O imenso desafio para
fazer o Brasil de todos
Na
noite de domingo (30), depois de ter sido consagrado pelas urnas como próximo presidente
da República, Lula fez questão de manifestar alguns dos seus compromissos com a
nação brasileira. Um deles é uma luta sem tréguas no combate à fome. Outro é
igualar as oportunidades, fazendo um governo por todos e para todos, tendo como pilar e
propósito pacificar uma nação dividida. “Não podem existir dois brasis”, ressaltou.
Na
sua manifestação, Lula partilhou seus desejos e compromissos com a sociedade brasileira. Cumprir
as metas, porém, não será tarefa fácil na atual conjuntura. Não bastou uma
eleição limpa e uma votação consagradora de mais de 60 milhões de compatriotas ao
candidato. Parece ter sido insuficiente jogar e ganhar o jogo “dentro das
quatro linhas”, como costuma dizer o presidente atual, Jair Bolsonaro. Setores
não aceitam o resultado da partida, ainda que arbitrada pelo bom senso e
vencendo regras adversas, antes nunca vistas. Difícil é entender essa lógica, a
lógica de quem parece não sabe perder. Difícil é sonhar com uma nação de irmãos,
quando o ódio, a divisão de ideias e as discórdias são sentimentos, argumentos
e palavras de ordem.
Mesmo
o atual presidente, depois de um longo silêncio, acatou a voz das urnas,
confirmou a transição e desautorizou cercear liberdades. Mesmo assim, nas ruas e
principalmente nas estradas, manifestantes seguem vociferando seu desencanto e,
através do impedimento do ir e vir, velando um luto do sonho irrealizado. Também
isto faz parte do processo democrático, não fosse o alto preço a ser pago por
uma nação inteira e combalida, que nem bem saiu de uma retração econômica e de
uma pandemia históricas.
Especialistas
advertem que os prejuízos, agora, têm maior magnitude do que os protestos de
caminhoneiros em 2018. Naquele evento,
de dez dias, calcula-se que a perda diária foi de R$ 1,8 bilhão. Pois, desta
vez estima-se um cenário ainda mais caótico. Estados do Sul, Sudoeste e
Centro-Oeste registram desabastecimento de 70% nos supermercados, com destaque
para carmes e hortifrutigranjeiros. Mas o colapso também secou as bombas de
combustíveis, impediu milhares pessoas de viajar e colocou vidas em risco, com
a falta de remédios e insumos
hospitalares, desde os essenciais como soro ou oxigênio. O efeito devastador,
portanto, é bem mais impactante do que da época do ‘fique em casa’ na pandemia,
até porque a crise sanitária diminuiu a produção, os estoques e a capacidade de
reposição dos insumos.
Muito
a propósito, o prefeito Eduardo Bonotto dirigiu exortação aos são-borjenses,
clamando pelo bom senso e a razão. Invocou que o espírito de fraternidade se
sobreponha à desunião e ao confronto. “Precisamos saber perder, ganhando depois, como já dei exemplo”,
disse o prefeito. É oportuno lembrar, nesse sentido, que o lado que se revela
inconformado fez também excelente desempenho nas urnas. Terá, por consequência,
muitos governadores, senadores e deputados, e deles o futuro presidente não
poderá prescindir parcerias. Nesse modelo, com efeito, está calcado nosso sistema
presidencialista.
É
hora, pois, de serenar os ânimos. Não é de hoje que a polarização tomou conta
do Brasil. Infelizmente, não há sinais evidentes de que esse quadro mudo de
imediato. Mas para qualquer cidadão de visão desapaixonada fica evidente que sem a convergência e a
empatia dos que se opõem, o Brasil não
será uma nação pacificada, solidária e protagonista dos próprios destinos. Que
o futuro presidente e seus sucessores tenham sorte e capacidade de construir a
unidade da concórdia e do futuro que todos merecemos.

O que os torcedores do Vasco fizeram no último dia 27, no estádio São Januário, ao entoarem a vaia “Lula ladrão, seu lugar é na prisão”, projeta um 2023 decisivo para as pretensões do presidente eleito, que se depara com uma realidade muito aquém da que imaginava. Poderá ser aí o seu calcanhar de Aquiles perigoso. As ruas não recuam e não dão mostras de perdão como fez o STF. A memória é muito recente. O Sistema já começa a dar sinais de cansaço.
ResponderExcluirQue Deus salve a democracia. E o Brasil.