Energia solar já toma conta
dos telhados são-borjenses
Numa semana de dias encobertos e
temperaturas as mais baixas do ano parece paradoxal falar em geração de energia solar.
Contudo, o cenário aparentemente pouco sugestivo contrasta com a realidade que
coloca São Borja como um dos municípios no Rio Grande do Sul que mais investem em
geração fotovoltaica. Atualmente, já são 745 unidades geradoras, instaladas principalmente em telhados, além de
outros ambientes apropriados. Em 2018, já ficamos no 10º lugar no ranking gaúcho
e, hoje, estamos no 17º. A tendência segue de rápida expansão, inclusive na
capacidade de geração energética.
No mundo, o Brasil ainda está entre o 9º
e o 10º lugar, dependendo dos indicadores, mas a tendência é de incremento
gradual substancial. E não apenas por que o país enfrenta a sua maior crise hídrica em quase um
século, afetando diretamente a produção das suas hidrelétricas. Isso faz usar mais as usinas termoelétricas e a conta
de luz fica bem mais cara. Mas, além destas motivações, o consumidor se dá
conta que pode, a partir da irradiação do sol, produzir sua própria energia – limpa
e permanentemente renovável. Mais que a atitude em defesa do meio ambiente, a
iniciativa é também em defesa do bolso.
Outro fator de estímulo é que dá para financiar a implantação do sistema. Desta
forma, com um valor menor do que o da tarifa antiga de energia é possível pagar
o financiamento. E com uma grande diferença: enquanto os empréstimos bancários são
de três, cinco, sete anos, a vida útil do sistema fotovoltaico é de, no mínimo, 25 anos. Com o crescimento
das demandas, a tendência natural é de redução dos custos de equipamentos e de
sua instalação.
Mercado cresce
Para atender demandas das regiões das
Missões e Fronteira Oeste, em 2018 surgiu a primeira empresa de instalação de
módulos de captação de energia solar. De iniciativa de três engenheiros
elétricos egressos da Unipampa/Alegrete, o empreendimento instalou-se em São
Luiz Gonzaga e hoje espalha serviços por quase todo o território gaúcho. Já São
Borja aderiu de tal modo a investimentos no setor que a empresa, há dois anos,
montou sucursal na cidade.
Atualmente, são vários prestadores de
serviço à disposição na área, disputando um nicho que não para de crescer. Uma empresa
fluminense, por exemplo, está por implantar um projeto de grande porte a um
empreendedor local, à saída da cidade, nas proximidades das BRs 285, 287 e 472.
De acordo com o engenheiro Guilherme
Zancan Copetti, da empresa pioneira em atividade na região, das745 unidades geradoras instaladas em São
Borja, 450 usuários locais são seus clientes. A maioria das instalações é para
uso residencial, com utilização de até 20 placas de geração. Entretanto, também
grandes empresas implantaram suas estruturas, ativando desde pouco mais de 100
até mais de mil painéis.
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O relato dos usuários é
animador. Normalmente, a tarifa de energia elétrica cai cerca de 80%
dependendo do enquadramento. É preciso, porém, manter conexão com a
concessionária de energia, na região a RGE, pagando para tanto uma
tarifa mínima. Essa taxa básica inclui custo de iluminação e tributos como
ICMS, PIS e Ccofins. Eventuais sobras de geração são ‘guardadas’ pela
concessionária e o cliente tem o prazo máximo de cinco anos para
utilizar no abatimento do seu consumo futuro. |
No Rio
Grande do Sul, cidades como Caxias do Sul, Santa Cruz do Sul, Canoas e Porto
Alegre lideram no ranking da instalação de sistemas geradores. Novo Hamburgo e
outras localidades na Região Metropolitana, mais Passo Fundo são outros
exemplos. O meio rural vem ampliando investimentos, a exemplo do comércio e da
indústria.
No Brasil
O
Brasil tem na totalidade 537.108
sistemas geradores de energia solar, o
que significa uma potência de geração de 6.369.404,59 kW, segundo informa o engenheiro
Copetti. Atualmente, o Rio Grande do Sul
possui 73.126 sistemas gerando energia solar, o que representa uma potência
instalada de 762.142,07 kW.
No ranking por estados no Brasil, em
potência instalada com energia solar , a liderança é de Minas Gerais, com 17%
do total. Depois, aparece São Paulo ( 12,5%) e em terceiro lugar o Rio Grande
do Sul com 12,4%. Na sequência vêm Mato
Grosso (7,5% ), Paraná (5,7% ) e Goiás (5,3%).
No Brasil a geração solar por segmento de
consumo se distribui assim: 75,2% é residencial; 15,1% comercial; 7,1%
rural e 2,2% é industrial. Apesar da expansão recente, a energia solar ainda representa somente 1,9% da matriz energética brasileira.
O engenheiro Guilherme Copetti detalha
que, no país, 59,3% da energia vem das hidráulica e 14,9% do gás natural,
petróleo e carvão mineral. Já a energia eólica responde por 10,1% , a biomassa por
8,3% e a energia comprada de outros países é de 4,4%.
Perspectivas
O Brasil ainda está longe de atingir
patamares de grandes produtores de energia solar, como é o caso da China,
Estados Unidos, Japão, Alemanha, França, Inglaterra e outros países
desenvolvidos. Guilherme Copetti ressalta que, ainda assim, existe um amplo
mercado promissor a trabalhar e a conquistar. “Bem que esses 4,4% da energia
que importamos podem perfeitamente se produzidos no mercado interno”,
exemplifica.
Na avaliação do técnico, à medida em
que a demanda cresce os custos de instalação vão caindo. Ele observa que, por
causa da pandemia, chegaram a faltar ou atrasar painéis, inversores e outros
insumos, mas a tendência agora é de normalização do mercado. A gradativa queda
do dólar em relação ao real também favorece, já que a maioria dos equipamentos
tem de ser importada.



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