidade e só
confirmando a tradição local em realizar festivais.





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