sexta-feira, 25 de novembro de 2022

PROBLEMA OU SOLUÇÃO?


No seu atual formato,  o capitalismo  dá

conta das demandas das desigualdades?

 

Ampliar lucros e meios de produção
estão entre as metas do sistema capitalista.

O capitalismo – sistema socioeconômico e político hoje prevalente no mundo –  tem a geração de lucro e o acúmulo de capitais e de meios de produção como suas principais finalidades. As origens estão na fase final da Idade Média (em processo gradual a partir do século 14).  Ao longo de toda a trajetória,  registram-se diversas etapas e características distintas. Para uma corrente de pensadores, o capitalismo é o melhor modelo já experimentado; para outros é a força motriz das injustiças e das desigualdades.  Depois de, na última semana, termos abordado sobre comunismo e socialismo, agora o fazemos em relação ao sistema capitalista.

O surgimento do capitalismo, ao fim do período medieval, está diretamente associado ao feudalismo, existente na época. Com liberdade plena dada pela Igreja Católica, grandes proprietários de terra – os senhores feudais -  eram a classe mais poderosa. Sob o seu controle estava a maioria da população, os vassalos, que trabalhavam para seus senhores, recebendo como compensação um pedaço de terras, de onde tiravam os meios de subsistência.

Gradativamente, esse sistema foi permitindo surgirem as primeiras cidades. Com elas, registram-se, de maneira incipiente, as primeiras atividades comerciais. Ainda sem a utilização de moedas como hoje, os ‘negócios’ se davam na base da  troca entre os  produtos disponíveis, o chamado escambo.

A partir dos séculos 15 e 16 esse contexto começou a incrementar as atividades econômico-comerciais. Um fator determinante foi o das Grandes Navegações, sob a liderança de Portugal e Espanha, os primeiros Estados nacionais europeus. O destino para as ações de intercâmbio comercial foi especialmente  a Ásia e as Américas. O objetivo era levar para a Europa desde especiarias a metais e madeiras preciosos. Não tardou a começar a exportação de escravos como mercadorias, especialmente africanos, para as colônias dominadas. Isso quando  não ocorria a utilização de povos nativos como mão de obra escravizada.


No começo, ainda sem o dinheiro, era
oraticada a troca direta entre produtos.

Surge, a partir daí, o capitalismo mercantilista. Para muitos estudiosos, foi a primeira fase do capitalismo. Essa prática de ocupação e exploração das colônias americanas e asiáticas - o mercantilismo -, era controlada pelo governo dos países europeus. A finalidade era, sempre, ampliar o  poderio econômico e político, dentro e fora das próprias fronteiras.

 

Transformação

 pela indústria

 

A partir do século 18, especialmente, o modelo capitalista tem uma profunda transformação. O fato causador foi a Revolução Industrial, surgida na Inglaterra e que, logo, se espelhou pelos principais países colonizadores. Tal cenário levou a uma profunda mudança nas relações do capital e do trabalho, entre  burgueses e operários.



Sociólo Max Weber tentouconsiliar
interesses entre patrões e trabalhadores.

A produção de bens de consumo - artesanal, portanto manufatureira até então -, passou a acontecer com o uso de máquinas. As cidades cresceram e surgiram novos meios de transporte e de geração de energia. Ao  mesmo tempo, aumentou a contratação de proletários  pelos burgueses industriais. Estes, claro, ficam mais ricos.    Isto, porém, não significou condições mais dignas de vida à massa operária.

Paralelamente destacaram-se pensadores do capitalismo e do que seria seu formato ideal. Um dos primeiros a surgir  foi  o alemão Karl Marx, que, em seguida, entretanto, viria transformar-se em defensor do comunismo e do socialismo. Outro ideólogo da vertente capitalista foi o economista escocês  Adam Smith, defensor do Liberalismo, isto é, defendendo a tese da liberdade plena, de modo que o mercado regulasse tudo, diante da oferta e da demanda. Outro pensador sobre o tema, na época, foi o sociólogo alemão Max Weber, defendendo como alternativa um capitalismo mais humanizado e com maior proteção e resultados aos trabalhadores.

 

Depressão,  novo perfil

econômico, Guerra Fria

 

Economista Adam Smith defendia que
o livre mercado ajustasse os interesses.

À medidaque indústria se  consolida como carro-chefe da economia e da geração de riquezas e de empregos nos países ricos, as nações  mais pobres acabam utilizadas como fornecedoras  de  matérias-primas, a maioria ainda como colônias. Entre o final do século 19 e as primeiras décadas do século 20, cresceu também o fluxo migratório.  O Brasil, no período, recebeu especialmente italianos e alemães, em  grande escala. Com a escravidão recém formalmente encerrada no papel, uma massa de escravizados ‘libertos’ é jogada à sorte do abandono.

A indústria, já florescente no mundo, só começou a se firmar no Brasil depois dos anos 1930, associada a ganhos de direitos trabalhistas e políticos. Em escala global, acelerou-se também a corrida expansionista em um  Novo Colonialismo. Contudo, um grande baque econômico  também aconteceu,  em 1929. Foi a maior depressão  econômica até então, fazendo falir  empresas industriais e comerciais aos milhares, assim como instituições financeiras.   E, claro, também os    trabalhadores foram afetados.  Os EUA,  maior potência na época, foram o epicentro da crise, mas a catástrofe foi em escala global.

Enquanto juntavam-se as sucatas da crise, foi preciso também  equacionar  as mazelas da destruição de duas guerras mundiais (1914/18 e 1939/45).  Em meio a esse quente caldeirão belicoso e de antagonismos ideológicos, a conjuntura mundial agrega mais um a ‘pitada de sal’ ao cardápio -  a Guerra Fria. Por quase meio século capitalismo e socialismo se contrapõem, no período, liderados por Estados Unidos e União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.

No plano econômico são os grandes conglomerados financeiros que passaram a dar as cartas do jogo. São essas instituições que comandam tudo, tomando lugar das antecessoras. Outra marca, deste e do século anterior, foi o surgimentos de muitos oligopólios  empresariais.  Juntam-se empresas comerciais ou industriais de médio ou grande porte, fazendo  daí surgir  uma corporação gigante. Isso para melhor controlar o mercado nacional e internacional. O cenário brasileiro bem ilustra isso. No país, menos de uma dezena de grandes empresas domina o setor de alimentos. Na indústria de bebidas a dominação é de apenas dois grandes oligopólios.

 

De outra revolução, de

 amores e  de ódios

 

Filósofo e sociólogo Bauman de um
mundo 'líquido' na atual Revolução 5.0.

Um dos fenômenos mais recentes trazidos pelo  capitalismo é a revolução da tecnologia da informação. Se bem, também países com viés socialista fazem parte do contexto. Estudiosos não têm dúvidas de afirmar que as vertiginosas transformações, neste campo, em três décadas, são mais impactantes do que os avanços produzidos ao longo dos três mil anos anteriores.  Sob as suas variadas mídias e formatos, tem-se o mundo na palma da mão, ao alcance de um click. É a Revolução 5.0, em um mundo ‘líquido’ e fugaz, na definição do filósofo e sociólogo polonês Zygmunt Bauman.

Sob determinado ponto de vista, tem-se nesta conjuntura a conquista da liberdade plena. Segundo outros parâmetros, porém, este aparente mundo de libertação, em verdade aprisiona o homem, enredando o tecido social. Filosófica e ideologicamente, este choque entre visões antagônicas também permeia o convívio coletivo, atualmente. Sendo assim, dificilmente haverá consenso. O capitalismo que dá liberdades não é o mesmo gerador das desigualdades e  da pobreza? Que tamanho deve ter o Estado para cuidar dos cidadãos? Em um mundo concentrador de riquezas, a livre ação do mercado  será capaz de promover a justiça social necessária? Do mesmo modo, comunismo e socialismo, se de fato implementados,  atenderão a estas demandas? Certamente não há consenso!

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