Professores estaduais
perguntam:
E quando vai sair nosso
reajuste?
O recente investmento
anunciado para a área educacional pelo
governador Eduardo Leite não resolve o
dilema dos professores, há sete anos sem reajuste salarial. A categoria reclama
de uma defasagem de quase 50%. O último reajuste foi ao final do governo Tarso
Genro, em 2014. Depois, José Sartori honrou a reposição, mas os reajustes cessaram, começando a
tortura dos parcelamentos.
A
impressão que passa Eduardo Leite é que pretende melhorar os ganhos do
magistério gaúcho. Afinal, além do longo jejum, ele, Leite, quer ser candidato
a presidente da República. Há, porém, algumas pedras e incertezas no caminho. A atual política do piso salarial
nacional pode sofrer mudanças, e o governador espera por definições, inclusive
por que a correção seria expressiva a persistirem as regras atuais. O principal
obstáculo, porém, está no caixa do Tesouro do Estado.
A situação das finanças
do Rio Grande do Sul melhorou, mas a perspectiva é de queda na arrecadação de
ICMS em 2022. O motivo para a diminuição na principal fonte de receitas é a redução
de alíquotas do imposto, associada à possível alteração na forma de cobrança
sobre a gasolina. As perdas podem chegar a R$ 3 bilhões. Se
as regras do piso onal não forem alteradas, o reajuste aos professores será de
31% em 2022.
Se o piso continuar com as mesmas regras, o
impacto no RS é estimado em R$ 1,3 bilhão. Enquanto isso, o governo gaúcho deve
reduzir em cerca de R$ 2,2 bilhões a arrecadação com ICMS a partir de janeiro, com a volta das
alíquotas aos patamares de 2015.
Mais um complicador:
essas perdas ainda poderão ser ampliadas em pelo menos R$ 980 milhões, se a
cobrança do ICMS sobre combustíveis for alterada no Congresso Nacional. Os trabalhadores
em educação reclamam com sobra de razões, mas a justa reivindicação da
categoria ainda tem de vencer muitas incertezas e turbulências.
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