Plano, mais
uma vez, é o de
fazer a Reforma
Tributária

Simplificar burocracia e reduzir tributos,
metas que, há tempos, desafiam governos.
cada novo governo no país, renovam-se planos e expectativas pela realização de reformas que, há décadas, esperam por implementação. De fato, a ‘lua-de-mel’ e o capital político acumulado com a vitória nas urnas justificam pretender a realização de reformas pendentes. E são muitas – Tributária, Fiscal, Administrativa, Eleitoral, Educacional e assim por diante. Com posse prevista para janeiro, o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva quer emplacar, em 2023, pelo menos a Reforma Tributária, associada a ajustes fiscais.
São matérias que, para aprovação, demandam de
Propostas de Emendas Constitucionais
(PECs). Aliás, no Congresso Nacional já tramitam duas PECs – as de número 45 e
110. O economista e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Gabriel
Quintanilha, avalia que a de número 110 é a melhor e já tem aprovação em uma das Casas do Congresso. “Como
é preciso quórum qualificado, é indispensável haver um amplo apoio político
favorável, sempre mais provável em início de governo”, diz.
A ideia da reforma é a mesma que está na cabeça da
maioria dos brasileiros: diminuir o cipoal da burocracia que onera o custo
Brasil e instituir menos impostos. A ideia é que, finalmente, vários tributos
possam ser agregados em apenas um, surgindo daí o IVA (Imposto de Valor
Agregado). Outra demanda nacional é
simplificar e agilizar a papelada para abrir ou fechar um pequeno ou grande
negócio.
Num país continental como o Brasil, cada estado tem
políticas próprias de tributação e, portanto, alíquotas diferentes. Na prática,
uma unidade da Federação concorre com a outra, quando deveria se unir. Resolver
isso não é fácil, mas, sem dúvidas, é indispensável.
Na recente campanha a presidente, os candidatos prometeram
aumentar a faixa de isenção do Imposto de Renda, já que o patamar está congelado
há sete anos. Lula reafirma a intenção de implementar essa ação fiscal. Hoje
quem ganha um pouco mais de R$ 1,9 mil já paga imposto. A intenção é isentar
ganhos de até quatro salários mínimos – um pouco mais de R$ 5 mil.
Discute-se também tributar grandes fortunas, mas
Gabriel Quintanilha acha que, “diante de tantas matérias complexas é preciso, primeiro, firmar
consenso e garantir apoio político para depois garantir aprovação.” O
economista da FGV chama a atenção para outro dado relevante: “Os resultados
efetivos de uma Reforma Tributária somente serão de fato sentidos somente uns
dez anos após a aprovação.”
As entregas
Brasil é um dos países que pouco entregam
serviços e investimentos do que arrecada.
Não é de hoje que o Brasil está entre os países que mais cobram impostos e menos devolvem em serviços essa arrecadação à população. Isso significa que faltam ações em áreas essenciais como saúde, educação, segurança e saneamento, sem falar em investimentos. E isso que, na prática, trabalha-se mais de cinco meses por anos só para pagar tributos.
Um estudo do Instituto Brasileiro de Planejamento
Tributário (IBPT) mostra que, dentre 30 países pesquisados, o Brasil é o que
oferece o pior retorno em benefícios à população em relação aos valores
arrecadados por meio dos impostos. Foram
avaliados os países
com as maiores cargas tributários do mundo, relacionando estes dados ao Produto
Interno Bruto (PIB) e ao Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de cada nação.
O resultado é expresso no Índice de Retorno de Bem Estar à Sociedade (IRBES).
No Brasil, a carga tributária equivale a
cerca de 36% do PIB. Já o IRBES do país é apurado em 135,83 pontos, o pior no
grupo das 30 economias pesquisadas. Itália, Bélgica e Hungria apareceram a
seguir. Já nações como Grécia, Uruguai e
Argentina estão à frente do Brasil no que se refere ao retorno à população dos
impostos arrecadados.
O melhor resultado é o da Austrália, que tem uma
carga tributária de 25,90% do PIB, com um índice de retorno de 164,18 pontos. Países
como Dinamarca, Noruega e Finlândia, conhecidos por oferecer serviços de alta
qualidade a suas populações, entram na lista dos piores retornos por causa da
elevada carga tributária. “O que puxa o índice é a carga de impostos. Dinamarca
e Suécia arrecadam muito e, mesmo assim, não estão entre os primeiros quando se
trata do IDH”, explica João Eloi Olenike, presidente do IBPT.
A Austrália tem uma carga tributária de 25,90% do
PIB, quase metade da dinamarquesa (44,06% do PIB). O IDH australiano, entretanto,
é de 0,929, enquanto que o da Dinamarca é de 0,895. “Países que oferecem
melhores retornos à população, como no caso da Austrália, conseguem manter um
IDH elevado com menos recursos do que, por exemplo, a Dinamarca e a Noruega”,
diz Olenike.

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