quinta-feira, 22 de julho de 2021

SUSTENTABILIDADE

 

Energia solar já toma conta

dos telhados são-borjenses

 



          Numa semana de dias encobertos e temperaturas as mais baixas do ano parece  paradoxal falar em geração de energia solar. Contudo, o cenário aparentemente pouco sugestivo contrasta com a realidade que coloca São Borja como um dos municípios no Rio Grande do Sul que mais investem em geração  fotovoltaica.  Atualmente, já são 745 unidades geradoras,  instaladas principalmente em telhados, além de outros ambientes apropriados. Em 2018, já ficamos no 10º lugar no ranking gaúcho e, hoje, estamos no 17º. A tendência segue de rápida expansão, inclusive na capacidade de geração energética.

        No mundo, o Brasil ainda está entre o 9º e o 10º lugar, dependendo dos  indicadores, mas a tendência é de incremento gradual substancial. E não apenas por que o país  enfrenta a sua maior crise hídrica em quase um século, afetando diretamente a produção das suas  hidrelétricas. Isso faz  usar mais as usinas termoelétricas e a conta de luz fica bem mais cara. Mas, além destas motivações, o consumidor se dá conta que pode, a partir da irradiação do sol, produzir sua própria energia – limpa e permanentemente renovável. Mais que a atitude em defesa do meio ambiente, a iniciativa é também em defesa do bolso.

         Outro fator de estímulo é que dá para  financiar a implantação do sistema. Desta forma, com um valor menor do que o da tarifa antiga de energia é possível pagar o financiamento. E com uma grande diferença: enquanto os empréstimos bancários são de três, cinco, sete anos, a vida útil do sistema fotovoltaico  é de, no mínimo, 25 anos. Com o crescimento das demandas, a tendência natural é de redução dos custos de equipamentos e de sua instalação.

     Mercado cresce

      Para atender demandas das regiões das Missões e Fronteira Oeste, em 2018 surgiu a primeira empresa de instalação de módulos de captação de energia solar. De iniciativa de três engenheiros elétricos egressos da Unipampa/Alegrete, o empreendimento instalou-se em São Luiz Gonzaga e hoje espalha serviços por quase todo o território gaúcho. Já São Borja aderiu de tal modo a investimentos no setor que a empresa, há dois anos, montou sucursal na cidade.

       Atualmente, são vários prestadores de serviço à disposição na área, disputando um nicho que não para de crescer. Uma empresa fluminense, por exemplo, está por implantar um projeto de grande porte a um empreendedor local, à saída da cidade, nas proximidades das BRs 285, 287 e 472.   

      De acordo com o engenheiro Guilherme Zancan Copetti, da empresa pioneira em atividade na região,  das745 unidades geradoras instaladas em São Borja, 450 usuários locais são seus clientes. A maioria das instalações é para uso residencial, com utilização de até 20 placas de geração. Entretanto, também grandes empresas implantaram suas estruturas, ativando desde pouco mais de 100 até mais de mil painéis.

    O relato dos usuários é animador. Normalmente, a tarifa de energia elétrica cai cerca de 80% dependendo do enquadramento. É preciso, porém, manter conexão com a concessionária de energia, na região a RGE, pagando para tanto uma tarifa mínima. Essa taxa básica inclui custo de iluminação e tributos como ICMS, PIS e Ccofins. Eventuais sobras de geração são ‘guardadas’ pela concessionária  e o cliente tem o prazo máximo de cinco anos para utilizar no abatimento do seu consumo futuro. 

        No Rio Grande do Sul, cidades como Caxias do Sul, Santa Cruz do Sul, Canoas e Porto Alegre lideram no ranking da instalação de sistemas geradores. Novo Hamburgo e outras localidades na Região Metropolitana, mais Passo Fundo são outros exemplos. O meio rural vem ampliando investimentos, a exemplo do comércio e da indústria.



         No Brasil  

      O Brasil tem na totalidade  537.108 sistemas geradores de  energia solar, o que significa uma potência de geração de  6.369.404,59 kW, segundo informa o engenheiro Copetti.  Atualmente, o Rio Grande do Sul possui 73.126 sistemas gerando energia solar, o que representa uma potência instalada de 762.142,07 kW.

       No ranking por estados no Brasil, em potência instalada com energia solar , a liderança é de Minas Gerais, com 17% do total. Depois, aparece São Paulo ( 12,5%) e em terceiro lugar o Rio Grande do Sul  com 12,4%. Na sequência vêm Mato Grosso (7,5% ), Paraná (5,7% ) e Goiás (5,3%).

      No Brasil a geração solar por segmento de consumo se distribui assim:   75,2% é residencial; 15,1% comercial; 7,1% rural e 2,2% é industrial. Apesar da expansão recente, a energia solar ainda  representa somente 1,9% da matriz energética brasileira. O engenheiro Guilherme Copetti  detalha que, no país, 59,3% da energia vem das hidráulica e 14,9% do gás natural, petróleo e carvão mineral. Já a energia eólica responde por 10,1% , a biomassa por 8,3% e a energia comprada de outros países é de 4,4%.

          Perspectivas

          O Brasil ainda está longe de atingir patamares de grandes produtores de energia solar, como é o caso da China, Estados Unidos, Japão, Alemanha, França, Inglaterra e outros países desenvolvidos. Guilherme Copetti ressalta que, ainda assim, existe um amplo mercado promissor a trabalhar e a conquistar. “Bem que esses 4,4% da energia que importamos podem perfeitamente se produzidos no mercado interno”, exemplifica.

        Na avaliação do técnico, à medida em que a demanda cresce os custos de instalação vão caindo. Ele observa que, por causa da pandemia, chegaram a faltar ou atrasar painéis, inversores e outros insumos, mas a tendência agora é de normalização do mercado. A gradativa queda do dólar em relação ao real também favorece, já que a maioria dos equipamentos tem de ser importada.

 



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