Para garantir o voto, primeiro
será preciso
convencer eleitor
Mesmo que mal-faladas por algiuns,
urnas eletrônicas garantirão o pleito.
Pouco mais de dois meses nos separam
das eleições gerais de 2 de outubro no país. A campanha vem de longe, por seus
vários subterfúgios, mas oficialmente agora é que começa para valer, após as
convenções partidárias. Não há nenhuma garantia, mas o desejável é que o
eleitor seja motivado e convencido por propostas concretas e exequíveis, assim
como por condutas éticas e respeitosas,
sem maquiagens e promessas. Do contrário, muita gente não vota ou
desperdiça este exercício.
Por ocasião das eleições presidenciais
no Brasil em 2018, no segundo turno, dos eleitores aptos a votar 20% não compareceram às urnas. Se somada esta abstenção – a maior desde 1998
– aos votos brancos e nulos, 42 milhões de brasileiros optaram por não escolher
nenhum dos candidatos. Esse imenso contingente correspondeu a 28% de todos os eleitores habilitados. O
número, portanto, ecoa como um eloquente
alerta para a nova disputa, este ano.
Desde 2006 a abstenção vem crescendo no
Brasil. Naquele ano, chegou a 16,8% dos eleitores, e foi gradativamente
aumentando. Em 2014, nas eleições presidenciais, atingiu a 19,4%. É nas maiores cidades do país que os números
são mais expressivos, passando de 17,2%
para 21,6% no período entre 2006 e 2018.
Em São Paulo, principal colégio
eleitoral, a ausência às urnas foi de 19,5
para 21,5%. Isso significa que mais de 7 milhões de eleitores não votaram. É
quase todo o eleitorado gaúcho. Nas
eleições para o Senado a debandada é ainda maior.
Por que o desencanto?
Eleitor questiona e quer soluções.
Que Brasil, afinal, sairá do pleito?
Estudos técnicos mostram que alguns fatores
explicam o crescimento do que muitos chamam de alienação eleitoral. O baixo nível educacional é uma das razões principais para o não comparecimento às urnas. Eleitores com
educação superior participam até três vezes mais do que os de baixa
escolaridade.
Os jovens até os 24 anos são os
eleitores que acumulam maiores índices de não comparecimento para votar. Os eleitores de 16 e 17 anos chegaram ao menor patamar em três décadas.
Em resposta a esta conjuntura, o Tribunal
Superior Eleitoral (TSE) desenvolveu campanhas de alistamento dos jovens. Com apoio
de artistas e de outros influenciadores, a corte eleitoral conseguiu ampliar, no início
do ano, o grupo dos jovens votantes. O
número, porém, já foi bem maior.
Os eleitores são vistos como desmotivados,
desencantados. Apesar disso, mesmo assim com suas atitudes eles verbalizam o
desejo de campanhas mais propositivas, com menos hostilidade e com a garantia
de que seus pleitos possam ser atendidos.
Desafio aos candidatos
ncer legião de eleitores que os reprova.
Líderes nas pesquisas, Lula e Bolsonaro têm
Apesar do alegado desinteresse e
alienação do eleitor, é certo que os candidatos estão sendo desafiados a
‘mostrar serviço.’ Líderes nas pesquisas
de intenções de voto, Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro têm pela
frente o desafio de motivar e convencer. Recente pesquisa mostra que 28% dos eleitores
disseram que não votariam em nenhum dos
dois. Portanto, reverter este quadro
implica em apresentar propostas consistentes. É a palavra de ordem.
Isso não serve de consolo, mas na América
Latina temos um outro dado revelador. Em recente eleição na Colômbia, com voto
facultativo, foi registrado 45% de
ausência às urnas. Outra constatação é
que o eleitor é pragmático: muda com facilidade da direita para a esquerda e vice-versa.
O professor e jornalista Leandro
Comassetto, diretor do curso de Jornalismo na Unipampa em São Borja, tem
posição firmada a respeito. “Se determinado candidato eleito não entrega ações prometidas
à sociedade, o eleitorado troca o escolhido no pleito seguinte”, diz ele. Isso explicaria as migrações frequentes que
vêm sendo registradas no campo ideológico.
Baixa
renovação
O economista e advogado Bruno Carazza, autor de "Dinheiro, Eleições
e Poder", falando à GZH, disse que "a tendência é de que os velhos
métodos da política estejam de volta." Ele observa que, depois de uma
grande renovação no Congresso no pleito passado, agora serão bem menores as
mudanças. Isto por que antigos líderes políticos retomaram seus espaços e vão
permanecer.
O especialista diz que essa nova e
atual correlação de forças uniu parlamentares, governantes e grandes
empresários. Os muitos recursos dos fundos partidário e eleitoral turbinaram o
poder de fogo e permanência desses antigos líderes políticos. Assim, o Palácio
do Planalto, já diretamente dependente do Congresso continuará a reboque dos
parlamentares, prevê Corazza.




A lógica de um sistema pendular quando o assunto é eleitor, não se verificará nestas eleições. Os 57 milhões de brasileiros que apostaram em Bolsonaro vão confirmar sua escolha,
ResponderExcluir... basta ver a quantidade de apoiadores que vão às ruas aplaudir o presidente. Por outro lado, Lula, a despeito das pesquisas, não consegue arrebanhar militantes como antigamente, muitos envergonhados com o seu passado recente. Mas, com certeza, será uma corrida interessante corrida entre duas propostas completamente antagônicas.
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