Uma
permanente missão
na
construção de futuros
Irmâ Adelaide (gestora)
e Iaçanâ Pires (diretora).
Desde que surgiu em São Borja, em 1936, o Centro de Formação Tereza
Verzeri (CFTV) é referência no Rio Grande do Sul em ações socioeducativas. O
público alvo prioritário é formado por crianças e adolescentes, dos quatro aos
16 anos, em situação de vulnerabilidade social, econômica e/ou risco social.
Não é fácil, contudo, a tarefa do atendimento qualificado e em caráter
permanente. Com a pandemia e as suas restrições de toda ordem é ainda maior o
desafio.
A diretora social da instituição, Iaçanã
Luiza Pletsch Pires, conta que, quando a Covid-19 começou na cidade, em março
de 2020, há apenas dez dias tinha sido iniciado o ano de atividades. Um grupo
de 200 educandos recebia reforço pedagógico e participava de oficinas lúdicas e
de cidadania, no turno inverso ao da escola convencional. Hoje, 150 crianças e
adolescentes seguem ligados à instituição. Destes, 70 têm atividades presenciais, a partir dos últimos meses,
desde que superada a fase crítica da pandemia.
Os demais educandos seguem acompanhados
pelo Serviço Social da instituição, mesmo à distância, inclusive recebendo
aporte nutricional e o atendimento de outras demandas. As famílias também são
acompanhadas e assistidas, tendo um diálogo constante com a direção, técnicos e educadores do centro. Alguns casos
aconteceram, de Covid-19, com familiares, educandos e educadores, mas desde o
início das atividades presenciais, nenhum evento foi registrado, comemora a
diretora. Ela destaca que todos os protocolos de segurança sanitária estão sendo adotados.
Iaçanã explica que uma das condições para
frequentar o CFTV é a criança estar estudando. “Recebemos estudantes
matriculados em escolas públicas e temos também alguns educandos que são
bolsistas do Colégio Sagrado Coração de Jesus”. Ela acrescenta que, ao chegarem
na instituição, os educandos recebem o café da manhã e após as atividades, o
almoço. Á tarde eles recebem lanche.
Desde 2007, o Centro de Formação
Teresa Verzeri põe em prática o programa ‘Mosaico do Saber Social’, que
completa atividades de cunho sócio educativo e de proteção e garantia dos
direitos referentes à vida, à saúde física e emocional. A ação também inclui
alimentação, educação, esportes, lazer, cultura e dignidade. é oferecido
igualmente atendimento biopsicopedagógico social (serviço social, psicológico,
pedagógico e de nutrição). O município cede parte dos profissionais e os demais
são mantidos pela instituição.
Ensinando cidadania
Iaçanã Pires explica que as ações pedagógicas desenvolvidas levam em
conta as faixas etárias de cada um dos grupos trabalhados. “Porém, tanto para as crianças quanto para os
adolescentes, a finalidade estratégica é mesma – principalmente a de construção
de valores, como ética, disciplina, espiritualidade e o exercício de
cidadania”. Além disso, é trabalhada a
socialização.
As atividades lúdicas incluem música,
dança e outras oficinas de iniciação às artes. Outros aspectos trabalhados com
ênfase são a educação para a defesa do meio ambiente, o exercício de cidadania
e respeito à família. É oferecido reforço pedagógico, principalmente após a
volta às rotinas escolares.
A diretora do Centro de Formação cita
ainda que crianças a partir dos oito, dez anos, estão participando do projeto
‘Mãos na Massa”, com recursos repassados pelo Comdica (Conselho Municipal dos
Direitos da Criança e do Adolescente). Os participantes recebem ensinamentos básicos de culinária e
do uso adequado dos alimentos, além de noções de empreendedorismo. “A meta é
que, de forma gradativa, estejamos formando os cidadãos e empreendedores do
futuro”, diz ela.
Manutenção, um desafio
Ações pedagógicas permanentes.
O Centro de Formação Tereza Verzeri
integra a Rede Verzeri, com outra unidade semelhante à de São Borja na cidade
de Esteio, na Grande Porto Alegre. Além disso, a Rede desenvolve projetos nas
áreas hospitalar e de escolas convencionais. Essa vinculação à rede garante
parte dos recursos financeiros, entretanto, insuficiente para todas as
demandas.
A pandemia e suas restrições pioraram a situação,
ampliando as dificuldades de manutenção. “Chegamos a promover duas
lives/leilões e outros eventos de arrecadação de recursos, mas o cobertor é
sempre curto”, observa Iaçanã. Ela acrescenta que, seguidamente, chegam
auxílios de empresas e de pessoas na comunidade, sempre bem-vindas.
Nesta quarta-feira (15), foi realizado o
Jantar Farroupilha, para arrecadação financeira. “Ganhamos a carne para o
churrasco e promovemos uma confraternização, com o duplo sentido de
entretenimento e de receitas”, explica a diretora.
Também têm sido acionadas como fontes de recursos projetos que são aprovados
através do Comdica. Do mesmo modo, recursos são liberados pelo Ministério
Público do Trabalho e Fundo Social Sicredi. Esses repasses têm permitido melhorias
e ampliações na infraestrutura do CFTV.
“É certo, porém, que as restrições da Covid-19 acaba impedindo eventos
tradicionais que normalmente nos resultariam em apoios”, diz.
Não chegaram a ser divulgados números,
mas são muitas as despesas permanentes a serem pagas. Além da equipe de
educadores, os desembolsos envolvem água, luz, internet e insumos de limpeza.
Outro segmento significativo é o relativo à alimentação oferecida aos
educandos.
Voluntários exemplares
A diretora Iaçanã Pires observa que
muitas pessoas e empresas ajudam a instituição, anonimamente ou não. “São
benemerências que nós agradecemos profundamente”. Não há contribuições em caráter permanente, a
não ser da própria mantenedora da Rede Verzeri.
Ela, contudo, faz questão de citar e
agradecer aos grupos de voluntários apoiadores da causa da instituição. Estão
entre esses apoiadores os ‘Anjos Amigos’, ‘Piquete Her.eiros do Generoso e
‘Grupos de Pais”. Um dos parceiros, ainda, é o poeta Rodrigo Bauer, “sempre
conosco e que nos auxiliou nas lives/leilões, durante o primeiro ano da
pandemia, dando suas ideias e participações decisivas aos eventos realizados,
para a sustentabilidade da instituição”.
Outra voluntária destacada é a
professora de música Sibele Kúcera Chaves, que auxilia há muitos anos na
realização, a cada 15 dias, do chamado Bazar Solidário. A iniciativa vende, a
valores simbólicos, desde roupas e calçados a livros e utensílios domésticos. O
resultado das vendas reforça o caixa de manutenção do Tereza Verzeri.
“Além da equipe de colaboradores, fundamental em todas as ações realizadas pela
instituição, temos o Juliano, que a cada semana dedica um dia para ajudar na
manutenção da estrutura de atendimentos aos educandos. Iaçanã ainda ressalta que as Irmãs Adelaide e Irene
“são apoio indispensável na parte
espiritual e na condução da casa
missão de construir futuros.





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