‘Médica das almas’ vê pandemia
como uma chance
de evolução
“A leitura que faço de mim
diz-me que sou uma pessoa pronta ao aprendizado e aberta às inúmeras
possibilidades que possam ocorrer dentro de valores morais e éticos”. Assim autoavalia-se
a entrevistada de hoje do BlogAlberiCogo, a médica Ariane de Magalhães
Trindade, 67 anos (foto arquivo pessoal). Porém, mais do que uma dedicada
profissional da áreas da Saúde, essa
pelotense, há 41 anos vivendo em São Borja, é sobretudo uma “espiritualista”,
como se define; é uma autêntica médica de almas. “Não me dou bem com as
injustiças . Sofro com o desamparo social, financeiro, educacional e todas as consequências que se estabelecem
por descasos”, ressalta
Doutora Ariane, como a conhecemos, veio
para a cidade em 1980, após casamento com o colega de turma na Universidade
Federal de Pelotas (UFPel), o atual médico-cirurgião Marco Antônio Trindade.
Começou atendendo em consultório e realizando endoscopias digestivas no
Hospital Ivan Goulart (HIG). A seguir, fez pós-graduação em Saúde Pública. Em
1994, iniciou atendimentos através da Secretaria Municipal de Saúde, com atividades
de apoio a pacientes soro positivo, portadores de hepatite e de redução de
danos no quesito saúde. Em 2006 fui deslocada para atender na Unidade Básica de
Saúde (UBS) no bairro Betim. Em 2012 deixou a UBS, ao convite para ser médica
clínica na Clínica de Hemodiálise do HIG, onde permanece.
Atualmente,
Ariane Trindade mantém consultório no
Edifício Andradas, atuando como gastroenterologista e médica clínica. Já na Clínica Renal de Hemodiálise o
desempenho é como médica clínica geral.
Apesar das muitas atividades profissionais, “ em tempo integral sou mãe ,sogra
e avó de adoráveis criaturas”. O curso de Medicina concluiu em 1977, fazendo Residência Médica na Santa
Casa de Porto Alegre, unidade ligada à Fundação
de Gastroenterologia e Endoscopia
Digestiva (FUGAST).
O grande desejo
“Eu
gostaria de viver em um mundo sem ambições, vaidades, poderes, corrupções; um
mundo de respeito às diferenças individuais e sociais. Gostaria de ser um
instrumento de trabalho minimizando a dor do outro. Sou espiritualista; prefiro me ligar diretamente ao Criador, à natureza, ouvir os sons do universo, a ter
que seguir dogmas religiosos . Somos
todos um! Dentro desse conceito,
trabalho na Associação Espírita Allan Kardec, bairro Pirahy, minha segunda família”.
A pedagogia da pandemia
“A pandemia é uma tragédia.
E, como tal, abriu feridas lastimáveis. Porém obrigou a novos comportamentos e
entendimentos tecnológicos, solidários, reflexões pessoais e coletivas. Nos
tirou, quem sabe, de uma zona de conforto, convidando a nos reinventar. Sairemos
diferentes, sim, mais fortes e mais generosos. Aprendemos que não precisamos de
muito para viver. Aprendemos a conviver com familiares próximos, a cuidar de
nossos filhos e que a riqueza enfrente a doença, nos torna todos iguais. Descobrimos
habilidades em nós. Penso que as nações estão sabendo lidar com as questões que
surgem, tudo é novo e experimental, é muito difícil.
Sobre os desvios morais
“A imperfeição, a ambição e o desconhecimento de ética
ainda existem no ser humano. Por isso, nos deparamos com aproveitadores de
ocasiões querendo enriquecer, desviando recursos, encarecendo medicações e
matéria bruta para sustentar a crise. Lamentável. Esses são assassinos, parasitas,
sugadores das sociedades”.
Não morremos antes da hora
“O luto e a morte são
fenômenos naturais , nos acompanham desde nossos nascimentos e ainda não
sabemos lidar com eles. A morte só acontece com o corpo físico. O espírito é
imortal; ninguém morre. Muda-se de estado, do físico para o etéreo. Fica o
vazio da partida, que deve ser preenchido pela gratidão da oportunidade de
convivência que existiu. Seria bom pensarmos que quem vai, foi promovido,
ficará em outo país, fazendo o que gosta, estudando, trabalhando, passeando,
sem as doenças e limitações que o corpo estabelece. Que a através da mente nos
comunicamos e que à noite nos
encontramos para o abraço e para pôr o resto da conversa em dia Acredito que nascemos com uma” bateria”, com tempo de
vida; quando ela acaba, vamos . É necessária uma causa para a partida,
geralmente é uma doença ou acidente; agora foi um vírus. A doutrina espírita diz
que não morremos antes da hora”.
Dor como instrumento de
evolução
“A dor é instrumento de
aprendizado, pois quando tudo está
suportável, nada fazemos para evoluir. A dor nos estimula à fé, à
religiosidade, mostra nossa fragilidade. Ela nos diz que
o que a Terra oferece não é mais
suficiente para aliviar nosso pranto. Incapazes, erguemos os olhos ao Pai, pedindo
misericórdia. O sofrimento não deve ser visto como castigo. Isso não existe,
vindo do Pai, mas é estímulo à evolução de cada um. Não precisaria existir a
dor e não existirá mais quando a humanidade também se tornar mansa e
misericordiosa!”.
Seremos melhores
“Seremos todos outros após
a pandemia, cada um em cima do
aprendizado que fez. Somos seres humanos em diversos graus de evolução; assim
cada um desperta a seu tempo e em momentos diferentes. Essa compreensão nos faz
mais tolerantes , pacientes e amigos”.
Na falta de fé, tudo piora
“A falta de conhecimento,
de segurança e a necessidade de itens básicos à sobrevivência, assim como a falta de fé nos tornam pessoas
vulneráveis a maiores sofrimentos. As emoções e seu não controle nos adoecem; as pessoas é que se desequilibram,
necessitando de terapias e medicações para evitar desespero maior e suicídio. A
pandemia desestabilizou muitos. A procura de medicação amentou
consideravelmente. Infelizmente, vemos como todos suportam pouco a dor. Entendo
que isso seja falta de fé, de religião”.
Tudo está certo!
“É preciso acreditar em uma
energia maior, que a todos nós sustenta.
logo, tudo está certo. Nas linhas tortas do Pai, tudo está certo. Nossa
felicidade e nossas dores respondem a
uma lei universal de ação e reação, onde iguais se atraem”.

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