sexta-feira, 29 de julho de 2022

CULTURA SÃO-BORJENSE

 

Publicação resgata trajetória e

contribuição de Bira Fontoura

 

Bira Fontoura, talento de múltiplas artes.

A 20ª Semana Nacional dos Museus, em maio, iniciativa do Instituto Brasileiro do setor, mobilizou a comunidade e deu maior visibilidade aos cinco museus de São Borja administrados pela Prefeitura. Todos eles desenvolveram programações específicas. O Museu Ergológico da Estância, criado pelo grupo Os Angüeras, teve como enfoque  central o resgate da figura humana, da trajetória e da capacidade eclética e criativa de Ubirajara de Oliveira Fontoura, o Bira Fontoura. A iniciativa também resultou em uma exposição e uma revista sintetizando o denso legado do homenageado.



Historografia recorreu ao engenho criativo do artista.

Em 44 páginas, a publicação  – idealizada e editada por Gilmar dos Anjos, atendente no museu -, transita pela multifacetada obra  deixada pelo artista.  Bira nasceu em 25 de fevereiro de 1950 e faleceu em 15 de outubro de 1993, aos 43 anos. Nesse lapso de tempo  couberam talentos como os de pesquisador, historiador, cronista,  chargista, artista plástico (consultor), desenhista e professor. Bico de pena, grafite e carvão materializam seus traços expressivos e singulares. Academicamente,  era licenciado em  História. 

Apesar de sua partida precocemente, a sua obra permanece  como perene ensinamento, adiante do seu  tempo. Na revista produzida está uma bela síntese do que Bira  deixou para as gerações futuras. Por enquanto, são 100 exemplares – uma fonte indispensável de pesquisa e de contato com uma vida repleta  de criação.

 

Trajetória

 


Semana dos Museus: exposição em homenagem.

Bira Fontoura teve uma vida  de muitas atividades concomitantes e  em vários setores. Na Prefeitura de São Borja, atuou como diretor de Urbanismo na Secretaria de Obras; desenhista na Secretaria de Planejamento,  assessor  no Departamento de Assuntos Culturais da Secretaria de Educação e ainda como diretor no Museu Missioneiro, hoje Apparício Silva Rillo. 

Também como contribuição à administração municipal, foi responsável pela reorganização e retomada da Procissão a São João Batista e da Dezena de São Borja. O então prefeito Arneldo Matter protagonizou as iniciativas.

Como professor, desenvolveu atividades em várias escolas estaduais. É o caso das escolas Olavo Bilac, Pindorama (atual Apparício Silva Rillo), Colégio Estadual de São  Borja (CESB) e extinto Ginásio Agrícola Viriato Vargas. Ainda com atividades relacionadas ao magistério e à história, igualmente trabalhou na antiga Delegacia de Educação, hoje 35ª CRE. Uma das tarefas foi organizar programações da Semana Farroupilha.

 

Profusão criativa

 


Tipos regionais, traço marcante em sua obra.

A veia artística foi sempre a principal referência da capacidade de criação e do engenho inventivo. Nessa área, ofereceu relevantes contribuições  aos museus Missioneiro Apparício Silva Rillo e Ergológico da Estância.  Apaixonado por seu bairro, o Maria do Carmo, ajudou a manter a memória do lugar e a  preservar suas memórias. Um dos exemplos diz respeito a  Maria do Carmo, a ‘santa-profana’.  Bira resgatou a história dela e participou diretamente do processo de implantação de jazigo no bairro que leva seu nome. O local é, hoje, motivação de peregrinações religiosas e pagamentos de promessas. 

Em jornais da cidade, principalmente a Folha de São Borja, publicou charges, desenhos, crônicas e pesquisas históricas. Ainda ilustrou para um sem-número de publicações, especialmente de Apparício Silva Rillo.

As ilustrações também materializaram seu talento em capas de livros de diversos autores.  Estão entre elas, obras de Rillo, José Nelson Corrêa, Brasil Fontoura Aquino e Moarci Matheus Sempé.



A história são-borjenses transita pela arte de Bira.

O artista também marcava presença com seu talento no Festival da Barranca, de Os Angüeras. E  não apenas com sua presença física, mas como ilustrador e outras vertentes criativas. Foi ainda autor de decoração para o Carnaval da cidade.  Participou de festivais regionalistas, na Fronteira Oeste e nas Missões. O  fez igualmente em  eventos internacionais, como em Posadas,

Em São Borja, na Feira Municipal do Livro, atuou como apoiador e foi homenageado.  Como escultor também marcou presença em eventos missioneiros, recebendo premiações e honrarias.


A arte pulsando no Museu da Estância.

As contribuições e a relevância da obra de Bira Fontoura são simbolizadas em homenagens. Entre elas, recebeu distinções honrosas  de prefeituras municipais, veículos de imprensa, legislativos municipais e universidades. Ademais, Ubirajara de Oliveira Fontoura é nome de rua em São Borja, depois de aprovação do Legislativo. A via com o nome de Bira fica na região Norte da cidade, entroncamento com a Rua Mancias Alves.

 


Homem típico da Fronteira sempre presente.

Ampliar resgate


Ao produzir a revista sobre Bira Fontoura – com apoio da administração do Museu Ergológico da Estância, da Secretaria Municipal de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer e do Departamento de Comunicação da Prefeitura -, Vilmar dos Anjos espera que a obra seja bem utilizada pela comunidade. “O nosso desejo é que o material sirva de fonte de pesquisa nas escolas e universidades de São Borja”, destaca o editor.


Vilmar dos Anjos, idealizador da exposição e da homenagem,
tem como meta aprofundar resgate sobre a obra de Fontoura.


Vilmar dos Anjos diz que uma das metas é ampliar a publicação, agregando, por exemplo, depoimentos de pessoas na comunidade que conviveram com Bira Fontoura e testemunharam seu talento. Outro desejo é de produzir mais exemplares da revista, “e, quem sabe, lançar numa Feira do Livro.” Os três filhos do homenageado também colaboraram com informações e referências históricas.

Um comentário:

  1. Muito importante o registro bibliografico desse personagem muito importnte para a cultura de São Borja. Conheci Bira Fontoura testunhei alguma coisa de seus múltiplos talentos. Lembro de uma página que ele publicava na Folha de São Borja, nos anos 1970: "Balaio do Bira".

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