quinta-feira, 16 de setembro de 2021

CENTRO DE FORMAÇÃO TEREZA VERZERI

  

Uma permanente missão

na construção de futuros

  


Irmâ Adelaide (gestora)

       e Iaçanâ Pires (diretora). 


     Desde que surgiu em São Borja, em 1936, o Centro de Formação Tereza Verzeri (CFTV) é referência no Rio Grande do Sul em ações socioeducativas. O público alvo prioritário é formado por crianças e adolescentes, dos quatro aos 16 anos, em situação de vulnerabilidade social, econômica e/ou risco social. Não é fácil, contudo, a tarefa do atendimento qualificado e em caráter permanente. Com a pandemia e as suas restrições de toda ordem é ainda maior o desafio.

      A diretora social da instituição, Iaçanã Luiza Pletsch Pires, conta que, quando a Covid-19 começou na cidade, em março de 2020, há apenas dez dias tinha sido iniciado o ano de atividades. Um grupo de 200 educandos recebia reforço pedagógico e participava de oficinas lúdicas e de cidadania, no turno inverso ao da escola convencional. Hoje, 150 crianças e adolescentes seguem ligados à instituição. Destes,  70 têm atividades  presenciais, a partir dos últimos meses, desde que superada a fase crítica da pandemia.

        Os demais educandos seguem acompanhados pelo Serviço Social da instituição, mesmo à distância, inclusive recebendo aporte nutricional e o atendimento de outras demandas. As famílias também são acompanhadas e assistidas, tendo um diálogo constante com a direção,  técnicos e educadores do centro. Alguns casos aconteceram, de Covid-19, com familiares, educandos e educadores, mas desde o início das atividades presenciais, nenhum evento foi registrado, comemora a diretora. Ela destaca que todos os protocolos de segurança sanitária estão sendo  adotados.

      Iaçanã explica que uma das condições para frequentar o CFTV é a criança estar estudando. “Recebemos estudantes matriculados em escolas públicas e temos também alguns educandos que são bolsistas do Colégio Sagrado Coração de Jesus”. Ela acrescenta que, ao chegarem na instituição, os educandos recebem o café da manhã e após as atividades, o almoço. Á tarde eles recebem lanche.

             Desde 2007, o Centro de Formação Teresa Verzeri põe em prática o programa ‘Mosaico do Saber Social’, que completa atividades de cunho sócio educativo e de proteção e garantia dos direitos referentes à vida, à saúde física e emocional. A ação também inclui alimentação, educação, esportes, lazer, cultura e dignidade. é oferecido igualmente atendimento biopsicopedagógico social (serviço social, psicológico, pedagógico e de nutrição). O município cede parte dos profissionais e os demais são mantidos pela instituição.

 

      Ensinando cidadania

 



Iniciação à arte e à cultura.


     Iaçanã Pires explica que as ações pedagógicas desenvolvidas levam em conta as faixas etárias de cada um dos grupos trabalhados.  “Porém, tanto para as crianças quanto para os adolescentes, a finalidade estratégica é mesma – principalmente a de construção de valores, como ética, disciplina, espiritualidade e o exercício de cidadania”.  Além disso, é trabalhada a socialização.

       As atividades lúdicas incluem música, dança e outras oficinas de iniciação às artes. Outros aspectos trabalhados com ênfase são a educação para a defesa do meio ambiente, o exercício de cidadania e respeito à família. É oferecido reforço pedagógico, principalmente após a volta às rotinas escolares.

      A diretora do Centro de Formação cita ainda que crianças a partir dos oito, dez anos, estão participando do projeto ‘Mãos na Massa”, com recursos repassados pelo Comdica (Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente). Os participantes  recebem ensinamentos básicos de culinária e do uso adequado dos alimentos, além de noções de empreendedorismo. “A meta é que, de forma gradativa, estejamos formando os cidadãos e empreendedores do futuro”, diz ela.

 

        Manutenção, um desafio

 


Ações pedagógicas permanentes.


        O Centro de Formação Tereza Verzeri integra a Rede Verzeri, com outra unidade semelhante à de São Borja na cidade de Esteio, na Grande Porto Alegre. Além disso, a Rede desenvolve projetos nas áreas hospitalar e de escolas convencionais. Essa vinculação à rede garante parte dos recursos financeiros, entretanto, insuficiente para todas as demandas.

       A pandemia e suas restrições pioraram a situação, ampliando as dificuldades de manutenção. “Chegamos a promover duas lives/leilões e outros eventos de arrecadação de recursos, mas o cobertor é sempre curto”, observa Iaçanã. Ela acrescenta que, seguidamente, chegam auxílios de empresas e de pessoas na comunidade, sempre bem-vindas.

       Nesta quarta-feira (15), foi realizado o Jantar Farroupilha, para arrecadação financeira. “Ganhamos a carne para o churrasco e promovemos uma confraternização, com o duplo sentido de entretenimento e de receitas”, explica a diretora.

      Também têm sido acionadas como  fontes de recursos projetos que são aprovados através do Comdica. Do mesmo modo, recursos são liberados pelo Ministério Público do Trabalho e Fundo Social Sicredi. Esses repasses têm permitido melhorias e ampliações na infraestrutura do CFTV.  “É certo, porém, que as restrições da Covid-19 acaba impedindo eventos tradicionais que normalmente nos resultariam em apoios”, diz.

       Não chegaram a ser divulgados números, mas são muitas as despesas permanentes a serem pagas. Além da equipe de educadores, os desembolsos envolvem água, luz, internet e insumos de limpeza. Outro segmento significativo é o relativo à alimentação oferecida aos educandos. 

 




O aprendizado como exercício de cidadania.



       Voluntários exemplares

 

        A diretora Iaçanã Pires observa que muitas pessoas e empresas ajudam a instituição, anonimamente ou não. “São benemerências que nós agradecemos profundamente”.  Não há contribuições em caráter permanente, a não ser da própria mantenedora da Rede Verzeri.

       Ela, contudo, faz questão de citar e agradecer aos grupos de voluntários apoiadores da causa da instituição. Estão entre esses apoiadores os ‘Anjos Amigos’, ‘Piquete Her.eiros do Generoso e ‘Grupos de Pais”. Um dos parceiros, ainda, é o poeta Rodrigo Bauer, “sempre conosco e que nos auxiliou nas lives/leilões, durante o primeiro ano da pandemia, dando suas ideias e participações decisivas aos eventos realizados, para a sustentabilidade da instituição”.

       Outra voluntária destacada é a professora de música Sibele Kúcera Chaves, que auxilia há muitos anos na realização, a cada 15 dias, do chamado Bazar Solidário. A iniciativa vende, a valores simbólicos, desde roupas e calçados a livros e utensílios domésticos. O resultado das vendas reforça o caixa de manutenção do Tereza Verzeri.

     “Além da equipe de colaboradores, fundamental  em todas as ações realizadas pela instituição, temos o Juliano, que a cada semana dedica um dia para ajudar na manutenção da estrutura de atendimentos aos educandos. Iaçanã  ainda ressalta que as Irmãs Adelaide e Irene “são apoio indispensável  na parte espiritual e na condução da casa



 missão de construir futuros.

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