quarta-feira, 13 de outubro de 2021

EDUCALÇAO E POBREZA

 

Especialista defende que as soluções

para Educação sejam nos municípios

 

 

Ricardo Barros: "Municípios devem

organizar a fila como na vacina."

Em mais um Dia do Professor, há pouco o que comemorar. Não bastassem todas as demais razões, há também os gigantescos prejuízos à Educação trazidos pela pandemia. São quase dois anos sem aulas presenciais ou apenas de ensino híbrido. Ricardo Paes de Barros, um dos principais pesquisadores brasileiros em pobreza e desigualdade e um dos idealizadores do programa Bolsa Família, lançou luzes  sobre este cenário de escuridão, falando a GZH, no fim de semana. Ele considera que são sombrias as perspectivas de futuro para as gerações afetadas pelo período de covid. O especialista defende que o equacionamento dos déficits na Educação passa por um programa de renda e com ações implementadas nos municípios.

      Com Mestrado e Doutorado em áreas  de gestão das relações sociais,  Barros  prevê que só um mutirão geral e eficiente recupera as perdas da pandemia, mas ao longo de muitos anos. Do contrário, o Brasil terá gerações sem preparo para enfrentar o futuro. Os problemas principais são identificados  em relação a quem terminou o Ensino Médio no ano passado ou vai concluir em 2021. Outro problema imenso é com o começo da Educação Básica, especialmente com a não alfabetização das crianças.

     Ricardo Barros defende que, no caso dos concluintes do Ensino Médio, seja garantido um auxílio como incentivo, efetivo, inclusive para inserção ao mercado de trabalho. “O Auxílio Brasil – novo Bolsa Família – deve garantir um apoio per capita de pelo menos R$ 200 aos 15% da população mais pobre”, defende  Barros.

      Na sua avaliação, o país não gasta pouco em apoio aos mais pobres, mas gasta mal e atendendo a outros interesses ou agregando penduricalhos, como a volta, agora, do Auxílio Gás. Ressalta, ainda, que o dinheiro deve vir do governo federal, entretanto a administração deve ser nos municípios. No caso da educação, as secretarias municipais é que conhecem as famílias mais necessitadas. “Prêmio precisa não quem ganha uma olimpíada de Português ou Matemática, mas aquele aluno em maior vulnerabilidade”. O técnico diz que pessoas não podem ser apenas um número e, nesse sentido, defende que os CRAS (Centros de Referência em Assistência  Social) é que devem gerir e identificar quem é mais pobre e mais necessita de ajuda.

     Mesmo preconizando as ações executivas  pelos municípios,  Ricardo Paes de Barros ressalta que os programas de enfrentamento ao déficit educacional e à pobreza devem ter políticas compartilhadas por União, estados e municípios. “Do mesmo modo que os municípios organizam a fila da vacina e o enfrentamento à covid, também devem  agora encarar esse problema igualmente grave.” Observa que o futuro ministro de Educação tem de ter suficiente  clareza e discernimento em relação às reais demandas no setor. Como exemplos de nomes com esse perfil, cita Paulo Renato (já falecido, Cristóvam Buarque e a atual secretária de Educação do Rio Grande do Sul, Raquel Teixeira.  

      

 

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