Diretor anuncia ações para aproximar
ainda mais a
Unipampa à comunidade
Ao completar 15 anos de atividades em São Borja, a Universidade Federal
do Pampa (Unipampa) confirma um conjunto de ações para deixar a instituição
ainda perto da comunidade. O diretor, Valmor Rhoden, informa que 10% das
atividades em todos os cursos oferecidos serão de interação com os
são-borjenses. Entre as ações, estão praças esportivas e a produção em hortas agroecológicas, que serão abertas ou em
parceria com a comunidade e suas entidades associativas.
Filho de um casal de pequenos agricultores do Oeste catarinense, Valmor
Rhoden é, aos 47 anos, detentor de uma
densa formação acadêmica. Graduado em Relações Públicas pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), em 1998,
depois realizou Mestrado em Extensão Rural na área de Comunicação, também pela
UFSM, em 2001. Tem Doutorado em Comunicação Social pela PUCRS, com conclusão em
2013. É Pós-Doutor em Educação pela UFSM,
curso concluído em 2018.
Coordenou o curso de Relações Públicas da
Facvest, em Lages-SC, de junho de 2003 a junho de 2009. Também coordenou o
curso de Relações Públicas da Unipampa/São Borja, de janeiro de 2012 a janeiro
de 2015. Coparticipante da criação da Agência Experimental de Relações
Públicas, em fevereiro de 2013. Integra a comissão de criação de rádio FM
educativa na universidade. Atuou na Especialização em Atividades Criativas e
Culturais, edição 2015. Professor Adjunto do curso de Relações Públicas da Unipampa
e ordenador do curso na instituição, de 2012 a 2014 e de 2019 a 2020.
Já publiquei quatro livros como autor e
participou de outros doze, escrevendo capítulos. Publicou dezenas de trabalhos em eventos e revistas
científicas. Integra o Grupo de Pesquisa Relações de Fronteira: história,
política e cultura na tríplice fronteira Brasil, Argentina e Uruguai. Empreendedorismo
em Comunicação é outra área de atuação, assim como o mundo digital. Atualmente é
diretor da Unipampa/São Borja, no
período 2021/25.
É casado com a psicóloga Juliana Lima Moreira Rhoden, também docente da
Unipampa local. O casal tem dois filhos - Douglas e Arthur. É também avô de Benjamim. Um dos orgulhos é ter
estudado em universidade federal, “a única possibilidade acadêmica e
profissional que tive” conta. Diz ter orgulho e gratidão, ainda, de ter se
utilizado do restaurante universitário e da casa do estudante, para realizar sua
graduação na UFSM, nos anos 1990.
Nesta entrevista ao BlogAlberiCogo, Valmor Rhoden também fala sobre o funcionamento da rádio FM da Unipampa.
Cita números para ressaltar a importância da universidade para a cidade e
informa que faz parte de uma comissão que redefine critérios sobre a criação de
novos cursos, inclusive em São Borja.
Alberi Cogo - Passados
15 anos da chegada da Unipampa a São Borja e à região, que balanço o senhor faz
sobre as principais realizações da universidade?
Valmor Rhoden
- A Unipampa já formou mais de 1.300
profissionais de diversas áreas do conhecimento, entre os cursos de graduação e
pós-graduação, nestes 15 anos do nosso campus.
AC - Como instituição federal, em que medida a Unipampa tem
sofrido reflexos da crise econômico-orçamentária e das opções de investimentos
das políticas governamentais?
VR - Os cortes no
orçamento da Educação crescem ano após ano. Em 2021, o corte foi de cerca de
20%. Só para trazer um elemento do porquê esta questão do orçamento é
importante. Temos, enquanto isso, hoje, mais que o dobro de alunos do que
tínhamos em 2013.
AC - Os últimos anos têm sido marcados por acirramentos e
polarização política. Esse contexto chega à Universidade e acarreta em entraves?
VR - Principalmente na questão
orçamentária isso se reflete e, consequentemente, lá na ponta, onde o ensino
acontece. Este ano, por exemplo, a instituição não teve problemas maiores em
função do ensino ainda estar remoto, mas se ano que vem voltarmos presencialmente,
a questão orçamentária precisa ser reestabelecida. O ensino tem de ser visto
pelo Estado como investimento, não como um gasto.
AC - Como instituição
pública multi-campi, a Unipampa oferece, em cada uma das suas 10 unidade,
cursos voltados a áreas mais específicas de atuação. É natural que, com o
tempo, a demanda vá se esgotando, com a consequente sobra de vagas. Tem como
resolver isso?
VR - Eu faço parte, desde abril, de
comissão de criação de novos cursos da instituição. Como ainda temos, neste
momento, cursos criados e com falta de docentes e campus com falta de técnicos,
é entendimento da comissão que isto precisa ser a atenção neste momento. Mas, na sequência, a comissão deve começar a criar
uma orientação para os novos cursos, com pesquisas e perspectivas de mercado
para estes novos cursos. Entre os itens e critérios, sempre levando em conta
também a estrutura do campus e o corpo docente já existente.
AC - A grade de cursos em São Borja é voltada à área de
Comunicação e de Ciências Humanas e Sociais. Em um município cuja matriz
econômica é o agronegócio, o senhor acha esse perfil adequado?
VR – Atualmente, nós formamos
alunos para atuarem em qualquer lugar. A porta de entrada numa instituição de
ensino é o ENEM e, neste sentido, formamos profissionais para o contexto local
e regional e também para todo o país. Na área da Comunicação, por exemplo, é
uma das que não havia muitos profissionais formados na região. Com a Unipampa,
essa realidade mudou. Agora é importante também que os empresários e o mercado
valorizem essa capacitação. É um processo conjunto. E assim é com todos os
cursos que ofertamos. O curso de Direito – nosso último criado, no formato
presencial -, foi uma demanda externa que o campus atendeu. Temos que ter o
cuidado porque nossos recursos são públicos e temos cursos na área do agro no
campus de Itaqui da Unipampa – cidade vizinha.
AC - Ao que se sabe, a Universidade tem uma ampla área à
disposição. E, em vista disso, há alguns anos foi cogitado um curso da área das
Ciências Agrárias. Isso continua sendo cogitado, considerando que a vizinha
Itaqui é que tem formação acadêmica no setor agrário?
VR - No momento, não. Justamente em
função do que respondi na questão anterior e também sobre a comissão de criação
de novos cursos.
AC - Quando instituída, a Universidade foi pensada para
estudar as relações da fronteira gaúcha, associando-as ao intercâmbio a países
vizinhos como Argentina e Uruguai. Temos projetos nesse sentido a serem
desenvolvidos?
VR - Sim, inclusive acordos de
cooperação estão sendo tratados, para dar conta disso. Inclusive temos um setor
na Unipampa que auxilia nesta questão que é a Daiinter.
https://sites.unipampa.edu.br/daiinter/ -
Diretoria de Assuntos Institucionais e
Internacionais
Recentemente a instituição
facilitou o trânsito de servidores entre as cidades de fronteira, incluindo São
Borja– Santo Tomé.
https://unipampa.edu.br/portal/unipampa-regulamenta-transito-de-servidores-em-cidades-gemeas-na-fronteira-do-rio-grande-do-sul
AC - Na sua avaliação, quais as principais ações transformadoras
até aqui implementadas pela Unipampa?
VR - A educação ajuda no
desenvolvimento local e regional, isso é fato. Sentir isso na plenitude é uma
questão de tempo, mas trago aqui alguns dados importantes que vão além da
questão de permitir cursos de graduação e pós-graduação, gratuitos e de
qualidade. É o que representa em termos econômicos na cidade. A Unipampa injeta na economia local mais de
R$ 1,6 milhão, entre bolsas, salários e
investimentos. Isso é dinheiro que fica em boa parte aqui. Isso sem contar o
que os alunos gastam na cidade. Nestes dias falava com um representante do
setor imobiliário local, e ele me dizia que, com a pandemia, a queda foi de cerca de 35%. Isso boa parte em
função do público universitário, que está acompanhando às aulas de forma remota,
à distância.
AC - Quando entra em funcionamento a rádio em FM da Unipampa
e como, em síntese, será sua linha de programação?
VR - A previsão é que seja ainda em
2022 o início do seu funcionamento. A rádio será educativa FM e vai ser
transmitida em 106,1 MHz. A programação ainda está em discussão com um grupo de
trabalho, que reúne técnicos e docentes da área, além de representantes da
reitoria.
AC - Como o senhor
avalia a resposta da comunidade são-borjense à Unipampa?
VR - Eu tenho muito orgulho em fazer parte do nosso campus há
mais de dez anos. Muito temos avançado nestes 15 anos e todos que estão aqui ou
passaram por aqui têm sua importância neste processo. Geralmente as pessoas que
criticam não conhecem a realidade. Por isso, fica o convite para que, antes de
qualquer juízo, venham e conheçam nosso campus, nosso trabalho, nossa estrutura.
Dou exemplo prático aos acadêmicos de Relações Públicas quando falo sobre a
imagem. Qual a imagem tua sobre a empresa x? Só posso ter uma imagem dela, se
tiver algum contato ou souber algo dela. Temos alguns projetos para cada vez mais
termos interação com a comunidade local. Deveremos ter um campo de futebol sete
e com pista de caminhada, no campus II. Será aberto para a comunidade. Se tudo
correr bem, ainda em 2022. Além disso, devemos iniciar uma horta comunitária
que, num primeiro momento, será para a comunidade acadêmica. Mas pretendemos ampliar também para a comunidade externa,
inclusive com capacitações, em parceria com várias entidades locais e o nosso
NEA (Núcleo de Estudo de Agroecologia) da instituição.
AC - Quais são os
planos pessoais e profissionais do diretor e professor Valmor?
VR – Eu com
o professor Thiago Sampaio e com Gustavo Carvalho estamos na gestão do campus,
desde fevereiro deste ano e vamos ficar quatro anos com este desafio. Em 2021
completo
uma década no campus e na cidade. Sabemos que serão muitos os desafios, mas
queremos uma Unipampa cada vez melhor e
isso faz com que cada um de nós dê seu melhor. Temos a inserção da Extensão.
que deverá ampliar a atuação do nosso campus na comunidade. Dez por cento da
carga horária de todos os cursos será com ações, eventos, projetos e programas
de extensão. Isso vai fazer com que
ONGs, entidades, associações e a comunidade em geral tenham docentes,
técnicos e acadêmicos
trabalhando mais próximos. Essas ações estarão atreladas ao ensino e
contribuindo com demandas locais e regionais.
Parabéns à Direção da Unipampa que desempenha um papel de fundamental importância para o desenvolvimento de São Borja e Região, bem como, na metade sul do Estado, nas cidades onde têm Campus. Parabéns, em especial, ao Professor Valmor Rhoden, pelo comprometimento com projetos que permitem a aproximação da Instituição com a comunidade regional. Sucesso à Unipampa!
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