sábado, 10 de julho de 2021

ARTIGO

 

Nas nossas mãos a

chave dos amanhãs!

 




Essa interminável pandemia que nos mantém encurralados também nos leva a pensar. Parece como no tempo em que as crianças eram postas de castigo, para refletirem. Andei me dando conta que, nos  últimos 300 anos, o homem mudou a face do planeta. Sobreveio a razão, floresceu a ciência, surgiram o capitalismo, a democracia e o socialismo, etc. Mudando ou permanecendo a criação, tudo foi fundamental para chegarmos até aqui.

Aos poucos, fomos moldando o mundo por meio deste caldo cultural de instituições, ideias e valores. Mais que isso: nestes três últimos séculos, com ênfase ao período mais recente, implementamos revoluções nunca antes vistas, em áreas como das tecnologias, das  comunicações em tempo real, da interconexão em escala planetária. 

    Assim, de um lado, somos hoje capazes de nos autodestruir, seja por uma guerra nuclear, seja por nosso comportamento predatório e ganancioso. Sob outro prisma, já temos amplas condições de atingir patamares dignos de qualidade de vida para todos.  Já podemos acabar com a pobreza sob todas as suas formas e em todos os lugares. Já podemos assegurar educação plena e inclusiva.  Podemos alcançar a igualdade de gênero, assim como assegurar gestão sustentável da água e do saneamento básico. E assim por diante.   

        Isso parece muito. E é. Entretanto, tudo indica que, apesar dos gigantescos avanços, não vamos cumprir as metas sociais estabelecidas para 2030 pela ONU. Se temos condições materiais e todas as técnicas necessárias, o que então falta para  que tenhamos uma sociedade mais humana, respeitosa e à altura dos demais rankings civilizatórios? A resposta não parece estar nas tecnologias, nas comunicações, nos avanços da ciência, nos algoritmos, na inteligência artificial, no 5G ou na internet das coisas.

   Os avanços e sua aplicação prática parecem revelar que o sonho de uma sociedade plural, livre e sustentável  é possível, sim. Mas não é apenas esta a chave que abre para os amanhãs O cerne dos nossos problemas e as soluções estão na essência do  ser humano, e não na máquina e todas as demais engenhocas à ela agregadas. 

Temos, pois, ainda, um longo percurso pela frente. De um lado, precisamos aperfeiçoar, de verdade, as instituições públicas e privadas, de modo que sejam abertas, acessíveis, plurais e eficientes.  De outro lado, precisamos promover uma cultura de fato mais democrática, inclusiva e humanista, sem esses mantras do toma-lá-dá-cá.

      A pandemia, infelizmente, mostra que muitos dos que deveriam ensinar não querem sequer aprender. A desgraça é, de per si, devastadora, mas fica ainda maior quando, de modo nefasto, também se presta para que dela tirem-se proveito e vidas alheias. Os desafios são imensos. Os últimos 300 anos demonstram que o ser humano é capaz de quase tudo. Todavia, ainda precisam ensinar a que  sejamos melhores. Os amanhãs dependem do nosso progresso moral e espiritual - sem máscaras e vernizes. Mas  teimamos em não apreender.

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