Solidariedade são-borjense
está sendo posta à prova
Enfrentar em uma fila madrugadas e manhãs
geladas para sacar R$ 150 ou pouco mais, dá bem a dimensão das carências
materiais nesta etapa da pandemia. Com
as necessidades do corpo físico, também a estrutura emocional e a autoestima
são diretamente atingidas. A 1ª Cavalgada Solidária (foto), que recolheu
alimentos no último sábado (14), também tem significado simbólico do drama
social e da importância da solidariedade.
É certo que a arrecadação de quase meia tonelada de insumos
básicos pelas secretarias municipais de Desenvolvimento Social e de Cultura,
Turismo, Esporte e Lazer, juntamente com entidades tradicionalistas, não atende
a todas as demandas. O banco de alimentos montado para enfrentar as restrições
impostas pela Covid tem reduzido seus estoques, enquanto na proporção inversa
cresce a necessidade de cestas básicas. A expectativa, então, é que mais ações
como a Cavalgada Solidária se repitam. Aa necessidades têm pressa.
Exemplo inspirador
Na cidade, alguns exemplos inspiradores
movem os são-borjenses a exercitarem a sua solidariedade. Uma das referências
de filantropia, sem esperar retornos, é a dona de casa Sônia Serpa (foto), que
desde 1997 dedica seu tempo e a sua determinação na ajuda aos mais
necessitados. “Fazemos isso com o melhor do nosso empenho, contando com o apoio
das pessoas, sem depender do poder público”, explica.
Ela diz que repassa às famílias que a
procuram ou em situação mais vulnerável tudo o que recebe. Isso abrange desde
alimentos a roupas de uso pessoal e de casas, calçados, colchões e cobertores.
Móveis, eletrodomésticos e utensílios de cozinha também são entregues. A
constatação, porém, é que a longa pandemia e as dificuldades crescentes de
emprego e de renda fazem diminuir as doações. “Fazíamos um sopão, aqui em casa,
onde as pessoas vinham buscar, mas há algum tempo tivemos de suspender a ação, devido
à escassez dos gêneros alimentícios
utilizados”, relata.
Na
sua avaliação, as dificuldades estão em todos os cantos da cidade e aumentam, enquanto
os donativos diminuem “Em vista disso, estamos dando prioridade aos casos de
maior carência, como as famílias que trabalham como catadoras no Lixão”. No
local, a situação é um retrato do atual drama social, segundo avalia Sônia.
“Tem famílias que dormem lá, em
condições precárias, para não perder a chegada dos novos carregamento de lixo”,
conta.
A residência de Sônia Serpa, na Rua
Barão do Rio Branco, 871, bairro Pirahy, é normalmente usada como depósito das
doações e transformada em cozinha comunitária. Às vezes é também usada a sede da associação de
moradores no bairro, para almoços visando
algum dinheiro, que depois também é empregado em ações de benemerência. “Todos
os anos são sagradas festas para as crianças na Páscoa, no Dia das Crianças e
no Natal. Temos certeza que, ao fazer o bem para os outros, também para nós
estamos fazendo o bem”.
Dona Sônia explica que a sua ação de
solidariedade é apenas divulgada “no boca a boca”, porém todo o resultado do trabalho acontece e permanece no
anonimato. Ela faz questão de divulgar seus telefones, “não com a intenção de
fazer propaganda, mas de facilitar que mais auxílios sejam disponibilizados.”. Os
contatos podem ser feitos pelos números (55) 3430 1139e 99730 9544.
Necessidades crescentes
Apesar de os
recursos orçamentários próprios de apoio terem sido aumentados para a aquisições, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento
Social (SMDS) enfrenta dificuldades para atender a todas as demandas em relação
à distribuição de cestas básicas. “Como
a pandemia já se arrasta há um ano e meio, tirando empregos e outras chances de
rendimento, é natural que as carências sejam crescentes”, lamenta o prefeito
Eduardo Bonotto. Isso leva a renovar
pedidos de alimentos não perecíveis à comunidade.
A SMDS chegou a
distribuir refeições, diariamente, às pessoas em situação mais vulnerável,
entretanto a ação, agora, consiste em servira Sopa Solidária, duas vezes por
semana, através dos CRAS (Centros de Referência em Assistência Social). São
duas mil porções por mês. “Priorizamos atender aqueles que têm menos
assistência, mas também, neste caso, precisamos de mais insumos alimentícios de
apoio, apesar de campanha em andamento nas unidades de vacinação”, diz a
secretária Luciane Bidinoto (foto). Todos os alimentos que forem doados devem
ser entregues na secretaria (na Presidente Vargas, em frente ao hospital Ivan
Goulart) ou então anunciadas pelo telefone 3431 99993.
O Restaurante
Popular, que oferece refeições a custos subsidiados, reabriu em julho, depois
de mais de um ano sem atividades devido à pandemia. Gradativamente, vem
aumentando o número de frequentadores e de refeições servidas. O local, junto à
SMDS, atende de segunda à sexta-feira,
das 11h às 12h30min. As refeições têm custo zero, de R$ 3 ou de R$ 10,
dependendo do nível socioeconômico.
Oficialmente, a
Campanha do Agasalho/2021 já foi encerrada, mas roupas de inverno, calçados e
cobertores continuam sendo arrecadados.
Também são recolhidos utensílios de cozinha, móveis, eletrodomésticos e
materiais de construção. A forma de
repasse a mesma dos alimentos – diretamente na secretaria ou anúncio através do
telefone.
À espera do novo Bolsa
Hoje, São Borja tem cadastradas 1.664 famílias no Bolsa Família e um
poucos mais de 8,2 mil estão inscritas no Cadastro Único do governo. Com o pagamento ainda das últimas parcelas do
auxílio emergencial, em função da pandemia, as pessoas recebem o benefício do
Bolsa ou do auxílio – o valor que for maio. A média doa repasses atuais do
Bolsa Família fica em cerca de R$ 190, mas pode passar dos R$ 300, dependendo
dos níveis de pobreza. Já o auxílio emergencial começa em R$ 150 e vai até R$
375.
Aí começou a grande reviravolta. Percorreu mais de 30 países, conheceu a
realidade de refugiados e ao voltar ao Brasil, em 2015, lançou o livro Minha
Terra Mora em Mim e fundou a Círculos de Hospitalidade, organização da
sociedade civil que desenvolve projetos sociais para imigrantes e pessoas
refugiadas. Ela garante que ‘na nova vida’ é que conseguiu realmente se
encontrar.




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