Com protocolos, eventos
voltam a fluir na cidade
Entre as autoridades na área da Saúde, ninguém arrisca projetarem em que momento os grandes eventos em São Borja voltarão a ser realizados com a presença de público na atual pandemia. Contudo, considerando o avanço na cobertura vacinal alcançada e os números em declínio em relação à Covid, a cidade já consegue retomar, gradualmente, algumas das suas programações importantes. “Porém é indispensável que todos os protocolos de precaução sejam observados à risca”, ressalta a secretária municipal de Saúde, Sabrina Loureiro (foto).
São Borja tem, por enquanto, um pouco
mais de 70% da população adulta com a primeira dose da vacina contra o vírus
aplicada e somente cerca de um terço com aplicação de duas doses. “Ainda é muito
pouco para pensar que estejamos protegidos”,
adverte a secretária. Sabrina Loureiro acha que, se tudo correr bem no fluxo vacinal
como previsto, somente a partir de novembro a situação estará mais sob
controle. “Como grande parte dos
são-borjenses recebeu, até aqui, somente uma dose de vacina, isso não dá segurança sanitária e nem ar de
normalidade para aglomerações” destaca.
A Saúde municipal avalia que, no momento, ainda não é possível uma
festa ou um baile, com pessoas sem máscaras, em ambientes confinados. Sabrina diz
que um jantar, como pretendem entidades,
“é diferente, é mais seguro, mas desde que os distanciamentos protocolares
sejam respeitados”. Ela compara que, na prática, é a mesma situação dos
restaurantes. “O que não podemos é, depois de tanto esforço, colocar tudo a
perder”.
No fim de semana
Já neste sábado (14/8), a propósito da
pandemia e das suas impactantes consequências sociais, as secretarias
municipais de Desenvolvimento Social e de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer
juntam-se às entidades tradicionalistas, para recolher alimentos na comunidade.
Cavalarianos estarão nas ruas das 9 às 17h, oferecendo sua solidariedade, em
busca do apoio dos demais são-borjenses. Com a mesma finalidade da busca de
donativos aos mais necessitados, postos de coleta de alimentos estarão à
disposição nas praças XV de Novembro, da Viação Férrea e Assis Brasil.
Já no domingo (15), Acisb e Emater, com
apoio da Secretaria Municipal da Agricultura, promovem mais uma edição da Feira
da Agricultura Familiar. No pavilhão de eventos da Associação Comercial e
Industrial no Parque de Exposições Serafim Dornelles Vargas, entre 9 e 17h,
mais de uma dezena de produtores agroindustriais estarão expondo e
comercializando o fruto do seu trabalho.
É uma experiência que vai se repetir mensalmente. Além de atender às demandas
de consumo, a iniciativa visa oportunizar alguma geração de renda em momento
de evidentes dificuldades.
Sinalizando
o retorno gradual, com protocolos, no último sábado (7) já ocorreu o passeio
ciclístico Pais & Filhos (foto). A
iniciativa foi da Secretaria de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer, homenageando
o Dia dos Pais. Um expressivo número de participantes valorizou a ação,
desenvolvida desde o Parque General Vargas até o Parque de Exposições Serafim
Vargas.
Concurso de Carnaval
Normalmente realizado em janeiro, no
Cais do Porto, o Concurso Regional de Músicas para o Carnaval Apparício Silva
Rillo este ano não aconteceu no período habitual, em função da pandemia. Ficou
para o final de fevereiro, sem a presença de público, entretanto o Coronavírus
outra vez não permitiu. Agora, a Secretaria de Cultura, Turismo, Esporte e
Lazer anuncia o evento para os dias 26, 27 e 28 de agosto, no Centro Nativista
Boitatá. Mas sem público, por evitar aglomerações e contágios.
Um dos mais antigos e representativos
certames de marcha e samba no país, já em 54ª edição, será a única programação
de Carnaval, este ano. Além de oferecer música e lazer ao público, através da
internet, a ação visa oferecer a chance de apoio financeiro aos grupos musicais,
há mais de ano em meio enfrentando dificuldades. “Com a mesma motivação de
apoio, a Secretaria de Cultura já promoveu mais de uma dezena de lives ao longo
dos últimos meses”, observa a titular da pasta, Vânia Alves Cardoso (foto).
No Boitatá, nas três noites de
apresentações do concurso, somente os grupos
concorrentes e as equipes de apoio. Na quinta-feira, dia 26, estarão no palco
as 12 marchas indicadas na fase de triagem e na sexta-feira (27), os 12 sambas.
No sábado (28) voltam ao palco as composições finalistas, para definição dos
resultados e premiações.
O concurso oferecerá premiação e troféu as seis composições melhor
classificadas. O 1° lugar em marcha e samba levará R$ 6,5 mil. Já o 2° lugar
ficará com R$ 4,5 mil e o 3° lugar ganhará R$ 2,5 mil. Os chamados prêmios acessórios - Melhor
Arranjo, Melhor Letra, Melhor Melodia, Melhor Intérprete e Melhor
Instrumentista - receberão, cada um, R$ 1,5 mil e troféus. Também é conferida
ajuda de custo às 24 composições habilitadas na triagem.
Ronda de São Pedro
Com projeto aprovado desde 2020 para
buscar patrocínios de apoiadores, através da Lei de Incentivo à Cultura
(LIC), do governo do Estado, o festival
Ronda de São Pedro somente será possível agora em setembro. O Centro Nativista
Boitatá, entidade promotora (na imagem), confirma o evento para os dias 24 e 25
do próximo mês. “Esperamos, até lá, tornar possível pelo menos uma parte do
nosso público habitual, mas tudo ainda é muito incerto”, lamenta o patrão da
entidade tradicionalista, Flávio Ceolin.
Com orçamento de R$ 170 mil, o festival
terá realizada a sua 29ª edição, depois de interrupções, devido às dificuldades
de recursos financeiros. Mantém o formato da edição anterior, com as fases
Local e Geral, que somaram mais de 400 composições inscritas. O trabalho de
triagem, nesta quinta e sexta-feira (12 e 13) está indicando as cinco
concorrentes da fase local e as 15 da fase geral que disputarão no palco e
serão apresentadas na noite de 24 de setembro. Destas, duas composições de
concorrentes locais e 12 de fora da cidade
vão para o CD e para a fase final do Ronda.
A música em 1º lugar ficará com R$ 4
mil; a 2ª colocação receberá R$ 3 mil e o 3º lugar, R$ 1,5 mil. A
Música Mais Popular e a Melhor Letra terão prêmio individual de R$ 500.
Em todas as cinco premiações também será conferido o troféu São Pedro. Já o Melhor Intérprete, a Melhor Melodia, o
Melhor Arranjo, o Melhor Instrumentista
e o Melhor Tema Junino terão, em cada caso, prêmio de R$ 500. Também é oferecida ajuda de custo.
Semana Farroupilha
Mesmo com o status de Capital Gaúcha do
Fandango, a pandemia dificilmente deixará que São Borja realize, na Semana Farroupilha,
os tradicionais bailes típicos que a destacam no Rio Grande do Sul. Mesmo assim, as entidades tradicionalistas e
a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo pretendem não deixar passar em
branco a data histórica. Porém, muitas das atividades deverão ser
transmitidas pela internet.
A
programação prevê a guarda do candeeiro crioulo e apresentações musicais na
Praça XV, revezando as entidades. A secretaria também prevê apresentações, mas
para acompanhamento por canais remotos. A novidade será um ‘baile itinerante’, sobre
caminhões e que percorrerá a cidade, levando dança, músicas e animação.
É certo que não acontecerá o desfile
tradicionalista de 20 de setembro, reunindo cavalarianos de CTGs, piquetes e outras entidades. Através dos
eventos possíveis, as ações serão temáticas. A homenagem, este ano, será a
Anita Garibaldi, uma das referências da Revolução Farroupilha (1835/45).
Muitas dificuldades
A impactante Covid-19 atingiu em
cheio a saúde financeira das entidades tradicionalistas e dos clubes sociais. Acostumados
a uma rotina de bailes, almoços e jantares, como alternativa de renda e
manutenção, os centros de tradições e os piquetes agregados estão, há mais de
um ano, privados das suas atividades. Alegam que as despesas fixas permanecem e
será difícil superar a situação.
São Borja já teve oito clubes sociais
e até a chegada da pandemia mantinha três em funcionamento. Dois deles, porém,
dificilmente retomam atividades no período pós-pandemia. O outro anuncia uma
campanha de receitas e de atração de associados. Espera que ajudem a restabelecer suas
finanças combalidas.





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