A
importância da
volta da
‘Rondinha’
Alberi Cogo
Valeu a pena o
longo tempo de espera. A realização da 29ª edição do festival Ronda de São
Pedro, neste final de semana, atendeu e até foi além das expectativas. Não
apenas por sinalizar a superação da pandemia, mas, sobretudo, por ter sido um
dos eventos mais qualificados da sua trajetória, até aqui. Se o repórter não
esteve presente e lhe faltam detalhes, ainda assim cabe o registro de ter
acompanhado à distância uma das maiores festas do nativismo em São Borja.
O resultado
final do festival é, emblematicamente, representativo. A definição dos
avaliadores – Gujo Teixeira, Odemar Gnegardt, Vantuir Cáceres, Marinez Siqueira
e Amigo Souza -, conferindo a catarinenses o prêmio principal do certame
musical, consolida a maturidade são-borjense além das fronteiras do Rio Grande
do Sul. A composição ‘Poema pra quem é de campo’, de Daniel Silva e sua
parceria, da cidade de Lages, consagra a ‘Rondinha’ como mostra cultural
maiúscula, densa e pluralmente diversificada. Não é por acaso, aliás, que o mesmo trabalho
garantiu a Otávio Lisboa o destaque de Melhor Letra e a Frederico Cardoso, o de
Melhor Melodia.
A espera também
valeu pelos retornos de ícones como Nenito Sarturi e Analise Severo (escolhida
melhor intérprete e como defensora do 2º lugar - ‘Pai nosso’) . Retorno
premiado, ainda, de Adair de Freitas (consagrado como 3º lugar com ‘Milonga,
alma e coração’.
O Centro
Nativista Boitatá, promotor do Ronda,
tem razões igualmente para comemorar os demais prêmios em um orçamento de R$
170 mil, assegurado pela lei estadual de incentivo à cultura. É preciso então
festejar os prêmios de Música Mais Popular (João Carlos Silva e seus
compositores, em ‘As garras da feras’). Do mesmo modo que é necessário celebrar
‘Tapera, campo e destino’, eleita como Melhor Arranjo, enquanto Renato Fagundes
foi premiado como Melhor Instrumentista.
Ainda é preciso comemorar
os apoios empreendidos por empresários , Prefeitura e Câmara de Vereadores à
realização da programação, nas noites de 24 e 25. Festejar igualmente o retorno
do público, libertando-se do Coronavírus. Os festivais nativistas normalmente
não reúnem grande público, mas a maturidade e grandeza consolidadas são a senha
de que o evento continuará crescendo ao longo dos anos subsequentes.

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