quinta-feira, 21 de julho de 2022

CULTURA GAÚCHA

 

São Borja lança suas apostas

 em um novo evento musica


Berço nativo ou adotivo de expressões icônicas da literatura e da arte musical gaúcha, São Borja tem também, como consequência, protagonizado entregas de vanguarda  ao Rio Grande do Sul. Uma das marcantes realizações tem sido a promoção  de vários festivais ou de concursos musicais nas últimas décadas.  Um deles está nascendo, como produto agregado ao status de Capital Gaúcha do Fandango. É o Festival de Música Fandangueira, que anuncia sua primeira edição para 27 de agosto.

Nada acontece por acaso. Paralelamente à profusão de festivais, também os poetas e compositores são marca registrada da cidade fronteiriça. Eles nascem aqui ou elegem São Borja para aqui viverem e compartilharem suas criações.  Apparício Silva Rillo, Miguel Bicca, Os Angüeras, Caeco Batista, Nívea Mendes, Rodrigo Bauer, Paulo Caetano, Cesar Lindemeyer, Mano Lima,  Matheus Bauer, José Bica, Mário Barbará, José Barbosa, Eugênio Dutra e Roberto Duran são apenas alguns dos exemplos.



Silva Rillo, criador do Festival da Barranca, 
Concurso de Carnaval, o Clarim e ainda o
festival 'Uma Canção para São Borja'.

Já a designação estadual, formalizada em lei, de Capital Gaúcha do Fandango transita na mesma direção. A administração municipal, sob coordenação executiva da Secretaria de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer, já promove há alguns anos o Dia de Campo – uma grande festa campeira e fandangueira, antecedendo à Semana Farroupilha. Eis que agora surge o festival, para tornar o evento mais robusto e diversificado.

 

Festival Fandangueiro

 

O 1º Festival de Música Fandangueira tem, a partir de agora, um mês de preparativos intensos, até que em 27 de agosto seja realizado no Parque Esportivo General Vargas, na véspera do Dia de Campo. Nesta edição de estreia, apenas compositores e intérpretes são-borjenses poderão participar. Músicas inéditas – vaneiras, rancheiras, chamamés, bugios, milongas, valsas, xotes e outro fandangueiros – podem ser inscritas entre 25 de julho e 5 de agosto. Após as inscrições, virá a fase de triagem para o concurso de palco.

Os resultados do certame sairão também no dia 27. O trabalho em 1º lugar levará prêmio de R$ 3 mil; o 2º de R$ 2 mil; e a 3ª colocação terá R$ 1 mil. Ainda serão conferidas premiações acessórias, a exemplo do Concurso Regional de Músicas para o Carnaval, incluindo a Música Mais Popular.

A programação no Parcão terá ainda show da Família Guedes. A organização do festival, contudo, prioriza  o quanto possível a participação local.  A estratégia, com isso, é garantir apoio aos compositores e músicos da cidade, diante das dificuldades enfrentadas no atual período de pandemia.

 



Festival no Parcão tem como meta repetir
sucesso do Concurso de Músicas de Carnaval.

Ronda de São Pedro

 

Por seu turno, o Centro Nativista Boitatá  como entidade promotora também planeja para este ano mais uma edição do seu tradicional Ronda de São Pedro. Será a 30ª edição do festival, e a expectativa é de que possa acontecer entre o final de outubro e o início de novembro. A projeção, também, é que mais uma vez o evento tenha assegurado patrocínio através da Lei de Incentivo à Cultura (LIC).

O patrão do Boitatá, Flávio Ceolin, espera que o final de julho ou início de agosto o projeto relativo à realização do festival seja aprovado por comissão técnica. O Ronda é planejado para acontecer segundo o formato dos anos anteriores. O orçamento é da ordem de R$ 210 mil e a perspectiva é reunir compositores e intérpretes de todo o Sul do país.

 

No final de outubro ou início de novembro,
Boitatá prevê realizar 30ª Ronda de São Pedro.

Tradição de décadas

 

São Borja mantém há décadas, ao mesmo tempo, eventos musicais que são dos mais longevos no Rio Grande do Sul. Um deles é o Concurso Regional de Músicas para o Carnaval Apparício Silva Rillo. Há mais de meio século, sem interrupção, o certame acontece na cidade, ultimamente no Cais do Porto, às margens do rio Uruguai. É grande festa regional da cultura e com potencial de expansão a ser trabalhado.

Nascido na mesma época, juntamente com a Califórnia da Canção de Uruguaiana, o Festival da Barranca é outro exemplo emblemático da cultura nativista. Os Angüeras, grupo organizador, mantém as características de origem para o evento. A participação é restrita a convidados, mas a arte musical produzida depois é compartilhada, viajando da barrancas do Uruguai pelos caminhos da cultura e da poesia.

 

Dose única

 

Miguel Bica, o ganhado Festival de 
Música Crioula do Tropilha Croula.

Além destes monumentos culturais que permanecem, São Borja teve outras experiências em grandes festivais. Ao celebrar seus 300 anos de formação histórica, em 1982, a cidade promoção o evento musical ‘Uma Canção para São Borja’. A mais expressiva manifestação do nativismo do sul do continente aqui esteve representada.

Na sequência, em edição única, também ocorreu o festival Clarim, idealizado por Apparício Silva Rillo. Mais recentemente foi a vez de o CTG Tropilha Crioula promoveu o seu Festival da Música Crioula. Apesar de evento de apenas uma edição, foram de qualidade e só confirmando a tradição local em realizar festivais.

 

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