Os desafios do futuro governo
para enfrentar a fome no país
Em
seu plano de governo, na campanha e falando após vitória nas urnas, o
presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva sempre ressaltou que enfrentar e diminuir o
tamanho da pobreza no Brasil será sua maior prioridade. Nesse contexto, tentar eliminar
a fome será a principal ação. A estimativa é de que hoje 33 milhões de pessoas
não tenham o suficiente para a alimentação adequada.
Uma
das metas para atender à demanda é estimular a cadeia produtiva dos pequenos e médios agricultores, que produzem
boa parte do que chega à mesa dos brasileiros. “Nós perdemos recursos orçamentários em
diversas áreas”, diz o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na
Agricultura (Contag), Aristides Veras dos Santos.
Um
dos programas que teve queda de recursos foi o Alimenta Brasil, criado em 2021
pelo governo Bolsonaro, substituindo ao Programa de Aquisição de Alimentos
(PAA), de 2003, no 1º mandato de Lula. Essa política pública prevê a compra de alimentos produzidos pela agricultura familiar
para doação a pessoas em situação de insegurança alimentar,
escolas, hospitais e outras instituições.
A maior transferência de recursos para o programa ocorreu em
2012 - R$ 1 bilhão. Os valores foram diminuindo.
A
partir de 2016, foram direcionados R$
609,3 milhões ao PAA. Em 2021, foram R$ 135,2 milhões. E em 2022 são 240,8
milhões para o programa. Já para 2023 a previsão orçamentária enviada ao
Congresso é de R$ 2,6 milhões.
O
presidente da Contag acha que o programa deveria ter, no mínimo, R$ 1 bilhão. A
Confederação tem dialogado com o
Congresso para tentar obter alguma recomposição já para 2023. O
presidente defende a volta do PPA.
Apesar
do orçamento apertado, propor um aumento de recursos não deve ser um grande
problema, segundo avalia o professor da Universidade Federal do Rio Grande do
Sul (UFRGS) Paulo Nierdele, especialista em sistemas alimentares e
desenvolvimento rural.
“O
PPA não é um programa caro. O orçamento dele sempre foi, aliás, muito acanhado.
Então, eu acredito que não é neste programa onde o governo vai encontrar
grandes problemas”, diz.
Fortalecimento
Fortalecer a agricultura familiar não se
restringe a uma questão orçamentária, destaca Paulo
Petersen, especialista em políticas públicas de produção de alimentos e membro
da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA). O principalmente mudou foi a redução da diversidade dos alimentos adquiridos.
Até
2014, o governo organizava as compras de acordo com o que os agricultores
familiares disponibilizavam insumos, mas agora o governo é que diz o que deve ser
entregue. Isso acaba impondo uma
produção seletiva.
Os
estoques públicos de alimentos já existem no Brasil, mas foram esvaziados nos
últimos anos. Em seu plano de
governo, Lula destacou que a retomada dessas reservas será um dos pilares do
combate à inflação dos alimentos dos brasileiros. A ideia dessa política é que
o governo compre alimentos dos agricultores para depois vender ao comércio,
incentivando o aumento da oferta e levando à queda de preços.
Um
outro desafio imediato do novo governo será melhorar a imagem do agronegócio brasileiro no exterior,
com base na sustentabilidade.
No
Parlamento Europeu, por exemplo, tramita um projeto de lei
que prevê a proibição da compra de produtos de áreas desmatadas, a partir de
2025. O texto final deve ser aprovado no final deste ano.
Insegurança alimentar
A estratégia para aliviar a
insegurança alimentar grave de 33 milhões de brasileiros, entre os eles 1,6
milhão de gaúchos, deverá contar com a retomada da articulação com a sociedade
civil e o retorno do Bolsa Família no lugar do Auxílio Brasil, assim como do Programa de Aquisição de Alimentos e o do
programa de alimentação escolar. No
país, 15 milhões de pessoas enfrentam
insegurança alimentar grave, 14% desse contingente no RS.
Os números no país e no Estado
foram apurados pelo Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar, elaborado
pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar (Rede
Penssan). A entidade entrevistou pessoas em 12,7 mil domicílios entre 2021 e
2022.. (Fontes: portais g1 e GZH)

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