quinta-feira, 1 de julho de 2021

Lavouras: quase R$ 1 bi ba economia de São Borja

 

        Adversidades do clima  normalmente impactam, de maneira irremediável, a produção da agricultura. Foi o que aconteceu, no ciclo 2020/21, com a lavoura de soja em São Borja. Em plena pandemia, porém, é o agronegócio que tem salvado a economia local (e do país) de um colapso ainda maior. Uma conta simples, apenas considerando as três safras principais - de arroz e de soja, já colhidas, e projetando a futura colheita de trigo -, o município deverá acumular faturamento bruto de algo como R$ 935.313.000,00  – bem mais que a metade de todo seu  o PIB (Produto Interno Bruto).

        Não estão incluídas aqui as culturas de menor expressão, mas também em fase de expansão. A lavoura de milho é um bom exemplo. Igualmente não é considerada a atividade pecuária, sabidamente de importância fundamental no contexto da geração econômica local.  Os registros, mesmo empíricos, mostram o tamanho e a importância do agronegócio, do mesmo modo lançam luzes que a vocação de São Borja para o setor.

 

         Arroz: recordes

       



Mesmo que tenha diminuído a área de plantio para 36.889 hectares – há alguns anos foram 50 mil - , a lavoura orizícola bateu recordes de produtividade e de  rendimentos aos produtores. A unidade local do Irga confirma 9.253 quilos colhidos por hectare, em média, contra os 8.667 quilos por hectare no ciclo 19/20. Este ano, foram 185 sacos por hectare, na média,  segundo contabiliza o diretor da unidade local do  instituto, Roger Portela.

       Feitos os cálculos, tem-se no município uma produção de  6.824.465 sacas de arroz.  Já fazenda uma média (modesta) de R$ 68,00 a saca, chega-se a um faturamento de R$ 464.063.620,00.  O custo de produção aumentou 14% em relação ao ciclo anterior, conforme o instituto, mas a boa produtividade e os bons preços compensaram.

      Portela explica que a fase inicial do ano orizícola 2020/21 foi difícil. Insuficiência e má-distribuição de chuvas durante toda a primeira. Além da dificuldade de implantação e manejo da lavoura, os mananciais de irrigação não conseguiram se recuperar. A compensação veio em janeiro e fevereiro, na fase reprodutiva do arroz: alta luminosidade e temperatura, traduzida em resultados.

 

      Soja castigada

      A história da agricultura da São Borja Capital da Produção registra que, entre os anos 1970 e 1980, o município plantou, em algumas safras, 120  mil hectares de soja e igual área de trigo. Depois os números foram minguando, gradativamente. Na safra de soja 20/21, um novo recorde nas últimas décadas: o município semeou 75 hectares mil hectares com a oleaginosa.

        O clima, porém - sempre imprevisto  - estragou a festa.  A Emater calcula que a produtividade que deveria ser de pelo menos 50 sacos por hectare, ficou somente em cerca de 35, em média. Isso que, conforme o técnico agrícola Clóvis Schwengberg, uns10 mil hectares tiveram plantio irrigado e renderam bem mais que as áreas convencionais.

       Para a soja choveu pouco e de maneira heterogênea, alterando quase normalidade e secura conforme a região do município. Resultado:  nos 75 mil hectares plantados,  só foram colhidas 2.625.000 sacas do grão. A receita bruta, considerando média de preço de R$ 150,00 a saca, foi de R$ 393.759,000,00.  A grande aposta dos sojicultores, muitos deles vindos de outros municípios e regiões, foi o boom das cotações no mercado internacional.  A pandemia fez crescer a demanda e aquecer os preços.

       A cotação do dólar – um dos balizadores – começou a cair. O técnico da Emater diz que produtores fizeram apostas a longo prazo, para 2022, considerando remuneração nunca alcançada pela soja até aqui. O mercado, porém, passa a ser uma incógnita. Os consumidores também ficam de olho, porque o mercado aquecido e demandante produziu, como uma das consequências, a alta inflação dos alimentos.

       

        Trigo, a esperança

         Aos poucos os produtores vão refazendo suas esperanças também em relação ao trigo.   As cotações são consideradas satisfatórias e o clima deve ajudar. Em ano de neutralidade climática em relação ao El Niño e à La Niña, a expectativa é de um ano normal para a cultura tritícola. No ano passado, as geadas dizimaram 50% das lavouras.

      São Borja está longe dos 120 mil hectares do passado, mas para um município que reduziu a área em 10 vezes, ficando nos 12 mil hectares, 2021 mostra bons progressos. A lavoura de trigo que, no ano passado, semeou 16 mil hectares, aumenta este ano para pelo menos 20 mil, incremento de 25%.  Ainda faltam ser semeados 5%, mas a Emater trabalha com uma safra normal.

        A perspectiva é de que a produtividade média chegue a três mil quilos ou 50 sacas por hectare.  A safra, desta forma, chegaria a 1 milhão de sacas,   Considerando preço médio de R$78,00 a saca, pelos parâmetros atuais, a receita bruta ficaria em de 78.000.000,00. É relevante  destacar que, com  a disparada do dólar e do custo dos insumos, as lavouras  igualmente aumentaram bastante os seus custos de produção.

 

  

        

 

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