sexta-feira, 29 de outubro de 2021

ENTREVISTA: João Pedro Daitx

 

 

Secretário fala do novo Plano Diretor: “A

meta é deixar tudo mais perto, mais fácil”

 


  • João Pedro Daitx: Em  São
  • Borja como "uma nova casa."


    O jovem engenheiro civil João Pedro Lopes Daitx é, aos 30 anos de idade, um dos destaques da equipe de primeiro escalão na administração municipal. Ele é,  desde o final o final de 2017, o secretário de Planejamento, Orçamento e Projetos de São Borja, depois de duas outras importantes funções na mesma pauta. Natural de Torres (RS), concluiu graduação, em 2014, pela UNESC–SC (Universidade do Extremo Sul Catarinense).      Desenvolve projetos complementares na iniciativa privada, nas áreas de arquitetura e de engenharia. Antes de atuar como secretário municipal, desempenhou atividades na Prefeitura como diretor de Planejamento Urbano e, na sequência, de coordenador  administrativo, cuidando da gestão das  compras e das licitações na administração municipal.

    Em 2021, com apoio das equipes da Prefeitura e da Fundatec, Daitx coordena uma das suas ações mais relevantes até aqui: a de atualização do Plano Diretor e do ordenamento urbano. Nesta entrevista ao BlogAlberiCogo, ele diz que “os são-borjenses vão ser ouvidos, mas a ideia é de tornar tudo mais perto, mais fácil, menos burocrática.” Ressalta que, em relação ao trânsito conflagrado e de ruas estreitas,  existem soluções.

  “Tendo passado por diversos setores na SMPOP, pude contribuir de forma efetiva na melhoria e no aprimoramento dos serviços prestados”, diz, com orgulho. João Pedro observa  que, “na condição de secretário, quero desenvolver projetos prospectando o futuro de São Borja, sempre com responsabilidade e zelo pela aplicação dos recursos público.”

       O secretário deixou o Litoral Norte gaúcho e veio  para cidade devido ao “sonho” de sua esposa em cursar Medicina. Explica que a  proximidade com a Argentina  trouxe os dois para a região: ele para trabalhar e ela para estudar no país vizinho. “Com coragem, enfrentamos o desafio de sair de um extremo do Estado e nos instalar em outro, sem ter laços com ninguém. Porém fomos muito bem recebidos e acolhidos. “Aqui também nos   sentimos em casa”, garante. Daitx é  filho de um casal de servidores públicos – a mãe professora e o pai funcionário dos Correios, ambos já aposentados. É o caçula  entre três  irmãos. Na entrevista, a seguir, o secretário  também aborda os projetos da Avenida Beira-Rio e do novo Museu Missioneiro no Cais do Porto. “Eles vão mudar São Borja.”

 

 

Alberi Cogo - Como secretário de Planejamento, Orçamento e Projetos, o senhor e sua equipe pensam a São Borja de hoje e do futuro. Com o apoio da Fundatec, contratada pela administração municipal, vai ser atualizado o Plano Diretor. De modo amplo, que mudanças principais são esperadas, já que há um longo período de defasagem a ser corrigido?

João Pedro Daitx - O que estamos buscando, juntamente com a equipe técnica municipal e da Fundatec, é uma legislação mais atual, com possibilidades de aprovação mais simples, menos burocrática e mais direta. Precisamos entender também que nossa legislação, apesar de antiga, não é totalmente ruim e muito do que vem sendo aplicado poderá ser mantido. Deve então ser reescrito, evitando margem de dúvidas para interpretações ou ainda  adaptado à realidade atual. O que queremos é uma lei clara e de fácil compreensão e aplicação,  de acordo com o que a sociedade precisa.

 

AC - Já está na Câmara de Vereadores para análise e votação, mandado pelo Executivo, projeto de lei complementar visando a um novo Código de Posturas. Que alterações mais relevantes devem ocorrer no código atual, ainda de 1970?

JPD - O Código de Posturas é uma lei muito ampla, portanto seria difícil decidir quais alterações seriam mais relevantes no universo de assuntos abordados, mas sem dúvidas o que se está buscando é uma legislação que valorize ainda mais a liberdade individual, trazendo mais autonomia para as pessoas. A legislação se estende de assuntos como o horário de funcionamento do comércio e serviços, ao uso das calçadas, sossego público, comércio popular, cemitérios, lixo, animais no perímetro urbano, entre outros.

 

AC -  Todos sabemos que os são-borjenses carregam uma herança cultural que dificulta a construção ou manutenção da própria calçado ou ainda conservar limpos os terrenos baldios. Outro problema é descartar lixo nas periferias. Isso tem solução?

JPD - Acredito que sim. Como na própria pergunta, é uma questão cultural e somente a educação neste sentido pode promover maiores mudanças.

 

AC -  O ordenamento urbano que deve sair do novo Plano Diretor deve ajustar rotinas como as de instalação de empresas, do parcelamento de solo e de mobilidade urbana.  O que esperar entre as novidades?

JPD - Neste sentido estamos desenvolvendo, inicialmente, o Plano com o conceito “tudo perto” com a intenção de permitir usos mistos ou compartilhados, respeitando sempre o sossego público. Porém, ainda estamos nos estudos internos. Tudo isso poderá ser melhor discutido e decidido pela população são-borjense em audiência pública.

 

AC -  São Borja, apesar de uma população relativamente pequena, tem uma ampla área urbana. Isso impõe a necessidade de o poder público levar para a periferia serviços como água, luz, telefone, internet, transporte pública, saúde, educação, segurança. Seria possível uma cidade mais concentrada e, portanto, mais barata para entrega dos serviços?

JPD - É possível. Porém para isso o poder público deveria intervir mais ainda na vida das pessoas, trazendo ferramentas como IPTU progressivo para áreas subutilizadas, ou outras que onerariam a comunidade. A intensão do novo Plano é justamente intervir menos e trazer a possibilidade de maior fomento de comércio e serviços nos bairros.

 

AC -  São Borja quando surgiu como núcleo urbano  optou por ruas estreitas e que, hoje, não conseguem atender, adequadamente, às demandas de circulação. O senhor tem alguma proposição para minimizar o impacto dessas dificuldades?

JPD - Dentro deste tema, existem diversas formas de atuarmos para melhorar o fluxo de veículos no município. Um deles é prever o alargamento das vias com os “recuos viários” que, no futuro, poderão ajudar a resolver. Outras soluções existem, como pavimentação em vias de pouco fluxo e melhor direcionamento, como aconteceu na Rua Bento Martins, entre outras e que estão melhorando a situação.

 

AC -  Secretário, quando terão início as obras do complexo de lazer, turismo e cultura na orla do rio Uruguai, a partir do Cais do Porto? Fale sobre as transformações que são projetadas.

JPD - Os projetos estão sendo analisados pelo corpo técnico do Badesul, banco que financiará o empreendimento. A transformação será  muito importante ao município, pois será mais um local de turismo e lazer. O complexo  contará com uma infraestrutura completa com drenagem, calçadas, iluminação adequada, ruas bem pavimentadas e  banheiros públicos. Além de trazer atrativos como pistas de caminhadas, ciclovia, praças, locais para alimentação e um mirante.

 

AC - Outro projeto grandioso será o de transferência do Museu Missioneiro para a área do Cais. Detalhes, por favor.

JPD - Este projeto ainda está em fase de detalhamento e busca de recursos. Será mais uma atração no complexo da Avenida Beira Rio. Terá uma Cruz Missioneira de grandes proporções que abrigará um mirante, além de ser a nova sede do Museu Missioneiro. Todo o empreendimento terá a temática missioneira compondo com os Sete Povos.

 

AC -  A atual administração Bonotto-Feltrin, através da equipe da sua secretaria, produziu um projeto para o Memorial dos Presidentes, para implantação na na Zona Sul. A confirmação de concursos ficou inviabilizada. Vai ser recolocado o pleito visando à obra?

JPD - O projeto foi desenvolvido e detalhado, e hoje compõe nosso banco de projetos; Certamente, existindo a possibilidade, poderá ser novamente apresentado, buscando viabilidade econômica para execução.

 

AC – São Borja tem, em 2021, um orçamento de R$ 226 milhões. O que esperar da peça orçamentária de 2022. Algum investimento importante definido?

JPD - Para o próximo exercício esperamos uma melhora no orçamento, motivada também pela retomada da economia após este período de pandemia. O governo estadual e federal já repassaram as projeções e, com isso, o nosso orçamento deverá crescer consideravelmente com relação a este ano. Porém, devido à visível inflação, boa parte destes recursos servirão para suportar os constantes aumentos de custos que estamos enfrentando.

 

AC – Quais são os plano de João Pedro Daitx em médio e longo prazo?

JPD - Espero continuar atuando na transformação de São Borja, deixando minha marca com trabalho e dedicação. O desejo é de  crescimento, de uma cidade melhor e uma sociedade mais desenvolvida.

 

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