Cipoal da demora e da burocracia
enrosca obras e serviços públicos
Colégio Getúlio Vargas, um dos mais antigos e
tradicionais: aulas às escuras. (Foto Tiago Cogo)
A rotina das escolas estaduais em São Borja tem sido simbólica do quanto
este segmento tem enfrentado dificuldades para equacionar problemas acidentais,
mesmo que básicos. Uma das consequências
tem sido prejuízos de toda ordem às suas rotinas, principalmente em relação às
entregas pedagógicas.
Serviços e estruturas deficitários ou avariados normalmente têm de esperar por
‘intermináveis’ períodos, às vezes anos, até que a solução aconteça. Mesmo
recebendo pequenos repasses de verbas de manutenção, o cobertor é sempre curto:
o dinheiro apenas atende às pequenas demandas.
Do mesmo modo, também a Escola
Estadual de Ensino Fundamental João Goulart, bairro Pirahy, enfrentou entraves
semelhantes. Por meses teve que suspender atividades ou trabalhar sem energia
elétrica, depois de um acidente em seu entorno, com comprometimento e riscos no
sistema. À época eram quase 500 estudantes, incluindo Educação de Jovens e
Adultos.
Em período cuerto, duas panes ba rede elétrica na
Escola Apparício Silva Rillo. (Foto Tiago Cogo)
Em todos os exemplos citados existe um aspecto em comum: a burocracia e
longa espera para a confirmação de prestadores de serviços de reparação dos
estragos. Assim tem sido no Estado inteiro e outras esferas do setor público. É
o caso também de novas obras ou reformas com recursos do governo federal.
A necessidade de avaliações técnicas que demandam ‘intermináveis’ processos licitatórios e
dificuldades orçamentárias estão entre os fatores responsáveis pelas longas
esperas.
A imprensa gaúcha tem mostrado outros
recorrentes exemplos desse tipo, Rio Grande do Sul afora. Em Terra de Areia,
região Norte, a única escola de Ensino Médio espera por três anos por obras de
reforma, obrigando alunos e professores a terem aulas em ambientes
improvisados, com desconforto e prejuízos.
Este, porém, é apenas mais um dos exemplos da letargia. Obras iniciadas
e não concluídas em escolas, principalmente de educação infantil são uma
recorrente rotina. Faltam recursos - estaduais ou federais -, empreiteiras
falham, os projetos ficam defasados, os custos orçamentários têm de ser refeitos
e assim por diante
A pandemia da Covid também tem sua parcela de contribuição para o lento
processo em relação a construções e reformas. O Trbunal de Contas do Estado (TCE), em
levantamento recente, indicou que R$ 500 milhões em obras estavam paradas no
RS.
Denira ou desperdício

Tanbém Escola João Goulart, na foto de Tiago Cogo,
teve de suspender ou dar aulas precariamente, sem luz.
Historicamente, temos uma cultura burocrática e de demoras, quando não de desperdícios. Em São Borja, o atual quartel do Corpo de Bombeiros, na área central, levou uma década para ser construído. E a obra só foi finalizada graças à intervenção da administração municipal, com o apoio da comunidade.
Quem não lembra do Berçário Industrial, nas proximidades do Vicentão, e
do Portal Turístico, nos acessos à Ponte da Integração? Foram serviços públicos
funcionaram precariamente por um curto período ou sequer chegaram a ser
ativados. Nos dois casos foram empregados recursos estaduais.
Na ligação entre os vizinhos muncípios de Garruchos e Santo Antônio das
Missões a estrada de chão batido, de 60 quilômetros, receberia asfaltamento. A
ação, contudo, esbarrou na falta de recursos. As obras ficaram somente em
operação de alguma terraplenagem e de drenagem.
No Brasil
Hoje os bombeiros têm moderno quartel na área
central da cidade, mas depois de espera de 10 anos.
Pelo último levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM), o
Brasil tem cerca de sete mil obras
paralisadas, custeadas por verbas federais. São escolas, postos de saúde e
casas populares que não foram concluídas. Financiadas com recursos públicos,
essas obras que não avançaram somariam investimentos na ordem de R$ 9,3
bilhões. O balanço das obras paradas
vais de 2012 a 2021.
Mais da metade dessas obras
paradas está no Nordeste: 52,6%. Jornais como O Estado de S. Paulo e O Globo também fizeram o levantamento. No caso
dos Municípios, a conclusão de obras públicas pode representar novas escolas,
unidades de saúde, pavimentação de estradas, canalização de esgoto e iluminação
pública, podendo elevar substancialmente a provisão de serviços públicos e o
bem-estar social dos seus habitantes. A paralisação, conforme a CNM, significa
"desperdício de recursos públicos e prejuízo para a população".



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