Especialista defende que as soluções
para Educação sejam nos municípios
Em mais um Dia do Professor, há pouco o que comemorar. Não bastassem
todas as demais razões, há também os gigantescos prejuízos à Educação trazidos
pela pandemia. São quase dois anos sem aulas presenciais ou apenas de ensino
híbrido. Ricardo Paes de Barros, um dos principais pesquisadores
brasileiros em pobreza e desigualdade e um dos idealizadores do programa Bolsa
Família, lançou luzes sobre este cenário
de escuridão, falando a GZH, no fim de semana. Ele considera que são sombrias as
perspectivas de futuro para as gerações afetadas pelo período de covid. O
especialista defende que o equacionamento dos déficits na Educação passa por um
programa de renda e com ações implementadas nos municípios.
Com
Mestrado e Doutorado em áreas de gestão
das relações sociais, Barros prevê que só um mutirão geral e eficiente
recupera as perdas da pandemia, mas ao longo de muitos anos. Do contrário, o
Brasil terá gerações sem preparo para enfrentar o futuro. Os problemas
principais são identificados em relação
a quem terminou o Ensino Médio no ano passado ou vai concluir em 2021. Outro
problema imenso é com o começo da Educação Básica, especialmente com a não
alfabetização das crianças.
Ricardo
Barros defende que, no caso dos concluintes do Ensino Médio, seja garantido um
auxílio como incentivo, efetivo, inclusive para inserção ao mercado de
trabalho. “O Auxílio Brasil – novo Bolsa Família – deve garantir um apoio per
capita de pelo menos R$ 200 aos 15% da população mais pobre”, defende Barros.
Na sua
avaliação, o país não gasta pouco em apoio aos mais pobres, mas gasta mal e
atendendo a outros interesses ou agregando penduricalhos, como a volta, agora,
do Auxílio Gás. Ressalta, ainda, que o dinheiro deve vir do governo federal,
entretanto a administração deve ser nos municípios. No caso da educação, as
secretarias municipais é que conhecem as famílias mais necessitadas. “Prêmio
precisa não quem ganha uma olimpíada de Português ou Matemática, mas aquele
aluno em maior vulnerabilidade”. O técnico diz que pessoas não podem ser apenas
um número e, nesse sentido, defende que os CRAS (Centros de Referência em
Assistência Social) é que devem gerir e
identificar quem é mais pobre e mais necessita de ajuda.
Mesmo
preconizando as ações executivas pelos
municípios, Ricardo Paes de Barros
ressalta que os programas de enfrentamento ao déficit educacional e à pobreza
devem ter políticas compartilhadas por União, estados e municípios. “Do mesmo
modo que os municípios organizam a fila da vacina e o enfrentamento à covid,
também devem agora encarar esse problema
igualmente grave.” Observa que o futuro ministro de Educação tem de ter
suficiente clareza e discernimento em
relação às reais demandas no setor. Como exemplos de nomes com esse perfil,
cita Paulo Renato (já falecido, Cristóvam Buarque e a atual secretária de
Educação do Rio Grande do Sul, Raquel Teixeira.
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