quinta-feira, 9 de setembro de 2021

A penosa saga de quem depende de atendimento na área de saúde

 

A penosa saga de quem depende

de atendimento na área de saúde



 Oncolia será credenciada ao SUS.

        É compreensível e justificada a crescente expectativa, em São Borja, pela habilitação do Centro de Oncologia do Hospital Ivan Goulart (HIG)  ao Sistema Único de Saúde (SUS) e ao Ministério da Saúde. Mais do que uma meritória conquista dos que lideram a causa, a implementação da medida será um providencial alívio àqueles que, em grande número, são submetidos a buscar assistência  a longas distâncias, apostando em soluções e na vida. Também são submetidos  a riscos, incertezas e desconfortos. Assim também é  com familiares desses pacientes e com quem os conduz aos destinos. E as consultas, as cirurgias, os tratamentos e a esperança de cura para os cânceres são apenas um dos exemplos desta repetida, dolorosa e onerosa saga da chamada ambulancioterapia.  

          Nos últimos anos, são relevantes e inquestionáveis os avanços materiais e nos serviços prestados pelo hospital da cidade. Vultuosos investimentos acontecem em  quase todos os setores, desde a   infraestrutura operacional a  equipamentos, os mais modernos. Espaços físicos   são redimensionados,   revitalizados e ampliados, quer em  acomodações de hotelaria, quer de apoio funcional.  Paralelamente, a equipe de profissionais atendentes recebe continuadas  capacitações e atualizações técnicas, para a entrega de mais e melhores serviços humanizados e de qualidade.  Homens e mulheres abnegados cuidam de tudo, garantindo que os  avanços aconteçam,  como uma sublime missão.

      Junto com a instituição hospitalar que consolida   perfil e status regional,   São Borja, como núcleo urbano, também cresce. Nem as  dificuldades da pandemia cessam esse processo. A cidade moderniza-se - na sua infraestrutura viária, no  saneamento básico, nas suas feições  urbanas. Farmácias e clínicas na área médica se multiplicam. Tudo isso, entretanto,   contrasta com carências e dificuldades que podem parecer pontuais ou até banais em  determinados serviços de saúde, mas que dolorosamente impactantes a vida de quem se vê privado pelo vácuo, pela ausência.

 


Diagnóstico por Imagem, um avanço

          Apagão nos sistemas?

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           A atenção primária de saúde em São Borja, a exemplo do que ocorre com o HIG, vem garantindo os atendimentos básicos, e com capilaridade. São 12 Estratégias de Saúde da Família (ESFs) e uma Unidade Básica (UB)  à disposição. A  administração municipal anuncia que outras duas ESFs serão ativadas em solo urbano, além de uma terceira para atender demandas do interior do município.  Farmácias Básicas são duas em funcionamento, no Centro e no bairro do Passo. Uma terceira unidade vai ser implantada, para atender à população da Zona Sul.

        Ao mesmo tempo, também funcionam   em âmbito local serviços mais aprimorados, disponibilizados  pela municipalidade. O Centro Especializado em Reabilitações (CER), de estrutura e porte regionais, é um  bom exemplo. Além disso, um serviço de regulação a consultas e procedimentos de média e alta complexidade encaminha para centros especializados fora de São Borja. Daqui partem, como uma permanente rotina,   automóveis, ambulâncias  vans e micro-ônibus levando pacientes  para mais de uma dezena de cidades em toda a geografia gaúcha.


Farmácia Básica do bairro do Passo

        Nem tudo, contudo, é perfeito. Apesar disso tudo, determinados atendimentos básicos, aqui ou em outros locais, parece estarem sob  apagão e sem sinal de luz ao final do túnel. A frequente queixa   que se ouve é que o SUS há anos congelou seus honorários e demais valores pagos por serviços prestados. Como consequência, os  serviços então são prestados a conta gotas ou só depois de longas e penosas esperas. Em relação ao Instituto de Previdência do Estado (IPE), a reclamação é  exatamente a mesma. Atendimentos antes corriqueiros, ou deixam de ser prestados ou  só acontecem mediante pagamento pelo usuário.

      A pandemia também traz os seus estragos aos demais  planos de saúde no Brasil. Em cinco anos, a partir de 2014, os planos  perderam 3,4 milhões de usuários. Com a Covid, a situação só piorou, principalmente em relação aos contratos individuais.

       Com a pandemia, o segmento dos planos individuais mostra declínio geral: consultas -12,1%; atendimentos ambulatoriais -17,4%; exames -14,6%; terapias -23,7%; internações -15,6%;  e odontologia -15,8%. Isso dá queda de -17,2% em média. Não é por acaso que a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) anuncia facilitações e menor custo a partir de abril de 2022.

 


CER, serviço que atende a municípios da região.


      IPE: dúvidas

 

        Houve época em que o Instituto de Previdência do Estado  era avaliado como um dos melhores planos de saúde, considerando a relação custo-benefício e a cobertura quase universal das demandas – consultas, exames, medicamentos, internações... Mudou muito, ultimamente. Hoje, o que mais se escuta é que médicos se descredenciaram ou descredenciaram serviços antes postos â disposição.  

        Os profissionais que permanecem vinculados à instituição acabam sobrecarregados e, como é lógico,  demorando uma ‘eternidade’ para o atendimento pretendido pelo paciente. Outros – afastados do instituto – afirmam que é melhor atender de graça do que receber quase nada. Outra constatação  emblemática das mudanças e do cipoal de dificuldades: a agência do IPE já há algum tempo fechou as portas da sua agência na cidade.

      

          A quem recorrer?

         

          Não raro ouve-se o desabafo  de pacientes dizendo que “é preciso rezar para não precisar de determinados serviços.”  Para procedimentos simples, ambulatoriais, como  cirurgia de uma lesão de pele, por exemplo, difícil é encontrar solução na cidade.  Longe, portanto, vai o tempo em que situações  análogas – de uma mancha de coloração suspeita, de uma erupção ou de uma ulceração cutânea -   eram mandadas, com urgência, na  busca de socorro.

        A prática também mostra que, mesmo cirurgias  oncológicas, quando dependentes do SUS, somente são  realizadas uma a uma, independentemente da gravidade da situação ou do tamanho do procedimento. Como o atendimento – pelo menos por enquanto -  é em outras centros, não restam muitas opções. Ou o paciente submeter-se a incontáveis romarias do vai-e-vem,  e dependendo  da ambulancioterapia. Ou então fica torcendo para que o pior não aconteça.

 

            Barateando custos

 



Aluguel de veículos barateia custos.

           Os constantes deslocamentos para cidades como Santo Ângelo, Ijuí, Santa Rosa, Passo Fundo, Lajeado, Santa Maria, Porto Alegre, Rosário do Sul e Uruguaiana representa altos custos e desgastes dos veículos. Como medida de economia e maior segurança, a Prefeitura de São Borja renovou a frota operacional da Secretaria Municipal da Saúde,  através de locação da empresa Credicar. Em dois anos, é a quarta troca de veículos. A  contratação de serviço  foi possível através do Termo de Adesão à Ata de Registro de Preços em  licitação realizada pelo Consórcio dos Municípios da Região Metropolitana de Porto Alegre e o Consórcio de Desenvolvimento do Pampa Gaúcho.

    Segundo a Secretaria Municipal da Saúde, são 15 os carros locados e a renovação da frota é realizada a cada seis meses. Na semana passada sete carros, com cerca de 80 mil quilômetros rodados, foram substituídos por veículos zero quilômetro. Nesta semana mais três automóveis estão sendo  trocados. Só no mês de agosto mais de 700 pacientes utilizaram o serviço.

   A locação significa menor desembolso aos cofres públicos. Além de reduzir custos com manutenção veicular, a iniciativa também gera maior segurança e comodidade, tanto para os pacientes quanto para os motoristas do quadro de servidores da Prefeitura. Pelo uso, muitos veículos da frota operacional apresentam necessidade de manutenção, em razão da frequente rodagem. Com veículos novos, é menor o consumo de combustível, assim  como os gastos de manutenção. A ação também dá mais segurança e conforto aos motoristas e aos pacientes.

   

          Da Oncologia

 



HIG segue mobilizado para atender demandas.

           É tido como certo o credenciamento do Centro de Oncologia do HIG no SUS. Então serão muitas as razões para comemorar. Convém registrar, porém, que, depois da aprovação, ainda demanda algum tempo para ampliar a estrutura operacional e para que os atendimentos efetivamente começam.

        Em fase inicial, ainda, os tratamentos de cânceres ainda não terão serviço de radioterapia. Trata-se de um atendimento de elevados investimentos em equipamentos. As unidades de Santo Ângelo e Santiago, por exemplo, não têm radioterapia.  As referências mais próximas são Ijuí, Santa Maria ou Uruguaiana.  

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