Brasil comemora os seus 133 anos de
República, nem sempre democráticos
Proclamação
da República, pelapintura
de Benedito Calixto, 1893.
Diferente da
maioria dos demais países latino-americanos, o Brasil foi um dos últimos a
instituir a República como forma de
governo, em 1889. Primeiro foi colônia, subordinada a Portugal e Espanha, entre
abril de 1500 e 1822. Depois ocorreu
a independência, em setembro de 1822, surgindo o Império, durante 67
anos, em dois períodos, intercalados por uma fase de regência. O segundo imperador, D. Pedro
II, foi o mandatário que mais tempo permaneceu no comando brasileiro – 49 anos.
Como
conceito, República é a forma de governo
em que o Estado se constitui de modo a atender o interesse geral dos cidadãos.
O povo, portanto, é soberano, governando o Estado por seus representantes.
Contudo, no caso do Brasil, nos 133 anos de República que se completam na
terça-feira,15 de novembro, boa parte do período não teve a direta participação
popular. A começar pela propalada proclamação do sistema republicano, ato que
se deu através de um golpe e sem povo.
Parece
contraditório, mas o Segundo Reinado, a partir de 1840, foi um dos mais
prósperos períodos da história nacional – mesmo com guerras e revoltas internas
e com países vizinhos, como foi o caso do Paraguai. Ao final, no entanto, viria
o colapso. Ao final do seu reinado, D. Pedro II viu ruir os seus principais
pilares de sustação. Eram eles os fazendeiros do café, o Exército, a Igreja
Católica e a Maçonaria.
A partir de
1850 várias leis e medidas adotadas passaram a garantir gradual liberdade à mão
de obra escravizada. Em 1888, finalmente, é abolida a escravidão, todavia desagradando os cafeicultores, pois ficaram
sem a mão obra africana que tinham de graça. Revoltaram-se então contra o
imperador. Tendo que pagar
trabalhadores, preferiram imigrantes europeus, principalmente italianos,
que chegaram a partir de 1870.
O Exército
brasileiro, durante a escravidão, tinha papel secundário. Uma das tarefas era
vigiar os escravos no carregamento de fezes e urina - excrementos retirados do
Rio de Janeiro, a sede do governo. Com a Guerra do Paraguai nos anos 1860,
porém, os militares passaram a ganhar importância e queriam ser valorizados e
melhor pegos pelo governo imperial. As baixas patentes não podiam se
manifestar.
Já Igreja
Católica, sempre com força e poder como o Império, passou a sofrer restrições
de D. Pedro II e também se rebelou, retirando os apoios que assegurava. Ao
mesmo tempo, as cidades cresciam e as ideias iluministas europeias trazidas
pela Maçonaria defendiam a República e, por consequência, o fim da Monarquia.
A
proclamação
A proclamação
da República foi feita pelo Marechal
Deodoro da Fonseca, chefe do Exército brasileiro, em 15 de novembro de 1889.
Ele foi escolhido para liderar um grupo que preparava um levante militar. Desse
grupo foi destaque Benjamin Constant.
Deodoro da Fonseca estava doente. Para convencê-lo a liderar o levante, os
militares disseram que o objetivo não era derrubar a Monarquia, especialmente
pelo fato de que o Marechal era amigo do então imperador Dom Pedro II.
Assim, para
confundir o marechal, as tropas se reuniram no
centro do Rio de Janeiro e derrubaram o gabinete do Visconde de Ouro
Preto. A República ainda não havia sido
proclamada. Somente mais tarde, com Deodoro já de volta à sua casa, políticos
insistiram e ele assinou o documento
declarando a extinção da Monarquia.
Um dos
argumentos para convencer Deodoro é que, se ele não declarasse a República,
assumiria o gabinete governamental o gaúcho Silveira Martins, seu adversário
político, no lugar do Visconde de Ouro Preto.
Deodoro era, em verdade, monarquista, não republicano. D. Pedro II e a família foram banidos do Brasil,
deixando país em 17 de novembro. A população não sabia e não participou de
nada. D. Pedro optou por evitar enfrentamentos.
Povo
distante
Desde o
descobrimento, em 1500, e até a história recente, foram muitos os períodos de
escassa participação popular em períodos e episódios marcantes. Ficando no
período republicano, na chamada República Velha (1889-1930), ocorreram
eleições, mas marcadas por fraudes, voto de cabresto enn outros arranjos. No
período predominou a política ‘café com leite’ em que paulistas e mineiros
alternaram-se no poder. Foi ainda o tempo do Coronelismo, dos fazendeiros
dominando os poucos que votavam.
Já em 1930 uma
revolução leva Getúlio Vargas ao poder, permanecendo até 1945. Ao mesmo tempo
em que implementou avanços sociais e políticos, como direitos trabalhistas,
ampliação do direito ao voto e implantação de indústrias, também impôs, de 1937
a 1945, a ditadura do Estado Novo.
O Brasil
viveria uma fase de redemocratização, de 1946 a 1964, sendo eleitos quatro
presidentes no período. Após, durante 21 anos, até 1985, é instituída ditadura
militar. Vem a partir daí nova fase de redemocratização.
Plano de
Apparício
Apparício
Mariense da Silva, que nasceu em São Borja, em 30 de maio de 1856, aos nove
anos mudou-se com a família, refugiando-se em Uruguaiana, devido à invasão pelo
Paraguai. Alguns anos depois,
transferiu-se para Porto Alegre para
estudar. Ao voltar à terra natal, trouxe as ideias republicanas. Entrou
para a política e tornou-se vereador, pelo Partido Republicano Rio-Grandense
(PRR), comandado por Júlio de Castilhos e Joaquim Francisco de Assis Brasil.
Como vereador,
apresentou um projeto audacioso, polêmico e perigoso. Era contra um Terceiro Reinado. Surgiu então o projeto de Moção Plebiscitária
na Câmara de Vereadores de São Borja, de iniciativa do então vereador Apparício
Mariense da Silva, em outubro de 1887.
Após muitos debates, a matéria foi aprovada em 13 de janeiro de 1888.
Túmulo de Apparício Mariense da Silva, nafoto de Roger Jaeke, Portal das
Missões)
Uma das bandeiras era libertação dos escravos. Isso ocorre u em 13 de maio de 1888 (Lei Imperial 3.353, a Lei Áurea). O jovem líder republicano defendeu um plebiscito no país pelo fim da Monarquia e a adoção da República. A República viria a ser proclamada em 15 de novembro de 1889. Em 1900, Apparício encaminhou seu sobrinho Getúlio Dorneles Vargas para estudar Direito na Faculdade Livre de Direito de Porto Alegre, atual UFRGS, de onde surgiu o futuro presidente da República, durante 19 anos, em dois períodos. (Com apoio de informações dos professores Vitor Soares e Valquíria Velasco e do jornal Zero Hora)
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Hoje retomamos os tempos sombrios da censura implacável de quem se posiciona contra o Sistema. De outro lado, xreio que o jornalismo profissional agoniza.
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