sexta-feira, 4 de novembro de 2022

DEMOCRACIA EM CONSTRUÇÃO

O imenso desafio para

fazer o Brasil de todos

 




Na noite de domingo (30), depois de ter sido consagrado pelas urnas como próximo presidente da República, Lula fez questão de manifestar alguns dos seus compromissos com a nação brasileira. Um deles é uma luta sem tréguas no combate à fome. Outro é igualar as oportunidades, fazendo um governo  por todos e para todos, tendo como pilar e propósito pacificar uma nação dividida.  “Não podem existir dois brasis”, ressaltou.  

Na sua manifestação, Lula partilhou seus desejos e compromissos com a  sociedade brasileira.   Cumprir as metas, porém, não será tarefa fácil na atual conjuntura. Não bastou uma eleição limpa e uma votação consagradora de mais de 60 milhões de compatriotas ao candidato. Parece ter sido insuficiente jogar e ganhar o jogo “dentro das quatro linhas”, como costuma dizer o presidente atual, Jair Bolsonaro. Setores não aceitam o resultado da partida, ainda que arbitrada pelo bom senso e vencendo regras adversas, antes nunca vistas. Difícil é entender essa lógica, a lógica de quem parece não sabe perder. Difícil é sonhar com uma nação de irmãos, quando o ódio, a divisão de ideias e as discórdias são sentimentos, argumentos e  palavras de ordem.

Mesmo o atual presidente, depois de um longo silêncio, acatou a voz das urnas, confirmou a transição e desautorizou cercear liberdades. Mesmo assim, nas ruas e principalmente nas estradas, manifestantes seguem vociferando seu desencanto e, através do impedimento do ir e vir, velando um luto do sonho irrealizado. Também isto faz parte do processo democrático, não fosse o alto preço a ser pago por uma nação inteira e combalida, que nem bem saiu de uma retração econômica e de uma pandemia históricas.

Especialistas advertem que os prejuízos, agora, têm maior magnitude do que os protestos de caminhoneiros em  2018. Naquele evento, de dez dias, calcula-se que a perda diária foi de R$ 1,8 bilhão. Pois, desta vez estima-se um cenário ainda mais caótico. Estados do Sul, Sudoeste e Centro-Oeste registram desabastecimento de 70% nos supermercados, com destaque para carmes e hortifrutigranjeiros. Mas o colapso também secou as bombas de combustíveis, impediu milhares pessoas de viajar e colocou vidas em risco, com a falta de  remédios e insumos hospitalares, desde os essenciais como soro ou oxigênio. O efeito devastador, portanto, é bem mais impactante do que da época do ‘fique em casa’ na pandemia, até porque a crise sanitária diminuiu a produção, os estoques e a capacidade de reposição dos insumos.

Muito a propósito, o prefeito Eduardo Bonotto dirigiu exortação aos são-borjenses, clamando pelo bom senso e a razão. Invocou que o espírito de fraternidade se sobreponha à desunião e ao confronto.  “Precisamos saber  perder, ganhando depois, como já dei exemplo”, disse o prefeito. É oportuno lembrar, nesse sentido, que o lado que se revela inconformado fez também excelente desempenho nas urnas. Terá, por consequência, muitos governadores, senadores e deputados, e deles o futuro presidente não poderá prescindir parcerias. Nesse  modelo, com efeito, está calcado nosso sistema presidencialista.

É hora, pois, de serenar os ânimos. Não é de hoje que a polarização tomou conta do Brasil. Infelizmente, não há sinais evidentes de que esse quadro mudo de imediato. Mas para qualquer cidadão de visão desapaixonada  fica evidente que sem a convergência e a empatia dos que se opõem, o Brasil  não será uma nação pacificada, solidária e protagonista dos próprios destinos. Que o futuro presidente e seus sucessores tenham sorte e capacidade de construir a unidade da concórdia e do futuro que todos merecemos.


Um comentário:

  1. O que os torcedores do Vasco fizeram no último dia 27, no estádio São Januário, ao entoarem a vaia “Lula ladrão, seu lugar é na prisão”, projeta um 2023 decisivo para as pretensões do presidente eleito, que se depara com uma realidade muito aquém da que imaginava. Poderá ser aí o seu calcanhar de Aquiles perigoso. As ruas não recuam e não dão mostras de perdão como fez o STF. A memória é muito recente. O Sistema já começa a dar sinais de cansaço.
    Que Deus salve a democracia. E o Brasil.

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