sexta-feira, 30 de julho de 2021

DA CENA BRASILEIRA

 

Até o feijão com arroz!


     Não é de hoje que nós, brasileiros, nos queixamos da inflação dos alimentos. No período mais recente, porém, comer – e sobretudo comer bem – virou um grande dilema, um gigantesco desafio, especialmente às camadas mais pobres da população. A pandemia tem a ver com isso, entretanto não pode ser sentenciada como sendo ela a única culpada.

       É surreal, mas até o nosso prato mais típico – o tradicional  feijão com arroz –, está, para muita gente, inviável. Levantamento mostra que, entre março de 2020 e março de

 2021, estes dois itens básicos da nossa rotina  alimentar aumentaram de preço em mais de 60%.  Pagar mais de  oito reais por um quilo de feijão e em torno de  cinco por um quilo de arroz passou  a  ser  algo inacessível para uma grande parcela das nossas famílias.  Isso nos tira a chance da alimentação de costume e adequada, ao mesmo tempo  em que nos rouba a própria identidade. No caso em questão, portanto, até podemos nos alimentar, contudo deixamos de comer normalmente.

         E o feijão com arroz são apenas o exemplo mais representativo, contudo a lista é bem mais ampla. O óleo de cozinha e os hortifrutigranjeiros também estão ou estiveram nas alturas. O churrasco – símbolo da confraternização e dos nossos encontros – saiu da rotina  para muitas famílias brasileiras. Entre os  gaúchas a ausência é ainda mais impactante e sentida. Aves, ovos e carne suína passam a ser alternativas. Quando não, em casos extremos, ossos bovinos, viram solução para fazer sopa. Na atual conjuntura, não tem auxílio emergencial que dê conta.

       Na mesma escalada, vem o desenfreado aumento no preço dos combustíveis. Um botijão de gás de 13 quilos está bem acima dos cem reais. Quando possível, volta-se para o fogão a lenha. Entretanto, é uma prática em desuso, mais arriscada e, quando possível,  também  custa  caro. Já a   gasolina, o diesel e o etanol nunca estiveram com o seu valor tão alto como nos últimos tempos. A troca na direção e a promessa de  mudanças na estatal do setor não foram além de anúncios. Operadores do transporte falam em parar tudo no país.

        Para quem tem emprego ou outra forma certa de algum dinheiro, uma ginástica financeira permanente vai contornando a situação, mesmo não sendo fácil. Mas o que dizer e pensar de um quarto da população de compatriotas, sem nenhum ganho  formal ou mesmo na informalidade? É curioso  que nessas manifestações de rua,  contra e a favor, estes clamores sejam pouco  verbalizados. Não que isso garanta alguma solução, porém é um bom e ao mesmo tempo  dramático sinalizador da sangria social brasileira. E com as eleições de 2022 teremos a solução? Promessas, eu tenho certeza que sim!

 

 

 

 

 

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