sexta-feira, 2 de julho de 2021

ENTREVISTA: Neronei de Medeiros Cargnin

 

               Presidente da Acisb acha que o pior da já crise passou

O empresário são-borjense Neronei de Medeiros Cargnin, 54 anos, atual presidente da Acisb (a mais ampla entidade representativa do empresariado no município, abrangendo os setores do comércio, indústria, serviços e agropecuária) avalia as atuais dificuldades e as perspectivas em função da pandemia do coronavírus. Ele considera que a atividade produtiva se reinventa e se recupera.  Em entrevista ao BlogAlberiCogo, ele relata o quadro de dificuldades, mas é otimista em relação ao futuro e à superação. Cargnin conta que trabalha desde os sete ano e, desta forma, os desafios não o assustam. “Comecei como vendedor de pasteis, picolés, verduras e jornais. Nas  horas vagas juntava recicláveis para vender”, conta. Aos 12 anos, montou uma oficina de bicicletas e, depois, dos 14 aos 19, trabalhou na Prefeitura aprendendo ser pintor.

Após, trabalhou dois anos no Banco do Brasil e, em sequência, na Crediborja e no Sicredi. Atualmente,  é proprietário de uma empresa de informática e, no início do ano, foi eleito presidente da Acisb, tendo também dirigido a Câmara de Diretores Lojistas (CD). Neronei aposta nas reformas do Plano Diretor da cidade e vê boas alternativas na indústria do município.

 



Alberi Cogo -  A pandemia da Covid ainda persiste, mas, até aqui, é possível mensurar os prejuízos principais já provocados nos setores de atividades abrangidos pela Acisb? É muito difícil quantificar valores, um montante?

Neronei Cargnin -  O  comércio em geral sofreu uma queda em torno de 30%, porém o agronegócio cresceu na produção de grãos, e assim como houve a valorização dos produtos. Isso compensou a crise no comércio local. O incremento dado pelo governo federal, em relação aos auxílios emergenciais, injetou na economia local um valor aproximado de R$ 5 milhões por mês. Além disso,  os Pronampes liberados para dar fôlego às empresas, em valores bem expressivos, também ajudaram. Porém, sem dúvida que temos grandes prejuízos nos segmentos de eventos, restaurantes, hotéis e turismo.           



AC -  O senhor e a sua entidade têm levantamento ou estimativa sobre o número de empresas que cessaram ou desaceleram atividades em São Borja? E ainda sobre as vagas de empregos que foram fechadas?

NC - Nossa cidade se diferenciou na pandemia, pois tivemos mais empresas estabelecidas do que com atividades encerradas. Sobre a desaceleração, no período crítico da pandemia ficou dentro da normalidade, devido às restrições.

 

AC -  A crise normalmente impõe reinvenção, criatividade. Nota-se que, enquanto empresas fecharam, outras surgiram. O senhor pode detalhar melhor esse cenário?

NC -  Na crise sempre surgem oportunidades e todo empreendedor está constantemente em busca de novos desafios.

 

AC -  Diante dos impactos da pandemia, foi criado um Comitê de Gestão Econômica, com participação da Acisb. Que medidas mais relevantes estão pensadas e são possíveis de serem implementadas?

NC - Foi realizado um projeto de organização financeira através de informações de linhas de créditos disponíveis pelos governos federal e estadual, e também foram disponibilizados treinamentos na área econômica, porém não se realizaram devido à impossibilidade das aglomerações.

 

AC -  Com a crise sanitária e o fechamento do comércio, as vendas online, por tele-entrega ou do tipo pegue-e-leve foram a salvação. As vendas por meios digitais, canais remotos, vão permanecer?

NC -  Isso tudo foram inovações para o enfrentamento  da pandemia, mas, sem dúvida alguma, o comércio online vai permanecer. É uma  tendência geral. Assim, o comércio local está cada vez mais aderindo às plataformas digitais.

 

AC - De parte dos governos federal, estadual e municipal, que medidas de apoio esperam os empresários?

NC - Já foram recebidas linhas de créditos com carências e taxas juros menores do que as praticadas no mercado financeiro, assim como a negociação da jornada de trabalho, das férias e a flexibilização do banco de horas. No mais, cada empresário tem que se reinventar.


AC - O senhor arrisca uma projeção de quando os patamares de venda voltarão à normalidade?
NC -  Já estão dentro de uma normalidade, com exceção ao turismo e eventos, que estão retomando devagar. Á  medida, contudo, que for avançando a vacinação e diminuindo as restrições, devem se normalizar.

 

AC - A presença de grandes redes regionais ou nacionais ajuda ou atrapalha?  
NC -  Essa é uma tendência de mercado que contribui para geração de empregos e rendas, mas, sem dúvida, que não é bom para os pequenos segmentos.

 

AC - A Prefeitura estuda a revisão do seu Plano Diretor, incluindo ajustes nas políticas de mobilidade na cidade,  parcelamento de solo e reexame de todo o ordenamento urbano.  Que mudanças principais pretendem a Acisb e o empresariado?

NC - Este é um trabalho minucioso e completo, ainda não temos como opinar, mas estamos atentos a fim de contribuir para uma visão que irá beneficiar o nosso desenvolvimento.

          
AC - Fala-se, há tempo, na criação de um Distrito Industrial para São Borja. Em que medida a iniciativa, uma vez adotada, estimula a produção no setor em um município essencialmente agropecuário?

NC -  Estamos trabalhando forte nisso, mesmo sendo um município economicamente voltado para o agronegócio. É  certo que podemos desenvolver a implantação de fábrica de rações para gado, frigoríficos, embutidos e implementos agrícolas,  por exemplo. Podemos contribuir para a organização de empresas locais como indústrias de pré-moldados, serralherias, serrarias, marcenarias, fabricação de tijolos e aí por diante. Pode ainda haver apoio às indústrias de beneficiamento de arroz.

 

 

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