quinta-feira, 19 de agosto de 2021

NESTA PANDEMIA

  

Solidariedade são-borjense

está sendo posta à prova

        




      Enfrentar em uma fila madrugadas e manhãs geladas para sacar R$ 150 ou pouco mais, dá bem a dimensão das carências materiais nesta etapa da pandemia.  Com as necessidades do corpo físico, também a estrutura emocional e a autoestima são diretamente atingidas. A 1ª Cavalgada Solidária (foto), que recolheu alimentos no último sábado (14), também tem significado simbólico do drama social e da importância da solidariedade.

       É certo  que a arrecadação de quase meia tonelada de insumos básicos pelas secretarias municipais de Desenvolvimento Social e de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer, juntamente com entidades tradicionalistas, não atende a todas as demandas. O banco de alimentos montado para enfrentar as restrições impostas pela Covid tem reduzido seus estoques, enquanto na proporção inversa cresce a necessidade de cestas básicas. A expectativa, então, é que mais ações como a Cavalgada Solidária se repitam. Aa necessidades têm pressa.

 

     Exemplo inspirador

 

 

     Na cidade, alguns exemplos inspiradores movem os são-borjenses a exercitarem a sua solidariedade. Uma das referências de filantropia, sem esperar retornos, é a dona de casa Sônia Serpa (foto), que desde 1997 dedica seu tempo e a sua determinação na ajuda aos mais necessitados. “Fazemos isso com o melhor do nosso empenho, contando com o apoio das pessoas, sem depender do poder público”, explica.







      Ela diz que repassa às famílias que a procuram ou em situação mais vulnerável tudo o que recebe. Isso abrange desde alimentos a roupas de uso pessoal e de casas, calçados, colchões e cobertores. Móveis, eletrodomésticos e utensílios de cozinha também são entregues. A constatação, porém, é que a longa pandemia e as dificuldades crescentes de emprego e de renda fazem diminuir as doações. “Fazíamos um sopão, aqui em casa, onde as pessoas vinham buscar, mas há algum tempo tivemos de suspender a ação, devido à  escassez dos gêneros alimentícios utilizados”, relata.

       Na sua avaliação, as dificuldades estão em todos os cantos da cidade e aumentam, enquanto os donativos diminuem “Em vista disso, estamos dando prioridade aos casos de maior carência, como as famílias que trabalham como catadoras no Lixão”. No local, a situação é um retrato do atual drama social, segundo avalia Sônia. “Tem famílias que dormem lá,  em condições precárias, para não perder a chegada dos novos carregamento de lixo”, conta.

       A residência de Sônia Serpa, na Rua Barão do Rio Branco, 871, bairro Pirahy, é normalmente usada como depósito das doações e transformada em cozinha comunitária. Às  vezes é também usada a sede da associação de moradores no bairro, para almoços visando  algum dinheiro, que depois também é empregado em  ações de benemerência.   “Todos os anos são sagradas festas para as crianças na Páscoa, no Dia das Crianças e no Natal. Temos certeza que, ao fazer o bem para os outros, também para nós estamos fazendo o bem”.

    

      Dona Sônia explica que a sua ação de solidariedade é apenas divulgada “no boca a boca”, porém todo o  resultado do trabalho acontece e permanece no anonimato. Ela faz questão de divulgar seus telefones, “não com a intenção de fazer propaganda, mas de facilitar que mais auxílios sejam disponibilizados.”. Os contatos podem ser feitos pelos números (55)  3430 1139e 99730 9544.

 

Necessidades crescentes

 

   Apesar de os recursos orçamentários próprios de apoio terem sido aumentados para a aquisições,  a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (SMDS) enfrenta dificuldades para atender a todas as demandas em relação à distribuição de cestas básicas.  “Como a pandemia já se arrasta há um ano e meio, tirando empregos e outras chances de rendimento, é natural que as carências sejam crescentes”, lamenta o prefeito Eduardo Bonotto.  Isso leva a renovar pedidos de alimentos não perecíveis à comunidade.

        A SMDS chegou a distribuir refeições, diariamente, às pessoas em situação mais vulnerável, entretanto a ação, agora, consiste em servira Sopa Solidária, duas vezes por semana, através dos CRAS (Centros de Referência em Assistência Social). São duas mil porções por mês. “Priorizamos atender aqueles que têm menos assistência, mas também, neste caso, precisamos de mais insumos alimentícios de apoio, apesar de campanha em andamento nas unidades de vacinação”, diz a secretária Luciane Bidinoto (foto). Todos os alimentos que forem doados devem ser entregues na secretaria (na Presidente Vargas, em frente ao hospital Ivan Goulart) ou então anunciadas pelo telefone 3431 99993.





        O Restaurante Popular, que oferece refeições a custos subsidiados, reabriu em julho, depois de mais de um ano sem atividades devido à pandemia. Gradativamente, vem aumentando o número de frequentadores e de refeições servidas. O local, junto à SMDS,  atende de segunda à sexta-feira, das 11h às 12h30min. As refeições têm custo zero, de R$ 3 ou de R$ 10, dependendo do nível socioeconômico.

        Oficialmente, a Campanha do Agasalho/2021 já foi encerrada, mas roupas de inverno, calçados e cobertores continuam sendo arrecadados.  Também são recolhidos utensílios de cozinha, móveis, eletrodomésticos e materiais de construção.  A forma de repasse a mesma dos alimentos – diretamente na secretaria ou anúncio através do telefone.

 

   À espera do novo Bolsa

 

       Várias pessoas já procuram a unidade local de gestão do Bolsa Família para saber da nova versão do programa, que deve se chamar Auxílio Brasil. O governo federal fala em reajustar em cerca de 50% os valores atualmente pagos. Isso, entretanto, não será imediato. A projeção é de que a ação prática só ocorra daqui uns três meses.

       Hoje, São Borja tem cadastradas 1.664 famílias no Bolsa Família e um poucos mais de 8,2 mil estão inscritas no Cadastro Único do governo.  Com o pagamento ainda das últimas parcelas do auxílio emergencial, em função da pandemia, as pessoas recebem o benefício do Bolsa ou do auxílio – o valor que for maio. A média doa repasses atuais do Bolsa Família fica em cerca de R$ 190, mas pode passar dos R$ 300, dependendo dos níveis de pobreza. Já o auxílio emergencial começa em R$ 150 e vai até R$ 375.

  



      Como vocação

 

      No último final de semana, Zero Hora publicou uma história igualmente inspiradora.   Formada em Odontologia, a catarinense de Florianópolis Bruna Kadletz, 38 anos, deu uma guinada radical na vida a partir de   2008. Apaixonou-se por um maranhense, e mudou-se para a cidade de Imperatriz.  A relação, porém, não evoluiu bem. “Em 2009, Bruna terminou o relacionamento, pôs a profissão em modo espera e foi viajar”, conta ZH.

       Aí começou a grande reviravolta. Percorreu mais de 30 países, conheceu a realidade de refugiados e ao voltar ao Brasil, em 2015, lançou o livro Minha Terra Mora em Mim e fundou a Círculos de Hospitalidade, organização da sociedade civil que desenvolve projetos sociais para imigrantes e pessoas refugiadas. Ela garante que ‘na nova vida’ é que conseguiu realmente se encontrar.

 

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