Presidente da Acisb acha que o pior da já crise passou
O empresário são-borjense Neronei de Medeiros Cargnin, 54
anos, atual presidente da Acisb (a mais ampla entidade representativa do
empresariado no município, abrangendo os setores do comércio, indústria,
serviços e agropecuária) avalia as atuais dificuldades e as perspectivas em
função da pandemia do coronavírus. Ele considera que a atividade produtiva se
reinventa e se recupera. Em entrevista
ao BlogAlberiCogo, ele relata o quadro de dificuldades, mas é otimista em
relação ao futuro e à superação. Cargnin conta que trabalha desde os sete ano
e, desta forma, os desafios não o assustam. “Comecei como vendedor de pasteis,
picolés, verduras e jornais. Nas horas
vagas juntava recicláveis para vender”, conta. Aos 12 anos, montou uma oficina
de bicicletas e, depois, dos 14 aos 19, trabalhou na Prefeitura aprendendo ser
pintor.
Após, trabalhou dois anos no Banco do Brasil e, em sequência,
na Crediborja e no Sicredi. Atualmente,
é proprietário de uma empresa de informática e, no início do ano, foi
eleito presidente da Acisb, tendo também dirigido a Câmara de Diretores
Lojistas (CD). Neronei aposta nas reformas do Plano Diretor da cidade e vê boas
alternativas na indústria do município.
Alberi Cogo
- A pandemia da Covid ainda persiste,
mas, até aqui, é possível mensurar os prejuízos principais já provocados nos
setores de atividades abrangidos pela Acisb? É muito difícil quantificar
valores, um montante?
Neronei Cargnin
- O comércio em geral sofreu uma queda em torno de
30%, porém o agronegócio cresceu na produção de grãos, e assim como houve a
valorização dos produtos. Isso compensou a crise no comércio local. O
incremento dado pelo governo federal, em relação aos auxílios emergenciais,
injetou na economia local um valor aproximado de R$ 5 milhões por mês. Além
disso, os Pronampes liberados para dar
fôlego às empresas, em valores bem expressivos, também ajudaram. Porém, sem
dúvida que temos grandes prejuízos nos segmentos de eventos, restaurantes,
hotéis e
turismo.
AC - O senhor e a sua entidade têm
levantamento ou estimativa sobre o número de empresas que cessaram ou
desaceleram atividades em São Borja? E ainda sobre as vagas de empregos
que foram fechadas?
NC - Nossa
cidade se diferenciou na pandemia, pois tivemos mais empresas estabelecidas do
que com atividades encerradas. Sobre a desaceleração, no período crítico da
pandemia ficou dentro da normalidade, devido às restrições.
AC - A crise normalmente impõe reinvenção,
criatividade. Nota-se que, enquanto empresas fecharam, outras surgiram. O
senhor pode detalhar melhor esse cenário?
NC - Na crise sempre surgem oportunidades e todo
empreendedor está constantemente em busca de novos desafios.
AC - Diante dos impactos da pandemia, foi criado um
Comitê de Gestão Econômica, com participação da Acisb. Que medidas mais
relevantes estão pensadas e são possíveis de serem implementadas?
NC - Foi
realizado um projeto de organização financeira através de informações de linhas
de créditos disponíveis pelos governos federal e estadual, e também foram
disponibilizados treinamentos na área econômica, porém não se realizaram devido
à impossibilidade das aglomerações.
AC - Com a crise sanitária e o fechamento do
comércio, as vendas online, por tele-entrega ou do tipo pegue-e-leve foram
a salvação. As vendas por meios digitais, canais remotos, vão permanecer?
NC - Isso tudo foram inovações para o
enfrentamento da pandemia, mas, sem
dúvida alguma, o comércio online vai permanecer. É uma tendência geral. Assim, o comércio local está
cada vez mais aderindo às plataformas digitais.
AC - De parte
dos governos federal, estadual e municipal, que medidas de apoio esperam os empresários?
NC - Já foram
recebidas linhas de créditos com carências e taxas juros menores do que as
praticadas no mercado financeiro, assim como a negociação da jornada de
trabalho, das férias e a flexibilização do banco de horas. No mais, cada
empresário tem que se reinventar.
AC - O senhor arrisca uma projeção de quando os patamares de venda voltarão à
normalidade?
NC - Já estão dentro de uma normalidade, com
exceção ao turismo e eventos, que estão retomando devagar. Á medida, contudo, que for avançando a vacinação
e diminuindo as restrições, devem se normalizar.
AC - A
presença de grandes redes regionais ou nacionais ajuda ou
atrapalha?
NC - Essa é
uma tendência de mercado que contribui para geração de empregos e rendas, mas,
sem dúvida, que não é bom para os pequenos segmentos.
AC - A
Prefeitura estuda a revisão do seu Plano Diretor, incluindo ajustes nas
políticas de mobilidade na cidade, parcelamento de solo e reexame de todo
o ordenamento urbano. Que mudanças principais pretendem a Acisb e o
empresariado?
NC - Este é um
trabalho minucioso e completo, ainda não temos como opinar, mas estamos atentos
a fim de contribuir para uma visão que irá beneficiar o nosso desenvolvimento.
AC - Fala-se, há tempo, na criação de um Distrito Industrial para São Borja. Em
que medida a iniciativa, uma vez adotada, estimula a produção no setor em um
município essencialmente agropecuário?
NC - Estamos
trabalhando forte nisso, mesmo sendo um município economicamente voltado para o
agronegócio. É certo que podemos
desenvolver a implantação de fábrica de rações para gado, frigoríficos,
embutidos e implementos agrícolas, por
exemplo. Podemos contribuir para a organização de empresas locais como indústrias
de pré-moldados, serralherias, serrarias, marcenarias, fabricação de tijolos e
aí por diante. Pode ainda haver apoio às indústrias de beneficiamento de arroz.

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