Investimento Imobiliário é
pilar de
suporte econômico na
pandemia
Enquanto quase todos os setores da
economia desaceleraram ou até cessaram suas
atividades produtivas, em meio a mais de um ano de pandemia, algumas áreas
seguem aquecidas pela alta demanda de investimentos. Dois bons exemplos são o
agronegócio e o mercado imobiliário. Nestes segmentos, os impactos foram mais
sentidos no início da crise sanitária, diante das incertezas gerais geradas.
Foi, porém, o período curto, vindo logo
a retomada. A indústria da construção
civil teve ainda dificuldades pontuais por carência de matérias-primas e uma
demanda crescente, mas com gradativa recuperação. Os registros de obras na
Prefeitura confirmam isso.
A engenheira Bárbara Antunes diz que,
na prática, a retração foi passageira. Explica que, “durante o evento da Covid,
conseguimos concluir as obras de um condomínio de apartamentos compactos e
temos em andamento acelerado outro residencial
- este bem maior –, além de estar em construção um horto florestal, obra pública que vai
abrigar o futuro Parque
Missioneiro”. Outros exemplos de
projetos concluídos durante a pandemia, pela mesma empresa, são a revitalização
da Fonte de São Pedro e a entrega do novo quartel de Bombeiros. A empresa
também finalizou ampla obra de reforma e ampliação da Casa de Acolhida em São
Borja.
Bárbara Antunes ressalta que
praticamente não houve necessidade de demitir pessoal. “Por um lado, temos
muitos serviços terceirizados, mas fizemos a ginástica de redobrar esforços
para não diminuir vagas de trabalho”, explica. A engenheira civil avalia que a
indústria da construção e o agronegócio, “são os setores que representam os
principais pilares de sustentação da economia e da geração do empregos,
permitindo que a roda da produção continue girando”.
De modo geral, todas as empresas
empreendedores no setor se mantiveram ativas durante a pandemia. São vários os
‘espigões’ erguidos ou que estão sendo construídos na cidade. Além disso,
também novos loteamentos residenciais são implantados ou estão sendo
preparados. m relação a grandes obras
públicas, uma escola de Educação Infantil de R$ 2,2 milhões está em fase de
implantação no bairro Maria do Carmo.
“Quando a economia registra um bom
período de estabilidade, como nos últimos anos, as pessoas se dão conta que
investir em imóveis é o melhor negócio”, analisa o delegado do CRECI em São
Borja (Conselho Regional dos Corretores de Imóveis), Marco Antônio
Loguércio. Neste contexto, o volume de
vendas de casas e apartamentos considerado “normal” pelas imobiliárias da
cidade é outro bom indicador de mercado aquecido, apesar dos entraves do Coronavírus. A carteira de locações
igualmente esteve bastante movimentada.
Além da estabilidade econômica
mencionada por Loguércio, a agropecuária deu também sua importante contribuição. “As boas safras
agrícolas, principalmente a de arroz, foram transformadas em casas e
apartamentos. Foram imóveis que trocaram de mãos por aquisições – novos ou usados -, enquanto
muitos outros foram reformados”, segundo avalia.
Carência de insumos
O empresário Valdir Menegon, com loja
na área de materiais de construção, considera que “as vendas foram
satisfatórias”, apesar da Covid. Ressalta que a sua empresa não demitiu
trabalhadores, e observa que as vendas até poderiam ter sido melhores. Isso não
ocorreu por causa da carência de
matérias-primas. “Temporariamente, faltaram vários itens, em segmentos como madeira, ferro, cimento,
cerâmica, plástico e conexões, por exemplo”, relata.
Menegon avalia que, “por um lado, as
indústrias diminuíram ou até suspenderam as operações de produção e, por outro,
houve um ‘boom’ de demanda que foi
difícil de atender tantos pedidos,
simultaneamente”. Ele avalia que
“os são-borjenses sabem que investir em imóvel é um negócio seguro”. E isso
então explica a construção ou a reforma da casa ou do apartamento”.
Números confirmam
A procura pelos cartórios de escrituração
pública e de registro de imóveis é também um bom termômetro para um período de
muitos negócios imobiliários, mesmo com a rotina alterada pela pandemia. O Departamento de liberação de
Habite-se na Prefeitura, ligado à Secretaria Municipal de Planejamento,
Orçamento e Projetos, igualmente confirma, com números, esta realidade. Em
2019, foram 285 os Habite-se expedidos; e em 2020 foram 277 – quase o mesmo
número.
Nessa contabilidade, estão incluídos
casas e prédios de apartamentos. Quando se trata de prédios de condomínios
residenciais, são várias as unidades habitacionais em um mesmo processo de Habite-se. A mesma
rotina de pedidos de registros e de liberações
seguiu no primeiro semestre deste ano – na média de 27 por mês.
“Crédito fácil”
O programa de financiamento habitacional Minha Casa, Minhas Vida, operado
pela Caixa Econômica Federal (CEF) trocou de nome e agora se chama Casa
Verde-Amarela. A carteira imobiliária no banco ressalta, porém, que o programa
continua o mesmo e até com algumas facilidades adicionais. “No Casa
Verde-Amarela são três opções de empréstimo e com juros menores”, garante a
instituição financiadora.
A CEF ressalta, por outro lado, que para
mutuários de renda mais alta são muitas as opções à disposição e os prazos vão
além dos 400 meses. Outra facilidade destacada é que os financiamentos não
precisam ser buscados apenas Caixa, mas
também podem ser procuradas as unidades de apoio. Os correspondentes e casas
lotéricas igualmente estão habilitados a
prestar atendimento e orientações, garantindo maior capilaridade aos serviços.


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