sexta-feira, 23 de julho de 2021

ENTREVISTA: Ariane de Magalhães Trindade


‘Médica das almas’ vê pandemia

como uma  chance de evolução

 


“A leitura que faço de mim diz-me que sou uma pessoa pronta ao aprendizado e aberta às inúmeras possibilidades que possam ocorrer dentro de valores morais e éticos”. Assim autoavalia-se a entrevistada de hoje do BlogAlberiCogo, a médica Ariane de Magalhães Trindade, 67 anos (foto arquivo pessoal). Porém, mais do que uma dedicada profissional da áreas da  Saúde, essa pelotense, há 41 anos vivendo em São Borja, é sobretudo uma “espiritualista”, como se define; é uma autêntica médica de almas. “Não me dou bem com as injustiças . Sofro com o desamparo social, financeiro, educacional  e todas as consequências que se estabelecem por descasos”, ressalta

      Doutora Ariane, como a conhecemos, veio para a cidade em 1980, após casamento com o colega de turma na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), o atual médico-cirurgião Marco Antônio Trindade. Começou atendendo em consultório e realizando endoscopias digestivas no Hospital Ivan Goulart (HIG). A seguir, fez pós-graduação em Saúde Pública. Em 1994, iniciou atendimentos através da Secretaria Municipal de Saúde, com atividades de apoio a pacientes soro positivo, portadores de hepatite e de redução de danos no quesito saúde. Em 2006 fui deslocada para atender na Unidade Básica de Saúde (UBS) no bairro Betim. Em 2012 deixou a UBS, ao convite para ser médica clínica na Clínica de Hemodiálise do HIG, onde permanece.

      Atualmente, Ariane Trindade mantém  consultório no Edifício Andradas, atuando como  gastroenterologista e médica  clínica. Já na Clínica Renal de Hemodiálise o desempenho  é como médica clínica geral. Apesar das muitas atividades profissionais, “ em tempo integral sou mãe ,sogra e avó de adoráveis criaturas”. O curso de Medicina concluiu  em 1977, fazendo Residência Médica na Santa Casa de Porto Alegre, unidade ligada à Fundação  de Gastroenterologia e  Endoscopia Digestiva (FUGAST).

 

 O grande desejo

 “Eu gostaria de viver em um mundo sem ambições, vaidades, poderes, corrupções; um mundo de respeito às diferenças individuais e sociais. Gostaria de ser um instrumento de trabalho minimizando a dor do outro. Sou espiritualista;  prefiro me ligar diretamente ao Criador,  à natureza, ouvir os sons do universo, a ter que  seguir dogmas religiosos . Somos todos um! Dentro desse conceito,  trabalho na Associação Espírita Allan Kardec, bairro Pirahy, minha  segunda família”.

 

A pedagogia da pandemia

“A pandemia é uma tragédia. E, como tal, abriu feridas lastimáveis. Porém obrigou a novos comportamentos e entendimentos tecnológicos, solidários, reflexões pessoais e coletivas. Nos tirou, quem sabe, de uma zona de conforto, convidando a nos reinventar. Sairemos diferentes, sim, mais fortes e mais generosos. Aprendemos que não precisamos de muito para viver. Aprendemos a conviver com familiares próximos, a cuidar de nossos filhos e que a riqueza enfrente a doença, nos torna todos iguais. Descobrimos habilidades em nós. Penso que as nações estão sabendo lidar com as questões que surgem, tudo é novo e experimental, é muito difícil.

 

Sobre os desvios morais

“A imperfeição, a ambição e o desconhecimento de ética ainda existem no ser humano. Por isso, nos deparamos com aproveitadores de ocasiões querendo enriquecer, desviando recursos, encarecendo medicações e matéria bruta para sustentar a crise. Lamentável. Esses são assassinos, parasitas, sugadores das sociedades”.

 

Não morremos antes da hora

“O luto e a morte são fenômenos naturais , nos acompanham desde nossos nascimentos e ainda não sabemos lidar com eles. A morte só acontece com o corpo físico. O espírito é imortal; ninguém morre. Muda-se de estado, do físico para o etéreo. Fica o vazio da partida, que deve ser preenchido pela gratidão da oportunidade de convivência que existiu. Seria bom pensarmos que quem vai, foi promovido, ficará em outo país, fazendo o que gosta, estudando, trabalhando, passeando, sem as doenças e limitações que o corpo estabelece. Que a através da mente nos comunicamos e que à  noite nos encontramos para o abraço e para pôr o resto da conversa em dia   Acredito  que nascemos com uma” bateria”, com tempo de vida; quando ela acaba, vamos . É necessária uma causa para a partida, geralmente é uma doença ou acidente;  agora foi um vírus. A doutrina espírita diz que  não morremos antes da hora”.

 

Dor como instrumento de evolução

“A dor é instrumento de aprendizado, pois quando tudo está  suportável, nada fazemos para evoluir. A dor nos estimula à fé, à religiosidade, mostra nossa fragilidade. Ela  nos diz que  o que a Terra  oferece não é mais suficiente para aliviar nosso pranto. Incapazes,  erguemos os olhos ao Pai, pedindo misericórdia. O sofrimento não deve ser visto como castigo. Isso não existe, vindo do Pai, mas é estímulo à evolução de cada um. Não precisaria existir a dor e não existirá mais quando a humanidade também se tornar mansa e misericordiosa!”.

Seremos melhores

“Seremos todos outros após a pandemia,  cada um em cima do aprendizado que fez. Somos seres humanos em diversos graus de evolução; assim cada um desperta a seu tempo e em momentos diferentes. Essa compreensão nos faz mais tolerantes , pacientes e amigos”.

 

Na falta de fé, tudo piora

“A falta de conhecimento, de segurança e a necessidade de itens básicos à sobrevivência,  assim como a falta de fé nos tornam pessoas vulneráveis a maiores sofrimentos. As emoções e seu não controle nos adoecem;  as pessoas é que se desequilibram, necessitando de terapias e medicações para evitar desespero maior e suicídio. A pandemia desestabilizou muitos. A procura de medicação amentou consideravelmente. Infelizmente, vemos como todos suportam pouco a dor. Entendo que isso seja falta de fé, de religião”.

 

 Tudo está certo!

“É preciso acreditar em uma energia maior,  que a todos nós sustenta. logo, tudo está certo. Nas linhas tortas do Pai, tudo está certo. Nossa felicidade e  nossas dores respondem a uma lei universal de ação e reação, onde iguais se atraem”.

 

 

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