No seu atual formato, o capitalismo
dá
conta das demandas das desigualdades?
O surgimento
do capitalismo, ao fim do período medieval, está diretamente associado ao
feudalismo, existente na época. Com liberdade plena dada pela Igreja Católica,
grandes proprietários de terra – os senhores feudais - eram a classe mais poderosa. Sob o seu
controle estava a maioria da população, os vassalos, que trabalhavam para seus
senhores, recebendo como compensação um pedaço de terras, de onde tiravam os
meios de subsistência.
Gradativamente,
esse sistema foi permitindo surgirem as primeiras cidades. Com elas, registram-se,
de maneira incipiente, as primeiras atividades comerciais. Ainda sem a
utilização de moedas como hoje, os ‘negócios’ se davam na base da troca entre os produtos disponíveis, o chamado escambo.
A partir dos
séculos 15 e 16 esse contexto começou a incrementar as atividades econômico-comerciais.
Um fator determinante foi o das Grandes Navegações, sob a liderança de Portugal
e Espanha, os primeiros Estados nacionais europeus. O destino para as ações de
intercâmbio comercial foi especialmente a Ásia e as Américas. O objetivo era levar
para a Europa desde especiarias a metais e madeiras preciosos. Não tardou a
começar a exportação de escravos como mercadorias, especialmente africanos,
para as colônias dominadas. Isso quando não ocorria a utilização de povos nativos como
mão de obra escravizada.
No começo, ainda sem o dinheiro, era
oraticada a troca direta entre produtos.
Surge, a partir daí, o capitalismo mercantilista. Para muitos estudiosos, foi a primeira fase do capitalismo. Essa prática de ocupação e exploração das colônias americanas e asiáticas - o mercantilismo -, era controlada pelo governo dos países europeus. A finalidade era, sempre, ampliar o poderio econômico e político, dentro e fora das próprias fronteiras.
Transformação
pela indústria
A partir do
século 18, especialmente, o modelo capitalista tem uma profunda transformação.
O fato causador foi a Revolução Industrial, surgida na Inglaterra e que, logo,
se espelhou pelos principais países colonizadores. Tal cenário levou a uma profunda
mudança nas relações do capital e do trabalho, entre burgueses e operários.
Sociólo Max Weber tentouconsiliar
interesses entre patrões e trabalhadores.
A produção de bens de consumo - artesanal, portanto manufatureira até então -, passou a acontecer com o uso de máquinas. As cidades cresceram e surgiram novos meios de transporte e de geração de energia. Ao mesmo tempo, aumentou a contratação de proletários pelos burgueses industriais. Estes, claro, ficam mais ricos. Isto, porém, não significou condições mais dignas de vida à massa operária.
Paralelamente
destacaram-se pensadores do capitalismo e do que seria seu formato ideal. Um
dos primeiros a surgir foi o alemão Karl Marx, que, em seguida,
entretanto, viria transformar-se em defensor do comunismo e do socialismo.
Outro ideólogo da vertente capitalista foi o economista escocês Adam Smith, defensor do Liberalismo, isto é,
defendendo a tese da liberdade plena, de modo que o mercado regulasse tudo,
diante da oferta e da demanda. Outro pensador sobre o tema, na época, foi o
sociólogo alemão Max Weber, defendendo como alternativa um capitalismo mais
humanizado e com maior proteção e resultados aos trabalhadores.
Depressão, novo perfil
econômico,
Guerra Fria
À medidaque indústria
se consolida como carro-chefe da
economia e da geração de riquezas e de empregos nos países ricos, as nações mais pobres acabam utilizadas como fornecedoras
de matérias-primas, a maioria ainda como colônias.
Entre o final do século 19 e as primeiras décadas do século 20, cresceu também
o fluxo migratório. O Brasil, no
período, recebeu especialmente italianos e alemães, em grande escala. Com a escravidão recém
formalmente encerrada no papel, uma massa de escravizados ‘libertos’ é jogada à
sorte do abandono.
A indústria,
já florescente no mundo, só começou a se firmar no Brasil depois dos anos 1930,
associada a ganhos de direitos trabalhistas e políticos. Em escala global, acelerou-se
também a corrida expansionista em um Novo Colonialismo. Contudo, um grande baque
econômico também aconteceu, em 1929. Foi a maior depressão econômica até então, fazendo falir empresas industriais e comerciais aos
milhares, assim como instituições financeiras. E,
claro, também os trabalhadores foram
afetados. Os EUA, maior potência na época, foram o epicentro da
crise, mas a catástrofe foi em escala global.
Enquanto
juntavam-se as sucatas da crise, foi preciso também equacionar as mazelas da destruição de duas guerras mundiais
(1914/18 e 1939/45). Em meio a esse
quente caldeirão belicoso e de antagonismos ideológicos, a conjuntura mundial
agrega mais um a ‘pitada de sal’ ao cardápio -
a Guerra Fria. Por quase meio século capitalismo e socialismo se
contrapõem, no período, liderados por Estados Unidos e União das Repúblicas
Socialistas Soviéticas.
No plano
econômico são os grandes conglomerados financeiros que passaram a dar as cartas
do jogo. São essas instituições que comandam tudo, tomando lugar das
antecessoras. Outra marca, deste e do século anterior, foi o surgimentos de
muitos oligopólios empresariais. Juntam-se empresas comerciais ou industriais
de médio ou grande porte, fazendo daí surgir uma corporação gigante. Isso para melhor controlar
o mercado nacional e internacional. O cenário brasileiro bem ilustra isso. No
país, menos de uma dezena de grandes empresas domina o setor de alimentos. Na
indústria de bebidas a dominação é de apenas dois grandes oligopólios.
De outra
revolução, de
amores e de ódios
Um dos
fenômenos mais recentes trazidos pelo capitalismo é a revolução da tecnologia da informação.
Se bem, também países com viés socialista fazem parte do contexto. Estudiosos
não têm dúvidas de afirmar que as vertiginosas transformações, neste campo, em
três décadas, são mais impactantes do que os avanços produzidos ao longo dos
três mil anos anteriores. Sob as suas variadas
mídias e formatos, tem-se o mundo na palma da mão, ao alcance de um click. É a
Revolução 5.0, em um mundo ‘líquido’ e fugaz, na definição do filósofo e
sociólogo polonês Zygmunt Bauman.
Sob determinado
ponto de vista, tem-se nesta conjuntura a conquista da liberdade plena. Segundo
outros parâmetros, porém, este aparente mundo de libertação, em verdade
aprisiona o homem, enredando o tecido social. Filosófica e ideologicamente,
este choque entre visões antagônicas também permeia o convívio coletivo,
atualmente. Sendo assim, dificilmente haverá consenso. O capitalismo que dá
liberdades não é o mesmo gerador das desigualdades e da pobreza? Que tamanho deve ter o Estado para
cuidar dos cidadãos? Em um mundo concentrador de riquezas, a livre ação do mercado será capaz de promover a justiça social
necessária? Do mesmo modo, comunismo e socialismo, se de fato implementados, atenderão a estas demandas? Certamente não há
consenso!





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