sexta-feira, 18 de novembro de 2022

CONCEITO & PRÀTICA


 

Afinal, o comunismo já

existiu? E o socialismo?

 

A foice e o martelo, simbolizando
o trabalho camponês e nas cidades.

Àmedida que a polarização política se acentua no Brasil, mais e mais vão surgindo “comunistas.” É o rótulo raso, preconceituoso e depreciativo empregado por aqueles que assim insistem em qualificar quem não pensa como eles. Normalmente o pessoal da imprensa e  do mundo acadêmico é um dos alvos prediletos. Mas, afinal, o que é comunismo? Existe atualmente? Já existiu em alguma época na História? E socialismo? É o que, de maneira rápida e objetiva, tentaremos responder.

O comunismo pressupõe restabelecer o “estado natural” em que todas as pessoas tenhas o mesmo direito e a tudo. Há fim da propriedade privada e da luta de classes. Para tanto são necessárias várias condições essenciais: coletivização dos meios de produção; o resultado do que é produzido tem de ser dividido entre todos os membros da sociedade; basta a produção o suficiente para a manutenção da sociedade; deixa de existir a propriedade privada; e ocorre a abolição do Estado e das fronteiras nacionais. Assim, o sistema precisa  abranger o mundo inteiro.



O alemão Karl Marx é autor da obra 
O Capital, com as bases do comunismo.

 


 
Na chamada era moderna, diretrizes ideológicas similares a  começaram a ser defendidas, no século 18, pelo filósofo francês Jean-Jacques Rousseau, um dos pais do Iluminismo. No século seguinte o debate ganharia maior proporção, tentando equacionar as desigualdades sociais, agravadas pela Revolução Industrial e o fortalecimento da burguesia. Os alemães  Karl Marx e Friedrich Engels é que lançam os fundamentos principais do comunismo como uma ação política.

Na chamada era moderna, diretrizes ideológicas similares a  começaram a ser defendidas, no século 18, pelo filósofo francês Jean-Jacques Rousseau, um dos pais do Iluminismo. No século seguinte o debate ganharia maior proporção, tentando equacionar as desigualdades sociais, agravadas pela Revolução Industrial e o fortalecimento da burguesia. Os alemães  Karl Marx e Friedrich Engels é que lançam os fundamentos principais do comunismo como uma ação política. 


Na chamada era moderna, diretrizes ideológicas similares a  começaram a ser defendidas, no século 18, pelo filósofo francês Jean-Jacques Rousseau, um dos pais do Iluminismo. No século seguinte o debate ganharia maior proporção, tentando equacionar as desigualdades sociais, agravadas pela Revolução Industrial e o fortalecimento da burguesia. Os alemães  Karl Marx e Friedrich Engels é que lançam os fundamentos principais do comunismo como uma ação política.

De acordo com Marx e Engels, o comunismo do século 20 considera a história como a sucessão de lutas entre a classe trabalhadora e a burguesia. Os dois são autores da obra Manifesto do Partido Comunista, de 1848. Para eles, a burguesia não produz; mas dispõem dos meios materiais de produção. Já o proletariado dispõe apenas a sua prole (os filhos) e sua força de trabalho, sujeitando-se a vendê-la aos burgueses. O Capital, de Karl Marx, é outra obra fundamental. Ele leva ao surgimento do marxismo.

As bases de ação propostas foram no sentido de, conforme os autores, corrigir as desigualdades e injustiças provocadas pelo capitalismo.  Karl Marx e Friedrich Engels. são considerados os fundadores do socialismo científico para corrigor o sistema capitalista.  Eles propõem as várias formas de socialismo: reacionário, conservador e utópico.

Cabe, então, uma questão central: Algum país, em algum momento, já implantou de fato o comunismo? No efetivo sentido preconizado, a resposta é não. Até pelo fato de que para que ele seja pleno, deve ser aplicado internacionalmente, no mundo todo. Já países normalmente nominados como comunistas, caso de  União Soviética, Cuba, China, Vietnã e Coréia do Norte, enquadram-se mais no conceito de socialistas, já que mesclam também princípios capitalistas. A União Soviética, uma das primeiras experiência, a partir de 1917, encerrou oficialmente o ciclo em 1991.  

  

Parceiro do Marx, Frederico Engeks
ajuda escrever o Manifesto Comunista.



Comunismo Primitivo

 

O Comunismo tem a sua fundamentação nas teorias do Estado dos sofistas gregos e na obra "A República" de Platão. A Grécia-Antiga previa a formação de uma sociedade em que as classes sociais não existiriam. Mas essa ideia encontrou  críticos severos, como Aristóteles.

O comunismo continuou a ser debatido em muitos movimentos depois disso. Durante a Idade Média (476-1453) líderes e seguidores da Igreja Católica pregavam desapego aos bens materiais e pregação da justiça social, um regime de cooperação. Isso, apesar de a Igreja ser uma das instituições mais ricas no período.

 Pesquisas  também indicam práticas de coletivização dos sistemas de produção nas Américas antes da chegada de Cristóvão Colombo e das expedições europeias de ocupação.  Depois, porém, com o sistema de dominação dos colonizadores a situação se alterou.  O jurista e filósofo inglês Thomas More, venerado como santo na Igreja Católica é um dos primeiros ideólogos da era moderna.

 

Socialismo real

 

A mais importante tentativa de tornar o socialismo realidade começou em 1917 na Rússia, na chamada Revolução Comunista. O movimento revolucionário russo foi liderado por nomes como Vladimir Lênin, Leon Trotsky e Joseph Stálin.

A primeira fase do movimento deu fim a séculos de domínio da monarquia czarista. Oito meses depois, a segunda fase foi marcada pela substituição do modelo capitalista pelo socialista, algo que nunca havia sido tentado ao redor do mundo. Lênin, o primeiro líder comunista, adotou o slogan "paz, pão e terra" para a população, que enfrentava fome e guerra.es. Ele era um pensador radical que acreditava que uma revolução comunista ajudaria a trazer igualdade para a recém fundada União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Muitos russos se lembram dele como um grande líder que libertou o povo, mas para outros seu governo era controlador e cruel, pois aprisionava e matava pessoas que discordavam de suas ideias ou ações.

Essas duas visões opostas também seriam marcantes durante o governo de Stálin, principal sucessor de Lênin. Ele daria nome também ao chamado stalinismo, considerado uma forma mais linha-dura, inflexível, autoritária, hierárquica, intolerante à dissidência e não democrática do comunismo marxista-leninista, segundo o Dicionário de Política Routledge.

A morte de Lênin em 1924 abriu uma disputa pelo poder entre Stálin e Trotsky, líder do Exército Vermelho tido por alguns como um sucessor natural no cargo de líder soviético. Mas a maioria do Partido Comunista considerava Trotsky idealista demais para assumir o comando. Stálin, por outro lado, desenvolveu uma leitura própria do marxismo que concentrava os poderes e tornaria a União Soviética uma espécie de império.

CRÉDITO,GETTY IMAGES

No fim dos anos 1920,  a  União Soviética passa por transformações profundas e conturbadas, como um rápido processo de industrialização e um amplo programa de desapropriação e coletivização de propriedades rurais (que acabou também levando à fome e a milhões de mortes). Em meio a essas mudanças, Stálin promove o que ficou conhecido como o Grande Terror: a perseguição, o expurgo e o assassinato de todos aqueles que eram considerados inimigos da revolução.

A paranoia e o denuncismo tomam conta da sociedade. Entre 1934 e 1939, estima-se que cerca de 750 mil pessoas tenham sido mortas sumariamente, sem direito a julgamento justo.

Mas Stálin, por outro lado, é exaltado pelo papel fundamental da União Soviética na vitória contra o regime nazista de Adolf Hitler e seus aliados. E até hoje Stálin é considerado um grande líder na Rússia.

Um levantamento feito em 2019 pelo instituto de pesquisa Levada Center apontou que 51% dos adultos do país respeitavam, gostavam ou admiravam Stálin, com um aumento entre os mais jovens em relação a pesquisas anteriores.

Para Ekaterina Schulmann, cientista política russa e professora da Moscow School of Social and Economic Sciences, há diversos fatores importantes por trás desse índice positivo, como uma nostalgia romantizada das condições de vida no período soviético, a atual propaganda estatal que retrata Stálin como líder astuto e vitorioso na guerra e um sentimento contemporâneo antielite.

"A memória de Stálin não é do homem real, mas do que permaneceu no imaginário popular, como um símbolo de disciplina à mão de ferro e um último bastião na batalha contra burocratas gananciosos", disse a pesquisadora à BBC Rússia.

O modelo comunista da União Soviética seria, até 1990, o principal contraponto ao modelo capitalista, capitaneado pelos Estados Unidos.Mas além da Revolução Russa, outros movimentos comunistas importantes ocorreram pelo mundo, como a Revolução Chinesa, vitoriosa em 1949, liderada por Mao Tsé-tung.



Sob a liderança de Mao, quase 
1 bilhão de chineses saem da miséria;


Ele implementou políticas marxistas, mas, diferentemente do comunismo soviético, centrado na classe trabalhadora industrial, a revolução maoísta se baseou nos camponeses. A coletivização e a centralização da economia transformaram a sociedade chinesa.

Em quatro décadas, a China conseguiu tirar 850 milhões de pessoas da pobreza. Mas a desigualdade se acentuou no país. E hoje, 70 anos depois, alguns especialistas classificam a China como um capitalismo de Estado, num modelo em que a "mão invisível" do Partido Comunista da China está em todos os aspectos da economia.

É o Estado que controla quase todas as maiores empresas do país, que administram os recursos naturais. Ele também é oficialmente o proprietário de toda a terra, embora, na prática, as pessoas possam ter propriedades privadas. E o Estado também controla o sistema bancário, decidindo em linhas gerais quem pode tomar empréstimos, por exemplo.

Outra revolução que abalou o mundo e influenciou diversos países — principalmente na América Latina, foi a Revolução Cubana, quando, em 1959, um pequeno grupo de guerrilheiros liderados por Fidel Castro, Ernesto Che Guevara e Raúl Castro conseguiram derrubar uma ditadura e implantaram um governo socialista no país. (Fonte: professores Juliana Bezerra e Victos Soares e BBC  News Brasil/Mateus Agenta).

C                                         

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