quarta-feira, 7 de julho de 2021

UM RAIO X DA PRODUÇÃO FAMILIAR

 

 

 



         


                              Produtores ampliam 
 ações,  demandas e apoios

 

     Não é por acaso que, hoje, 4,4 milhões de famílias  no país são responsáveis pela maior parte da produção dos alimentos consumidos pelos brasileiros. De acordo com o Ministério  da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), 70% da ocupação no campo vem  da agricultura e da agroindústria familiar.  Em São Borja, por sua vasta  extensão territorial e propriedades  de grande porte, o perfil é um pouco diferente: temos cerca de três mil estabelecimentos rurais inscritos, porém 1,3 mil titulares. Destes, pelo menos dois terços são considerados  pequenos – até 80 hectares ou  quatro módulos rurais, conforme a Emater.

      O que se nota, contudo, é que,  nos últimos anos  gradativamente esse chamado pequeno produtor familiar (da  agricultura ou da  agroindústria) vem ampliando ações e recebendo incentivos. Devolvendo, portanto, em incrementos. Programas de apoio – municipais, estaduais e federais – não têm faltado. É uma questão de enxergar e apostar nas oportunidades de um mercado com muitas demandas, e crescentes.




       A demanda

        A oferta ao consumidor de hortifrutigranjeiros de modo geral, produtos derivados do leite, peixe, frango e mel, por exemplo, é cada vez maior e mais frequente no município.  Pelo legislação em vigor, a merenda escolar, os programas sociais e as instituições do setor público têm de receber pelo menos 30% dos insumos alimentícios produzidos pela   agricultura e pela agroindústria familiar.

       O secretário municipal de Educação em São Borja, João Carlos Reolon, informa que dos 800 kits/alimentação entregues a estudantes, em junho, 40% dos gêneros vieram  dos produtores familiares.  “Já há alguns anos,  este um dos nossos  meios de abastecimento”, destaca o secretário. Já a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social que, desde outubro de 2020, tem  autorização do Ministério da Cidadania para comprar leite e hortifrutigranjeiros da produção familiar, estenderá as aquisições pelo menos até novembro. Além de suprir à demanda de programas sociais da secretaria, o fornecimento que fazem 16 famílias habilitadas  em chamada pública também garante alimentação de  pacientes no Hospital Ivan Goulart. As unidades do Exército também são compradoras.

      Entre os são-borjenses de modo geral também aumenta a procura pelas Feiras de Produtores que estão em quase toda a  cidade. Duas funcionam há mais tempo – no centro, na rua Barão do Rio Branco, e no Mercado Público Municipal. Uma terceira está prevista para o bairro do Passo, onde os produtores já se reúnem para suas vendas, assim como em diversos outros pontos urbanos estratégicos.


      Os apoios

      A Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente já, há alguns anos, vem desenvolvendo ações de orientação e ajuda  à agricultura e à agroindústria de pequenos produtores. O atual titular da pasta,  Eugênio Dutra, dá alguns exemplos dos apoios: “Além de melhorias na infraestrutura da Feira Tio Bijuja, no Centro, estamos por montar a feira do Passo e,  mediante  autorização da Câmara de Vereadores, pretendemos mudar o modelo de funcionamento do Mercado Público, de modo que garanta maior autonomia de investimentos aos produtores”.

      Por seu turno, o  prefeito  Eduardo Bonotto informa que é meta, até o final da sua gestão,  instalar 50 tanques ou açudes como  sistemas de irrigação e visando à criação de peixes”. Até agosto ou setembro, seis patrulhas agrícolas estarão colocadas à disposição. Cinco já foram entregues.  Além disso,  três minitratores também já foram entregues.

      Recursos federais e estaduais, principalmente através de emendas parlamentares, permitem a maioria dos investimentos. Duas escavadeiras hidráulicas estão sendo adquiridas, assim como uma retroescavadeira já foi comprada. “Isso permite, além de instituir programas de irrigação e piscicultura, também a recuperação de aguadas e de estradas vicinais”, diz Dutra.

        Outras ações de apoio citadas são um programa de repasse de sementes de milho e sorgo, em parceria com o Estado e em condições facilitadas. As sementes chegam em algumas semanas. Neste ano, ainda, duas etapas de encomendas de mudas de espécies frutíferas, nativas e ornamentais estão sendo desenvolvidas.  “A idéia é a formação de pomares e também da geração de renda”, destaca o prefeito. O secretário da Agricultura observa que a intensificação de parceria com a Emater tem sido fundamental para os avanços.

        Agroindústria




        O diretor do escritório da Emater no município, Odacir Decol (na foto), explica que, devido à pandemia da Covid, nos últimos dois anos não é realizado o Seminação da Agricultura Familiar. Não tem dúvidas, contudo, de que  as oito  edições anteriores do evento já promovidas  serviram para orientar e estimular os produtores a investirem no setor.

        As agroindústrias de pequeno porte em São Borja começaram a aparecer  há cerca de seis anos. Por enquanto, são dez estabelecimentos formalmente funcionando e outros três devem entrar em operação nos próximos meses. Decol avalia como fundamental agregar valores e beneficiar a produção. Observa que ainda é pequeno o número de unidades agroindustriais, mas é amplo o espectro. Abrange,  por exemplo,  frangos, peixes, ovos, derivados de lesite,  abatedouros, doces, compotas, pães e bolachas.

       Em alguns casos, o produtor busca financiamento privado. Em outros, recebe apoio de recursos públicos, como da Consulta Popular estadual. O diretor da Emater ressalta que recursos, na verdade, não faltam. Uma das fontes principais é o Pronaf (inclusive para jovens, mulheres e projetos sustentáveis como de energia solar). O programa federal de crédito fundiário foi reaberto pela União. No RS, também são diversas as alternativas, sendo o Feaper um dos exemplos em destaque.

       Importância



       O Plano Safra deste ano, recentemente lançado pelo Ministério da Agricultura, estabelece um incremento de 16% no volume de recursos ao produtor familiar. A ministra Tereza Cristina diz  que a intenção é estimular e amplia a produção, já que a demanda será crescente nas próximas décadas. A FAO, órgão da ONU (Organização das Nações Unidas) ligado à alimentação, projeta que o Brasil, até 2050, precisará aumentar em 40% sua produção, para o abastecimento interno e do mundo.

    A importância da produção da agricultura familiar pode ser medida pelos números. O censo agropecuário de 2017 do IBGE (Instituto  Brasileiro de Geografia a e Estatística)  aponta ainda que a agricultura familiar no país é responsável por empregar 10,1 milhões de pessoas e corresponde a 23% da área de todos os estabelecimentos agropecuários. Esses pequenos agricultores são responsáveis por produzir cerca de 70% do feijão nacional, 34% do arroz, 87% da mandioca, 60% da produção de leite e 59% do rebanho suíno, 50% das aves e 30% dos bovinos.




 

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