Nas nossas
mãos a
chave dos
amanhãs!
Essa interminável pandemia que nos mantém encurralados também
nos leva a pensar. Parece como no tempo em que as crianças eram postas de
castigo, para refletirem. Andei me dando conta que, nos últimos 300 anos, o homem mudou a face do
planeta. Sobreveio a razão, floresceu a ciência, surgiram o capitalismo, a
democracia e o socialismo, etc. Mudando ou permanecendo a criação, tudo foi
fundamental para chegarmos até aqui.
Aos poucos, fomos moldando o mundo por meio deste caldo
cultural de instituições, ideias e valores. Mais que isso: nestes três últimos
séculos, com ênfase ao período mais recente, implementamos revoluções nunca
antes vistas, em áreas como das tecnologias, das comunicações em tempo real, da interconexão
em escala planetária.
Assim, de um lado,
somos hoje capazes de nos autodestruir, seja por uma guerra nuclear, seja por
nosso comportamento predatório e ganancioso. Sob outro prisma, já temos amplas
condições de atingir patamares dignos de qualidade de vida para todos. Já podemos acabar com a pobreza sob todas as
suas formas e em todos os lugares. Já podemos assegurar educação plena e
inclusiva. Podemos alcançar a igualdade
de gênero, assim como assegurar gestão sustentável da água e do saneamento
básico. E assim por diante.
Isso parece
muito. E é. Entretanto, tudo indica que, apesar dos gigantescos avanços, não
vamos cumprir as metas sociais estabelecidas para 2030 pela ONU. Se temos
condições materiais e todas as técnicas necessárias, o que então falta
para que tenhamos uma sociedade mais
humana, respeitosa e à altura dos demais rankings civilizatórios? A resposta
não parece estar nas tecnologias, nas comunicações, nos avanços da ciência, nos
algoritmos, na inteligência artificial, no 5G ou na internet das coisas.
Os avanços e sua
aplicação prática parecem revelar que o sonho de uma sociedade plural, livre e
sustentável é possível, sim. Mas não é
apenas esta a chave que abre para os amanhãs O cerne dos nossos problemas e as soluções
estão na essência do ser humano, e não
na máquina e todas as demais engenhocas à ela agregadas.
Temos, pois, ainda, um longo percurso pela frente. De um
lado, precisamos aperfeiçoar, de verdade, as instituições públicas e privadas,
de modo que sejam abertas, acessíveis, plurais e eficientes. De outro lado, precisamos promover uma
cultura de fato mais democrática, inclusiva e humanista, sem esses mantras do toma-lá-dá-cá.
A pandemia,
infelizmente, mostra que muitos dos que deveriam ensinar não querem sequer
aprender. A desgraça é, de per si, devastadora, mas fica ainda maior quando, de
modo nefasto, também se presta para que dela tirem-se proveito e vidas alheias.
Os desafios são imensos. Os últimos 300 anos demonstram que o ser humano é
capaz de quase tudo. Todavia, ainda precisam ensinar a que sejamos melhores. Os amanhãs dependem do nosso
progresso moral e espiritual - sem máscaras e vernizes. Mas teimamos em não apreender.

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