quinta-feira, 8 de julho de 2021

ENTREVISTA: Eduardo Bonotto/presidente da Famurs

 

  Gestão compartilhada e  projetos de

  desenvolvimento  para cada região

 


Vindo da iniciativa privada e tendo sido duas vezes eleito prefeito de São Borja, Eduardo Bonotto tomou posse, na tarde desta quinta-feira (8/7), como novo presidente da Famurs (Federação das Associações dos Municípios do Rio Grande do Sul). Hoje com 40 anos, o jovem gestor foi inicialmente eleito à Prefeitura em 2016. Já em 2020 foi reeleito, consolidando uma marca histórica no município, como prefeito mais votado. Em um pleito de três chapas, obteve 67% dos votos. Em sua atuação  política, também já foi presidente da Associação dos Municípios da Fronteira Oeste (Amfro). Natural de São Borja, Bonotto é casado com Fernanda Bonotto e tem duas filhas - Maria Eduarda e Vitória. Nesta entrevista ao BlogAlberiCogo, o novo presidente da federação das associações municipais anuncia planos para a entidade e  promete administrar em favor de todos os prefeitos, assim como em defesa do municipalismo e do que preconiza a   Constituição Federal pelo  pacto federativo. Como garante gestão isonômica,  evitou temas mais polêmicos. Bonotto é o segundo são-borjense a presidir a Famurs. O primeiro foi Mariovane Weiss.

 

Alberi Cogo – O que move e motiva um jovem de 40 anos, duas vezes eleito prefeito de São Borja, a presidir agora a Famurs, instituição que reúne os 497 municípios ?

Eduardo Bonotto - Quero fazer a diferença e marcar positivamente a vida dos 497 municípios do Rio Grande do Sul. Tive a honra em ser escolhido de forma democrática pelo Progressistas (PP) como novo presidente da Federação que representa os 497 municípios do nosso de Estado. Quero deixar claro que serei o presidente de absolutamente todos os prefeitos, prefeitas, vice-prefeitos e vice-prefeitas dos municípios do nosso Rio Grande do Sul. Independentemente de ideologias ou de cores partidárias, quero deixar uma marca progressista na gestão.

O que me move são as ideias que quero transformar em ações como novo presidente da Famurs. Em nossa gestão, vamos construir na Famurs um plano de desenvolvimento para diferentes regiões do estado, em parceria com as 27 Associações Regionais de municípios. Nosso objetivo será trabalhar as diferentes potencialidades de cada região em parceria com os gestores públicos, entidades representativas, Assembleia Legislativa, Governo do Estado e universidades.

Os problemas que grande parte dos municípios gaúchos possuem em comum terão dedicação  máxima em nosso trabalho na Famurs, com a busca de soluções e esclarecimentos em temas como os regimes próprios de previdência, a questão do lixo, os hospitais de pequeno porte, a regionalização e referência na saúde, a busca por acessos asfálticos, a melhoria nas redes de internet, telefonia urbana e rural.

Ninguém faz nada sozinho. E com muita união, estaremos firmes com uma Famurs de portas abertas para os prefeitos e prefeitas do Rio Grande do Sul.

 

AC –   Em gestão de um ano e que será compartilhada com outros prefeitos e prefeitas de diferentes partidos políticos,  como o senhor implementará suas ações e quais serão as suas prioridades?

EB  -  Com o foco em manter permanentemente a Famurs de portas abertas ao municipalismo, vamos trabalhar para a criação de um banco de informações e soluções para agilizar respostas às demandas dos municípios. Dentro desta linha de prestação de serviços constante aos prefeitos gaúchos, também vamos desenvolver o programa “Famurs Conectada”. Um espaço ágil e interativo que vai servir para facilitar e conectar as demandas dos municípios gaúchos.

Vamos dar atenção especial também para o fortalecimento da Escola de Gestão Pública da Famurs. Com o desenvolvimento de cursos que busquem a qualificação de gestores e servidores das prefeituras gaúchas.

A construção de um novo Pacto Federativo que valorize os municípios também estará em nosso plano de gestão. Vamos trabalhar permanentemente na mobilização dos prefeitos gaúchos e realizar uma atuação forte ao lado da Confederação Nacional dos Municípios na busca por recursos e na defesa contra a extinção de pequenos municípios.

Os pequenos municípios vão ganhar com a nossa gestão na Famurs um departamento de assistência para que suas demandas sejam atendidas e resolvidas de maneira rápida e eficaz.

 

AC - O senhor imagina enfrentar alguma dificuldade, considerando que 2022 será ano de eleições gerais e que todas as siglas estarão em disputa?

EB - A pauta municipalista tem o poder de unir os prefeitos e prefeitas do Rio Grande do Sul. Nossa atuação terá como foco a união dos prefeitos. A Famurs é uma entidade pluripartidária que representa 27 Associações Regionais e 497 municípios do Rio Grande do Sul. Volto a dizer: Serei o presidente de absolutamente todos os prefeitos, prefeitas, vice-prefeitos e vice-prefeitas dos municípios do nosso Estado. Independentemente de ideologias ou cores partidárias, quero deixar uma marca progressista na gestão. Outro fator que terá a nossa luta e atenção será pela inclusão das demandas municipalistas nos Planos de Governo para as eleições de 2022, garantindo a busca por soluções para o municipalismo gaúcho.

Estaremos com apoio permanente ao lado da Confederação Nacional dos Municípios (CMN) na busca por recursos e no debate de pautas como as reformas administrativas e tributárias, privatizações, Pacto Federativo, obras de desenvolvimento e mobilizações de prefeitas e prefeitos.

Também vamos trabalhar no fortalecimento da imagem de prefeitas, prefeitos e vice-prefeitos aqui na Famurs. Vamos desenvolver a criação de programas em comunidades locais e apoiar o movimento da mulher municipalista, composto por prefeitas, vice-prefeitas e primeiras-damas.

 

AC - Como o senhor vai conciliar sua rotina de prefeito de São Borja e de presidente da Famurs?

EB - Quem me conhece sabe da minha grande disposição para trabalhar e fazer a diferença na vida dos moradores de São Borja e também dos moradores dos 497 municípios da Famurs. Acordo cedo e durmo tarde para poder contribuir e participar das demandas municipalistas. Vou atender tanto a Prefeitura de São Borja, como a Famurs, com total eenho e dedicação.

Recebi também com satisfação o comunicado da empresa Azul Linhas Aéreas para o início da venda das passagens para as oito novas rotas regionais no Rio Grande do Sul. Os municípios de Alegrete, Bagé, Canela, Erechim, Santa Cruz do Sul, Santa Rosa, São Borja e Vacaria foram contemplados. Ficamos felizes e, com muita, luta teremos São Borja como uma das rotas contempladas.

É um comunicado que fortalece os municípios do nosso interior do RS, através dos voos regionais, pois o projeto encurta distâncias e traz a geração de novas oportunidades para as regiões beneficiadas. Assim, com os voos regionais, conseguiremos em pouco tempo estar atendendo com total empenho e dedicação, tanto os projetos do nosso município de São Borja, como as pautas da Famurs. Trabalho e disposição sempre foram marcas que carreguei comigo e será assim durante todo o ano.

 

AC -  A Constituição Federal de 1988 no Brasil é a que, provavelmente, mais enfaticamente preconiza isonomia e equidistância entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário nas diversas esferas. Que avaliação faz o senhor desse modelo federativo, que, na prática, coloca os municípios como ‘primos-pobres da  federação?

EB - A Constituição Federal estabelece o pacto federativo como base de sustentação do sistema de governo compartilhado. A autonomia de cada ente da República é cláusula pétrea do texto constitucional. Contudo, na prática as sucessivas manobras legais têm retirado dos municípios o papel determinante de autogestão, especialmente na distribuição do bolo tributário.  A criação de mecanismos fiscais por parte da União como as contribuições, por exemplo, retiraram da receita local expressivos montantes que se concentraram em Brasília. A reforma tributária nada mais deveria ser do que a aplicação do texto constitucional aprovado em 1988.

 

AC -  A rotina administrativa normalmente coloca os gestores municipais de ‘pires na mão’ em Brasília, tentando recursos, ou gestionando verbas por emendas parlamentares. O senhor vê chances, em curto prazo, de alterações substanciais no atual modelo federativo?

EB - O modelo federativo deve ser aquele previsto na Constituição Federal. Temos previsão expressa inclusive de repartição mais justa da receita, mas sofreram manejos da União ao longo dos últimos 30 anos, reduzindo significativamente a transferência de recursos aos municípios . Estado e União produzem menos e apenas recebem os tributos. São os entes municipais que produzem juntamente com sua comunidade as riquezas da nação e são os menos favorecidos com o resultado do seu trabalho.

AC - O senhor tem se manifestado a favor da pré-candidatura do senador Heinze a governador do Estado. Eventualmente eleito, que ganhos o senhor espera para o futuro de São Borja?

EB - O senador Heinze está completamente preparado para governar o Estado do Rio Grande do Sul. É claro que por ser ex-prefeito de São Borja vai ajudar muito o nosso município e a nossa região. Temos uma forte ligação com o Heinze. Assim como já faz um grande trabalho como senador e está muito próximo do nosso município de São Borja. Nos ajuda muito com recursos que trazem desenvolvimento, saúde e geração de empregos para o nosso município.

Em 1992, o senador Heinze foi eleito como prefeito de São Borja, mesmo espaço que ocupo hoje com muita honra em meu município. Temos que lembrar também que o Heinze cumpriu cinco mandatos como deputado federal e fez uma votação histórica na conquista do Senado em 2018 com 2.316.365 votos (21,94% dos votos válidos).

Lembrando que no dia 14 de junho, o PP do Rio Grande do Sul lançou oficialmente a pré-candidatura do senador Heinze ao governo do Estado para a eleição de 2022, durante um evento com muitas lideranças no Hotel Embaixador, em Porto Alegre.

Recentemente estive em Brasília por intermédio do senador (Heinze), e nos encontramos com o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, para ajustar os últimos detalhes da documentação necessária para que o nosso hospital receba a chancela de Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon). O ministério vai avaliar a documentação e, dentro das próximas semanas, poderemos ter um atendimento em nossa São Borja, evitando assim, viagens longas e que dificultam o tratamento dos pacientes. Assim ficaremos cada vez mais perto de garantir a habilitação do atendimento em oncologia do Hospital Ivan Goulart. Este é um exemplo de ação que a proximidade com Heinze proporciona para São Borja. E sem dúvida, tendo o nosso Senador Heinze como governador do Estado teremos muitos frutos para São Borja e região.

 

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